sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Can-"sei"

Can-"sei"
por Miguel Garcia
Fragmentos de um texto de Caetano Penna Franco rebatizado

Tem-se a dialética como a esgrima intelectual para se ficar com a razão ao disputar. Resta-nos a lição de Artur Schopenhauer: “entre cem pessoas talvez haja uma com quem vale a pena "disputar”- interagir dialogicamente. Aos restantes deixemos falar o que bem entendam, pois, não ter juízo é um direito humano, e, como afirmou Voltaire, a paz é preferível à verdade e por último conforme anuncia um ditado árabe: Da árvore do silêncio pendem os frutos da paz, afinal é no silêncio que melhor se reponde aos que tanto falam.
Minha conclusão:
Não ter juizo é um direito humano. A paz é preferível à "verdade". Cada maluco pense e fale o que bem "entenda", can -"sei".

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

So-mente para curiosos 2

So-mente para curiosos 2
Miguel Garcia
Vez por outra, alguém me pergunta: como vai indo Lavras? Na maioria das vezes, segundo meu "julgamento", sem interesse real de ouvir a resposta.
Viver no interior de Minas quando não se é mineiro, viver como um “de fora", conforme a definição que alguns lavrenses utilizam para discriminar “turistas, visitantes, moradores flutuantes e de outros estados, não é bem uma “diversão” pra ninguém, menos ainda “liderando” uma igreja decidida em manter-se cristã em sua essência e atuação, cristã, não necessariamente “evangélica”.
Não raras vezes, um embate terrível se dá contra a esperança de quem deseja salvaguardar o mínimo de integridade no mundo de hoje - manter-se humilde, responsável, pensante e aberto, uma vez que me parece inconcebível que o mistério caiba no vão de conceitos fixos e acabados. Conclui que uma fé que deseja ser adulta apoia-se no realismo, sendo que o mesmo exige não menos do que o máximo da estrutura de alguém, por vezes, que se beba o cálice amargo do anonimato, descaso, traição, ingratidão, rejeição, abandono, difamação e por fim a pena máxima e capital do mercado: não consumo e descarte (o futuro dos usados).
Nossa esperança é levarmos a bom termo aquilo a que nos propusemos no exercício pleno de nossa liberdade e militância em prol do Reino de Deus, afirmados e apoiados que estamos na graça e amor incondicionais do Deus Emanuel.
Se você é uma dessas pessoas curiosas para saber 'com vai indo Lavras' - como são as “coisas” no Sur de Mins – a lógica predominante que impulsiona: se você quer uma chave que abra a porteira para a compreensão do espírito da mineiridade, eu recomendaria o filme DOG VILLE, do genial cineasta dinamarquês Lars Von Trier. Quem sabe mergulhando de cabeça na percepção compartilhada do real em DOG VILLE, buscando saberes e significados na transparência dessa importante obra de arte, quem sabe um “encontro”, ou até um “reencontro” com o Tom e com Grace de cada um de nós produza a Fiat lux, quem sabe a conduta dos desesperados habitantes de DOG VILLE, revele algo que ajude na compreensão do mistério que insiste em pairar sobre a mineirice e seus desdobramentos.

Resignificando a prostituição

Resignificando a prostituição
Por Miguel Garcia

“...O grande conquistador veneziano Casanova, mestre incomparável dos segredos da sedução, abre o jogo em suas Memórias. Com nove da cada dez mulheres que conseguiu seduzir, ele confessa, foi o manejo habilidoso do dinheiro que abriu as portas do triunfo – o dinheiro pelo que ele simboliza e por tudo o que proporciona de doce e amável.”
(Texto de Eduardo Giannetti ab-usado por mim).
Pois é! Ao que "tudo" indica, o dinheiro abre portas, pernas, bocas, "janelas celestes", quase de tudo, só não abre olhos e corações mercantilistas, só não produz o "milagre" de ser e amar. (Miguel Garcia)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Mental-idade Canina

Mental-idade Canina Rrrrrr...
Miguel Garcia

A Mentalidade Canina extrapola a condição dos Canis lupus familiaris ou cães domésticos estendendo-se à típica maneira de ser e agir dos religiosos, "indivíduos" esses últimos que, sob certo ponto de vista, até que enxergam bem alguns fatos da vida e da narrativa Bíblica, mas não seus significados. Esse tipo de “gente”, costuma ter razão quando afirmam terem examinado todos os fatos captaveis por sua “canis-lupus”-estrutura, e, em sendo esta a situação, nada mais existi, exceto o significado não percebido na parcial contemplação de realidades inferiores.

