quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Aba!Paz alguma!

Aba!Paz alguma!
Miguel Garcia


Aba! aba no templo, terreiro, na tenda, Aba na pele, pixaim, dentro do peito.

Aba! meu espírito submerso na paz, esperança para dias melhores, Aba na fenda da memória angustiante.

Abacê! culinária no coração, talento consagrado aos santos: negrinhos, irmãos de leite, crias, malungos e moleques de brinquedo, migalhas aos senhores da Casa Grande!

Serei a-penas um adorno por aqui? Aba ou guerra? E o sabor da liberdade quem provará?

Feições doces e estampa agradável garantem teto sem goteiras, mas não livram dos toques de gilete, sadismos e estupros noturnos.

Aba! aba no presente e bloqueio sentimental. Quem dera eu tivesse olhos pra chorar o negro do eito, queimado aos milhões como um carvão humano, primeiro nas fornalhas do engenho e plantações de cana, depois nas minas e nos cafezais. Lógica mortal que viaja no tempo e espaço feito tempestade ígnea - horrores onipresentes.

Aba! Brasil-Massa, não família, anti-família, mãe pobre, parideira, Aba-Dona-Edite senhora muca-mãe- minha!

Abu! e esse povo tão calado?

Aba-Paz-alguma!

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