domingo, 14 de março de 2010

Morra!

Morra!
(A verdade ger-ALL-mente vem na contra mão do dis-curso igrejeiro M.G.)
Miguel Garcia


A "igreja" descarada-mente. Eu, porém, digo morra (de fato reverbero). Prove o gosto da morte como se ela estivesse presente. Só se você provar a morte com os lábios de seu corpo vivo é que poderá emocionalmente saber que você é um animal que morrerá. A transcendência (possibilidade) não virá sem a destruição da mentira vital do caráter. Sei que parece o máximo em autofrustração, a única coisa que não se deveria fazer, pois então não lhe restará verdadeiramente nada. Mas, fique tranqüilo, a direção é bastante normal... o eu deve ser rompido afim de se converter em eu, essa é a salvação por meio do auto-desespero, o morrer para nascer verdadeiramente, a passagem ao nada. Para aí chegar, geralmente cumpre passar por um ponto crítico, uma esquina a virar dentro de si próprio. Algo tem de ceder, uma dureza inata tem de quebrar a liquefazer-se.
O homem de mente desimpedia é aquele que se livra daquelas idéias fantásticas (a mentira caracterológica acerca da realidade) e fita a vida no rosto, percebe que tudo nela é problemático e sente-se "perdido". E esta é a singela verdade – viver é sentir-se perdido – aquele que aceita isso já começou a encontrar-se, a colocar-se em terreno firme. Instintivamente, como fazem os náufragos, olhará em torno à busca de algo a que se agarrar, e esse olhar trágico, implacável, absolutamente sincero, pois se trata de sua salvação, o fará pôr ordem no caos de sua vida. Estas são as únicas idéias genuínas, as dos náufragos. Tudo o mais é retórica, pose, farsa. Quem não se sente realmente "perdido" não tem escapatória; quer dizer, nunca se encontrará - nunca se deparará com sua própria realidade.

Ins-pirado em Becker, Kierkegaard, Otto Rank, Adler, Goeth, Freud e outros Bichos!

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