Um indivíduo ou grupo de indivíduos com tal estrutura mental, digo, a de um quadrúpede (obstinado) carnívoro (devorador de intervenções sobrenaturais fabulosas), consegue a façanha de ser, no que tange aos dados “objetivos” que eventualmente consiga “enxergar”, não mais do que como um animal – um sub-humano.
Em uma de suas infinitas ilustrações geniais, C. S. Lewis fez um comentário que encaixa-se como uma luva em meu argumento aqui:
“Com certeza, você já notou que a maioria dos cães não compreende quanto você aponta alguma coisa. Apontamos para um pouco de comida no chão: o cão, em vez de olhar para o chão, cheira nosso dedo, nada demais. Em seu mundo, tudo é fato; o significado não existe. Numa época em que predomina o realismo factual, encontramos muita gente que se induz deliberadamente esse tipo de mentalidade canina.”
Infelizmente, segundo o que sou forçado a concluir neste ensaio, a mentalidade canina por fim encerrará logo após fácil captura: "domésticos" ou "selvagens", porta-dores de “pedigree” acadêmico ou simples “vira-latas”–auto-didatas-incompetentes-por-conta-própria, todos, sem exceção, em camaras de angustias, neuroses e terrores sufocantes da "alma" - negatividade existencial, o que considero ob-via-mente um lamentável desperdício.

Concordo com o Giannetti quando ele diz que é difícil saber o que torna alguém mais retrogrado – não conhecer nada exceto o “passado”, ou nada exceto o “presente”.
Não mexe comigo que eu também mordo hein!!! Rrrrrrrr...Auauauau..

sábado, 24 de janeiro de 2009

Melô da Nina
Miguel Garcia

Nina "neném":
A Cuca vai chutar!
Papai é a Cuca,
Melhor não provocar.
Bicho chatão
Não suba no estofado
Não faça cocôzinho
E xixi pra todo lado
Se isto acontecer
Deus que te proteja:
O Papai te recheia
E assa na bandeja
Nina meu bem
Vê se não vacila
Papai está armado
É ótimo na mira
Não vá para a cozinha
Não pule em cima dele
Não faça baguncinha
Ou vai se ver com ele
Niináa!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Cá entre nós!

Cá entre nós! 
Ao Paulo


Grato pela fertilização de idéias - observação compartilhada da experiência - produção e percepções de "novos conceitos".
Agradeço por ajudar a cumprir um de meus objetivos com a publicação dos textos nesse Blog: ampliação da percepção cooperativa do real através do “diálogo”, o que, segundo espero, desemboque em fecundação mútua.
Minha proposta aqui não inclui chegar a sínteses nem à tomada de decisões. Meu propósito é exercitar novos modos de ver, sentir e criar significados em conjunto, até por que, segundo o que absorvi dos escritos de Eduardo Giannetti em seu livro Auto Engano, a natureza em sua totalidade, assim como a história, é um reservatório inesgotável - um manancial de fatos, processos e acontecimentos com os quais se pode provar praticamente o que quer que seja ou o seu contrário, longe de mim enveredar por descaminhos.

Sem pa-Lavras que dêm conta de exprimir minha profunda satisfação por sermos amigos, irmãos e tudo mais que o amor permitir,

Com meu carinho,

Miguel Garcia

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

De Deus e da vida!

De Deus e da vida!
Miguel Garcia

Ando com medo de me tornar mais um “santo” da igreja.
Lembro-me que esse sentimento teve início assim que li um texto do senhor Paulo Brabo no Bacia das Almas - http://www.baciadasalmas.com/?s=teologia+atividade+de+quem+n%C3%A3o+faz+sexo

Em poucas, afiadas e perturbadoras linhas, o senhor Brabo afirmou com clareza que escrever teologia é tradicionalmente a atividade de homens que não estão fazendo sexo. O problema é que de pronto concordei com a lógica proposta por ele, daí que minha angustia teve digamos, um inicio mais consciente.


Conclui que escrever teologia sempre acontece logo após sonhar muitas vezes essa "disciplina", após desejá-la ardentemente, prestar-lhe culto, persegui-la por onde quer que ela vá, divinizá-la como a uma deusa, inflamar-se, deixar-se possuir, mumificar-se por seus "poderes mágicos".

