
Miguel Garcia
Água viva!
Vida morta!
Secreções do tempo...
sangue, suor e lágrimas,
saliva e excreção do medo.
Sonho extraído,
im-plantado no fogo,
sumo de frutos amargos/doces,
sopa rala o existir.
Sensações destiladas gotejando lentas...
Vagas sob a ação do vento...
Sedução do brilho,
isca para os olhos.
A aparência cristalina,
o lustre,
o diamante do inédito,
sonho à vista!
Ebriedade de tudo,
criação azul aturdida!
Água de telhado...
Piracema marítima,
cardume de imagens arribando,
nascentes de um rio poético,
desova,
curso...
Água de barrela,
suja,
água do monte...
enxurrada extemporânea,
imprópria do seu tempo
assombro, vágado...
Água lustral
extingue tição de um desejo
Colhe da pira a renúnica de ser e amar,
Sacralidade,
água termal..
Água benta,
amarga,
doce.
Águas brancas, brutas...
Água-de-flor...
Água-má,
Espelho da Lua e os cristais...
Água-marinha,
água-mel,
ardente-água!
Marés de todos,
as chuvas,
águas-de-janeiro,
de setembro,
as águas-sós e infinitas...
as águas minhas,
águas benditas!
Odes aquosas!
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