quarta-feira, 27 de abril de 2011

Não/Vê?

Não/Vê?
Por Miguel Garcia

Não vê como é mofada a tradição religiosa, a liturgia, o ritual descolorido e remendado, ferindo o olhar sensível, não vê?
Não vê a despudorada negação nos gestos tidos por piedosos – a palavra da alma gritando por socorro?
Não vê o choro e os gemidos angustiados que permeiam missas católicas e protestantes, não vê que o pranto e a aspereza dos ruídos tem a ver com uma violenta irritação por aquilo que contraria os sofrentes cultua-dores ?
Não vê o tamanho da carga que as pessoas deitam sobre os ombros sem pro-testar?
Não vê essa constelação de fenômenos neuróticos que, centrados ao redor dos escrúpulos, tendem a acompanhar, como uma triste sombra, a vivência religiosa?
Não vê a angustia dissimulada, diante de deus (cri-a-dor de câmaras de tortura para vingar-se de seus desa-fetos), o temor do castigo-inferno, a conformação excessivamente moralizante da vida, que converte a consciência num guardião implacável, vigiando dia e noite...?
Não vê que isso tende a alimentar continuamente a raiz do escrúpulo - essa inquietação do espírito que hesita em obrar receando que o ato não seja lícito? Não vê que essa “planta” devoradora deveria, em vez, tender a murchar na libertadora presença do amor de Deus?
Não vê que até a própria espiritualidade considerada normal está infectada – contaminada por vírus que se opõem ao bem? Não vê que ser normal também é doença? Não vê o demasiado legalismo, o demasiado medo – fobia, a demasiada falta de espontaneidade e de alegria na relação com "Deus", não vê?
Não vê o sadismo na obrigação de assistir cultos, o masoquismo em cumprir obrigações; que supõe na vida a possibilidade de salvação-condenação, não vê? Não vê o fardo pesado que lhe atam ao lombo, a enfadonha série de estorvos que entorpecem e tornam nebuloso o caminhar de quem é religioso? Não vê que, se é enfermo o viver do “rebanho” é porque  deve estar comendo ração contaminada e ou bebendo águas rotas? Não vê que a preg-ação é sempre um termômetro preciso da teologia? Não vê que a turba recebe dela os temas e as pautas e nela busca a sua orient-ação?
Não vê que daí resulta um estilo tristonho e negativo que impregna totalmente a atmosfera religiosa que res-piramos, filtrando todas as nossas vivências, manchando todas as nossas atividades e marcando a maneira profunda de nossa vida. Não vê que assim estabelece, fatalmente uma espécie de círculo vicioso?
Não vê a seleção dos dados ou expressões que confirmam a atual situação? Não vê o povo cego para quaisquer outros – aqueles que poderiam trazer perspectivas novas, justas, reconfortantes e libertadoras, não vê?
Não vê a demência por trás de “doutrinas” como a predestinação, ou a da concepção jurídica da redenção, ou ainda a versão ingênua, cruel e legalista do pecado original – a “visão” da existência humana concreta como duro castigo por falta que ninguém cometeu, não vê?
Não vê isso tudo que contamina o pano de fundo da vivência espontânea e da reflexão aberta – não viciada em automatismos e ou binaridades?
Não vê a dialética do poder às custas daquela do serviço operando incessantemente?
Não vê a consciência dos fiéis sendo “educada” num ambiente de dominação, de imposição e de obrigação?
Não vê a imagem de Deus invertida que apresentaram a nós? Não vê o círculo demoníaco em que estamos metidos? Não vê sufocada a consciência inicial, viva e gloriosa da boa notícia degenerada em religião triste, desiludida e opressora, não vê?
Não vê o povão posando de ser feliz e triunfalista à sombra de um deus rival do humano – rival avassalador por sua prepotência e terrível por sua onipotência? Um deus que existindo impede que as pessoas desenvolvam suas capacidades; do-minando tudo e todos, julgando e limitando, não vê?
Não vê que o fundamentalismo religioso de ontem e de hoje teima em revelar-se: absurdo, colonialista, contra a ciência, contra a liberdade, contra o progresso, contra a responsabilidade, contra o sentido crítico, criminoso, dogmático, egoísta, enganoso, podador da personalidade, escravagista, explorador, fanático, falso, fatalista, fraco, frustrante, hipócrita, subvalorizador do homem, individualista, ineficaz, intolerante, misantrópico, ópio, obscuro, patológico, racista, reacionário, repressivo, sem abertura, supersticioso, não vê?
Não vê essa enorme “presença” opressiva “pairando”: o deus da religião obtusa e dogmática? Não vê que a eliminação do mesmo se torna necessária para que o ser humano possa crescer livre-mente e expandir-se sem impedimentos ao sol da vida e do progresso, não vê? Não vê que os mestres da suspeita ajudaram fundamentalmente o cristianismo a estar consciente de certas anomalias: Nietzche, Marx, Feuerback, Freud, Girard, entre outros? Não vê que uma espiritualidade apoiada no Amor/Divinal-libertador projetaria uma imagem muito diferente, que imporia a ela um tom diverso, não tão universal e univocamente vencido com respeito a uma avaliação insidiosa e opressiva do religioso, não vê?
Não vê que a maioria dos gurus religiosos falam, falam e não dizem nada de coisa alguma? Não vê as miragens de imaginações iludidas, não vê a magia fascinante que os tais impõem às míseras palavras que lhes escapam? Não vê que vem deles os parasitas que adoecem a boa linguagem espiritual, não vê que nem mesmo resvalam a amplitude do real, não vê? Não vê como são hábeis em excluir conceitos vitais, sem tanger linhas mestras? Não vê como falam cozendo feitiços? Não vê que o homem não pode ser leão, que um círculo não pode ser quadrado, que o finito não pode ser per-feito e que a vida não pode ser um mar de rosas, não vê? Não? Não/Vê?

