segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O Grande Líder

O Grande Líder
Miguel Garcia
O bando aguardava por ser dominado... 

Uma sede de servidão impulsiona seus partidários, sede esta, cada vez mais intensificada por ele, o grande líder. Se as pessoas visam servi-lo com o propósito de livrarem-se de culpa, ele procura dar-lhes uma dose a mais de culpa e medo para atrair a teia da imoralidade para junto delas. Ele consegue um domínio realmente coercitivo sobre os membros do grupo por eles seguirem-no no cometimento de atos ultrajantes. Pode então, usar a culpa contra eles, prendendo-os mais a si. Ele usa a angústia deles para seus fins, mesmo despertando-a, se precisa disso; e pode usar o temor de serem descobertos pelas vítimas que desejam vingar-se, como forma de chantagem para mantê-los dóceis e obedientes para novas atrocidades. Ele une a todos pelo crime. Une num cimento de sangue. Farta-se de "inferiores" e até mesmo de pessoas proeminentes e talentosas, embora relutantes, que teima em recrutar. A estas últimas, induz a cometerem atrocidades suplementares que as identifique indelevelmente com o que há de pior no cardápio das perversões humanas. À medida que cresce o número de vítimas, ele manipula os temores de represálias pelos que podem vingar as vítimas feitas ao longo do processo: o velho truque dos bandidos, desta vez utilizado para aglutinar num único bloco, o volumoso bando de sectários. O que supostamente começou com uma missão “heroica” acaba sustentado por intimidações e ameaças, pelo aumento de medo e culpa. Seus seguidores descobrem que têm que continuar com o plano megalomaníaco porque esse passa a ser sua única chance de sobrevivência em um mundo hostil. Eles têm de fazer o que o chefe quer, o que se torna o que eles mesmos precisam querer, a fim de sobreviver. Se o líder perde, eles também perecem; não podem desistir, nem ele os deixa fazer isso. E é assim que as coisas tomam o rumo da destruição abso-luta. Por que será que as pessoas apegam-se aos seus líderes, mesmo na derrota? Seria talvez porque sem eles, sintam-se por demais expostas a represálias - ao aniquilamento total, porque tendo sido batizadas nas chamas de seu Führer supremo, não saberiam suportar a sina de viver sozinhas?
Ele (o grande líder , projetava em seus adeptos sua própria incapacidade de ficar só (sem multidões), seu próprio temor ao isolamento. Ele gerou e manteve comunidades 'homicidas', o grande líder.

Ins-pirado na obra de Freud, Adorno, Ernest Kris, Backer, Otto Rank e outros bichos...

Vassum Crisso

2 comentários:

Martiniano disse...

Gostei, acido, fértil e, diria até, um desabafo contextualizado a sutileza das palavras sem nomenclaturas.

Para-béns!

joaosanevangelistasan disse...

Boas estas palavras se isto é contra os lunáticos.
Mais a igreja de cristo "organismo vivo" sobreviverá a mais estas coisas
E a outras que vem mais camuflada de:
Humildade, seriedade, sinceridade, etc.
Mais é bom lembrar onde houve homens como nós haverá espaço
Para oprimidos e opressores.
Quem somos nós?
A quase me esqueço dos mocinhos.