segunda-feira, 18 de julho de 2011

Os ‘homens de deus’ viajaram...

Os homens de deus viajaram...
Miguel Garcia

Foram além de uma cultura fundada no recalque dos desejos e, portanto, numa cultura da neurose. Adentraram a livre expressão, 'per-verteram-se'.  A ‘saúde’ mental dos homens de 'deus' não se origina mais numa harmonia com o Ideal, mas com o objeto de satisfação. A tarefa psíquica deles se vê enormemente atenuada e a responsabilidade desses sujeitos, apagada por uma regulação puramente orgânica. Percebe-se um notável consenso no nível do comportamento que adotaram:  inauguraram uma nova moral; uma nova forma de pensar, de julgar, de comer, de transar, de casar ou descasar, de lidar com a família, a pátria, os ideais, de viver - desfrutar.
Não há mais referencias firmes estabelecidas e inabaláveis, não é mais o caso. Os homens de deus "viajaram": autorizam-se por sua própria existência - constituem sua própria área - seguem seu próprio curso.
Tornaram-se mutantes os tais homens, mutantes de uma economia psíquica organizada pelo recalque à outra organizada pela exibição do gozo. Notemos como estão marcados pelo estado específico de uma exibição do gozo – gozo desimpedido, o que implica deveres radicalmente novos, impossibilidades, dificuldades e sofrimentos singu-lares.
Os homens de deus ‘progrediram’ considerável-mente, mas, ao mesmo tempo, como frequentemente ocorre, esse ‘progresso’ chegou portando pesadas ameaças – auto custo.
Os homens de deus consideraram e, posteriormente abraçaram a hipótese de que o céu está vazio, tanto de Deus quanto de ideologias, de promessas, de referências, de prescrições, e que os indivíduos têm que se determinar por si mesmos, singular e coletivamente.
Para as tais 'beldades' não há mais impossíveis; eis a verdadeira arte de viver da ‘fé’.
Não há mais nem autoridade, nem referências, menos ainda saber que se sustente. Estamos apenas na gestão, há apenas práticas.
Os homens de deus viajaram, estão a centenas de milhas de uma Delicadeza qualquer.
Talvez seja o caso de ouvir o conselho de Espinoza: não rir, não chorar, não detestar, fazendo de tudo para compreender...

Vassum Crisso

Um comentário:

Renan Alencar disse...

Miguel,

Por sua música (tanto melódica/harmonicamente quanto pelas letras), por seus textos aqui do blog, por sua percepção sensível da realidade que reflete no que você escreve... considero você um "gênio"!

Parabéns por seu trabalho, e que Deus continue te abençoando e usando para transformar nossos pensamentos e corações através dos seus textos!

Abraços,

Renan Alencar de Carvalho