Ins-pirado em Torres Queiruga - Recuperar a Salvação

Vassum Crisso!

terça-feira, 12 de abril de 2011

"Eu me AMO". O Brado da liderança “ev-angélica”.

"Eu me AMO". O brado da liderança “ev-angélica”. 
por Miguel Garcia

Sendo os artistas principais do palco igrejeiro, obrigam-se a se amar, inevitavelmente.
Talvez não seja um erro o fato dos clérigos se amarem tanto pois, sabidamente, a auto-estima sadia é uma atitude que contribui para a própria sobrevivência. E essa inclinação para a sobrevivência não é monopólio do animal-humano, trata-se de uma característica do mundo animal como um todo, uma imposição da própria biologia.
O recém nascido grita diante da fome (já ensaia comandar o mundo aos berros), quando maiorzinho pode tomar o alimento de outra criança menor para satisfazer-se e, depois de adulto, continua achando sua fome mais sofrida e mais importante que a fome dos outros.
Se há nesse mundo alguma coisa capaz de parecer mais importante que as carências e necessidades da classe clerical é, sem dúvida, a carência e necessidade de suas crias (filhos, parentes, herdeiros). Isso faz parte da luta pela vida e sobrevivência da espécie bípede-humanal da qual fazem parte.
Se amar a si mesmos for biológico, fisiológico e, portanto, inevitável, talvez o que se estranha, quem quer que estranhe alguma coisa, é o fato de negarem essa auto-paixão e a paixão a tudo que diz respeito a eles mesmos. É essa negação ou dissimulação da absoluta preferência à si mesmos em detrimento de tudo e de todos que se pode chamar de hipocrisia, talvez, "hipocrisia fisiológica clerical": projetar modéstia e, conseqüentemente falsa humildade, pode ser muito acobertador quando se sabe como .
É claro que se compadecem com a miséria alheia, com a dor de seus próximos, com o sofrimento humano em geral. Mas, algumas (não poucas) vezes esses sentimentos representam um falso altruísmo, como se projetassem neles mesmos o infortúnio alheio. Como seria se essa tragédia se abatesse sobre nós?
Pode ser desse tipo o sentimento que os motiva a dar uma moedinha para o paralítico do semáforo.
O fato de se amarem implica, como em todos os casos de amor, em inesgotável tolerância para com eles mesmos, para com sua corte de lambe botas.
O ensinamento cristão para amar o próximo como si mesmo talvez sugira, nas entrelinhas, serem tão tolerantes com o próximo como o são consigo mesmos.
Só conseguiriam compreender a fisiologia psíquica do próximo se entendessem que a natureza deste está também presente, invariavelmente na deles próprios.
A sólida crença em serem especiais fica bastante clara, tanto na saúde quanto na doença mental.
Nos mais esquizofrênicos, por exemplo, existem as conhecidas idéias de referência, através das quais se imaginam um ponto de referência do mundo: se pessoas são enviadas de Deus são eles (os "heróis", objetos de transferência, os chefes, as pessoas centrais da igreja e ou  mebros de suas famílias), se pessoas têm poderes sobrenaturais são eles também, se alguns são “vítimas” de um complô cósmico são eles e assim por diante.
Especialmente eles, os esquizofrênicos, têm poderes especiais para ouvir as vozes do além, perscrutarem pensamentos alheios, influirem no destino das pessoas, do clima, da sorte... Eles não acreditam que isso seja doença. Embora ninguém mais ouça tais vozes e todos os demais sejam considerados humildes mortais, eles, os esquizofrênicos homens e mulheres de deus, foram aquinhoados por dons muito especiais.
A ausência dos freios éticos que os impedem de reconhecer publicamente sua pretensa magnitude, que é o gigantismo de seu Ego, estaria naturalmente recolhida no inconsciente de cada um deles em condições de saúde, e estariam liberados em seu estado natural na Esquizofrenia.
O tipos mais histéricos da classe clerical, por sua vez, também se acham os mais sofridos dos humanos. Eles não podem ter dissabores sob o risco de passarem mal, suas dores são mais doídas... Quando um guru-histérico desses diz perder o controle, parece que isso acontece completamente emancipado de sua vontade e arbítrio, ou seja, uma coisa sobre a qual ele não tem a mínima influência.