Penso que tenho motivos de sobra para estar preocupado, uma vez que sou fascinado por teo-lo-®gias e afins, desde menino, a ponto de talvez ter posto em risco alguns dos meus traços mais humanos, urgentemente primitivos e causadores de felicidade.


Não fossem os antídotos para o veneno religioso que tenho sorvido em Paulo R. G., Torres Queiruga, Jon Sobrino, Moltman, Boff, no próprio Brabo e muitos outros, temo que estaria em situação ainda mais "impotente" do que a que me encontro agora.
Embora eu já estar certo de quem ama quer comunhão, seja com Deus, com os amigos, ou no amor sexual. De que a Bíblia compreendeu a força do amor afetivo, erótico e sexual como símbolo para evocar o amor de Deus e sua presença felicitante na vida humana. E ainda, de que infelismente, a igreja, muitas vezes, "demonizou o amor sexual, induzindo à impressão de que Deus hostiliza seu gozo e deleite", perdendo ocasiões para fazer uma evangelização, a partir dessa realidade, e mostrando a transparência de Deus.
"Em qualquer lugar em que se anuncia algum tipo de amor, podemos experimentar o Divino e entender a razão da vida". Paulo Roberto Gomes - O DEUS IMPOTENTE.
Ando com medo de me tornar mais um “santo” da igreja. Deus me livre de tal maldição!
Arreda de mim "Satanás", esse corpo não lhe pertence!
Sou de Deus e da vida!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Trier, fruto de amizade!

Trier, fruto de amizade!
Miguel Garcia
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Ainda ontem me vi em "estado hipnótico" ante o filme EUROPA, de Lars Von Trier. Já havia me encantado por Dog Ville e Manderley (duas poções mágicas), ambos obra desse notável "feiticeiro" dinamarquês.
Devo a beatitude de ter "sorvido" esse néctar (Lars), devo esse prazer sem medida - essa aventura extasiante, ao meu amigo Paulo Cruz http://paulopoeta.blogspot.com/, um poeta de primeira água - esbanja agudeza de espírito e bom gosto, foi ele quem indicou-me o primeiro filme do Lars (Dog Ville), foi ele o responsável por eu ter assitido o Europa no conforto da minha aconchegante sala de TV, junto à minha família:
Grato PC meu irmão, sua amizade é redentora de mim!
Caso alguém queira conhecer um pouco mais sobre esse genio da arte cinematográfica (Lars Von Trier), pode confirir a biografia e os projetos dele no seguinte Blog:
Trier aconteceu pra mim como o fruto de uma doce amizade!

Sobre o mal e o sofrimento

Deus não está do lado do sofrimento ou do desastre, mas sim do sofredor e das vítimas. Não está do lado da miséria ou dor, mas sim do miserável e doente. Seu desejo é salvar da angústia e do medo, sustentar e apoiar os aflitos e oprimidos para que Sua graça e amor incondicionais transbordem em forma de vida e alegria que não caibam em si.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Daqui não saio!

Daqui não saio!Miguel Garcia

A religião tem o poder de desapropriar da vida um sujeito - desapossá-lo das terras do bem viver, pisotear suas plantações de coragem e ousadia que, sujeitas a condições normais, frutificam erradicando, na medida do possível, o sofrimento e o mal e também integrando aquilo que não pode ser mudado momentaneamente, salvaguardando o sentimento de gratidão pelo dom benfazejo do existir.
Religião em meu entendimento, é sinônimo de ameaça à ternura, à delicadeza, à própria essência humana, é algo que violenta em nome da bondade amor e justiça.
Em resposta a toda essa opressão violenta (religião), inúmeras vezes travestida de piedade , e, ao mesmo tempo, em celebração à minha teimosa fidelidade a Terra, canto e danço uma marchinha de carnaval ante meus opressores, ainda mais porque segundo creio, a ressurreição de Cristo "está aí", reafirmando até mesmo as banalidades da existência, libertando do medo e da angustia através do puro amor e proclamando que o Deus-encarnado (Emanuel) não é adversário de projeto humano algum, quer que todas as famílias da terra sejam benditas.
Daqui não saio
Daqui ninguém me tira
Daqui não saio
Daqui ninguém me tira
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Aos que insistem em permane-c(s)er fora da festa e alegria do existir, a saber, aos autores de determinadas organizações eclesiásticas, engendradas por hábeis teólogos e devidamente codificada pelos chefes hierárquicos das mesmas, aos que operam tudo em detrimento total da vida livre, solidaria e fraternal - do humano, eu suplico:
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Basta! Pelo amor de Deus, deixem que vivamos em paz!
Não queremos seus conselhos ou "mensagens de esperança".
Aceitamos Cristo e o Evangelho do amor e graça incondicionais, contudo, rejeitamos o cristianismo que a ilusão, loucura, ganância e ambição de vocês insiste tanto em nos oferecer, ao mesmo tempo que nos expulsa dos assentamentos da vida.
Pelo amor de Deus!...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Deus é Mãe! Ave Marias! Alô mãe, minha Deusa: Te amo!

Cada criança é um milagre - um Cristo salvando o "mundo" que a rodeia! (Miguel Garcia)
Assista o documentário da diretora carioca Sandra Werneck.
Veja detalhes sobre esse importante trabalho no endereço abaixo:
http://cinema.uol.com.br/ultnot/2006/05/04/ult26u21441.jhtm

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Fora de mim

Fora de mim
Miguel Garcia

Sabe aquela essência de você, aquela realidade, aquele primitivo, aquilo não relativo que foge de todo e qualquer espelho acidental?
Sabe aquela substância positiva, aquele substrato de ser que desespera?
Sabe aquele pedaço intangível de você, aquela divindade fóbica e muda que jamais permite ser confrontada, negada ou esquecida? Sabe aquele olhar que persegue e vigia? Sabe todo esse tudo, essa presença incorpórea, porém quase física? Sabe esse sábio, isso? Ao que me consta já partiu. Parece que estou fora mim.

domingo, 4 de janeiro de 2009

A gente vai.. não para nunca...

A gente vai.. não para nunca...
Miguel Garcia
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Já ouvi alguém dizer que chata é a pessoa que tenta explicar quando perguntada sobre se ela está bem. Vez por outra sou interrogado nesse mesmo tom e rítmo de assuntos aleatórios: E aí Miguel, como vai Lavras?
Confesso que já tive vontade de "rebater": Seja mais específico(a) por favor; Está como sempre esteja uái; Você não espera que um desempenho messiânico da parte de minha família-nada-poderosa altere o perfil do sul de Minas no prazo de um ano, dois ou mais não é mesmo, ou é? Você que perguntou, está com tempo? A cidade de Lavras tem cerca de 140 anos... Antes de eu responder, fale-me dos seus ideais, sua visão de Deus e do mundo...; ou ainda: Você está certo de querer ouvir a resposta?
Mas, porém, contudo, não querendo ser áspero com quem por ventura nutre um interesse sincero sobre o andamento das “coisas” no Sur de Mins – da gente de lá, comunidade Betesda, minha família, etc, eis aí uma resposta minha bem resumida:
A gente vai de dengue-em-dengue, pelas picadas da vida... a gente vai queimando de febre e também de paixão por nada em especial e por tudo, queimando de amores pelos despossuídos, descamisados, sem teto, famintos, doentes, ..."perdidos" de Deus e de si mesmos, espelhos de nós, bestializados por um sistema perverso à limites extremos, insuportáveis, uma gente que mal sabe o significado da palavra liberdade - instintivos, vegetativos por demais... a gente vai morrendo de medo e angustia, certezas e duvidas - muitas duvidas, a gente vai vivendo de fé e esperança, a gente vai torcendo pra poder acordar e aprender a ser humano, amar... a gente vai levando a bandeira a fé no Emanuel (Deus lado-a-lado) que se compadece de todos e vai por todos os caminhos do homem ou mulher... A gente vai, não
para nunca...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Refle-tido

Refle-tido
Miguel Garcia

Lavras é como uma poça de água "parada", povoada por seres “minusculos” labutando dia à dia pela sobrevivência.
Lavras é como uma "cova" natural, larga e não profunda, onde, de um ano para cá, represamos esperanças nascentes, regas de solidariedade e fraternidade.
Lavras borbulha imperceptível por demais para ser notada.
Lavras é a "depressão" que inspira uma excessiva admiração em quem contempla a si mesmo ao ser por ela refle-tido.

Sem mais pa-Lavras!