Eles são especiais em suas dores, especiais em suas queixas, suas crises e suas limitações, assim como se acham especiais em seus dotes, suas habilidades, beleza e simpatia.
No simples diálogo cotidiano, tais histéricos “iluminados” normalmente só param de falar de si mesmos quando perguntam "o que os interlocutores pensam deles".
Os mais deprimidos, também costumam imaginar que são "beldades", grandes sofredores, incluindo aqueles cuja auto-estima se diz rebaixada. Ao se queixarem de inferioridade, como por exemplo não se sentirem gostados, se sentirem abandonados, sozinhos, enfim, com sentimentos que os tornam apáticos e infelizes, na realidade estão reclamando de um reconhecimento, de um amor, compreensão, carinho, solidariedade, companhia, etc, de que se julgam merecedores.
Esses um tanto mais deprimidos ressentem-se daquilo que lhes é negado ou lhes é dado aquém de suas exigências. De fato, trata-se de um falso sentimento de inferioridade.
Ao se queixarem de que a vida não tem sentido, ao invés de inferioridade os tais deprimidos patrões-da-igreja mostram o altíssimo grau de exigência para com a vida, já que é a mesma vida de seus pares não deprimidos. Eles, esses seres “tão especiais”, não se satisfazem com a simples vidinha que todos nós outros vivemos....
Evidentemente os eufóricos dispensam maiores comentários acerca de suas predileções. Basta lembrarmos da anedota segundo a qual o paciente entra no consultório do psiquiatra e vai logo dizendo: "doutor, sou o maior megalomaníaco do mundo". risos...
Parece haver nos mais histéricos (pentecos-tais, neos, ortodoxos, um misto de tudo?) uma certa satisfação dissimulada com seu próprio sofrimento. Eles sentem, não apenas a exótica constelação sintomática de seus males, os quais vivem desafiando conhecimentos da medicina mas, inclusive, quando sentem também os efeitos colaterais dos medicamentos.
São efeitos colaterais que bem poucas pessoas sentem, mas eles, tão especiais, tão sensíveis e tão vitimados (ou contemplados) pela excepcionalidade de seu ser, sentem tudo aquilo.
Vista assim, ou seja, quase fisiologicamente, a histeria (experimentalismo infatigável, intelectualismo entrincheirado, etc..) pode ser considerada uma variação quantitativa da normalidade. Isso quer dizer que, em menor ou maior grau, todos nós religiosos temos algo de histéricos.
Se falta ao – lider-histérico-religioso o medo do ridículo e a inibição social adequada, sobra-lhe sinceridade e teatralidade simultaneamente; sinceridade por reclamar, em alto e bom som, toda atenção que gostaria de receber e se acanha. Teatralidade porque faz isso de forma artística e altamente convincente.
Portanto, os histéricos-religiosos são, sobretudo, uns sinceros. Sinceridade essa, suficiente para se apresentarem ao mundo através do papel social de seres excepcionais, tão excepcionais como todos nós também acreditamos ser.
Diante da necessidade da doença e da limitação os histéricos-religiosos continuam sendo excepcionais; excepcionalmente fracos, excepcionalmente vulneráveis, excepcionalmente vitimados pelo infortúnio, excepcionalmente incompreendidos pelos demais...

Adaptado da fonte Psique Web.

Vassum Crisso!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Sobre os mais recentes assassinados no Rio se é que já não estou atrasado!

Sobre os mais recentes assassinados no Rio se é que já não estou atrasado!
Wellington Menezes de Oliveira não é propriamente aquele que além de tudo, merecia ser castigado como malfeitor, mas sim um coitado de quem é preciso ter dó. O número de vítimas diretas e indiretas dessa tragédia que ocorreu no Rio é incontável, do meu ponto de vista deve-se incluir o próprio assassino como uma delas.
Miguel Garcia

sexta-feira, 4 de março de 2011

O mal existe!

O mal existe!
Por Miguel Garcia

Fecho com C.S.Lewis a respeito de que nessa época gerencial – de administração, o maior mal não nasça em antros sórdidos “antros do crime”; nem mesmo em campos de concentração de trabalhos forçados, ou ainda nos incontáveis bolsões de trabalho escravo que vigoram impunes Brasil à fora. Segundo Lewis, nestes últimos aparece sempre o seu resultado final. Em dias atuais o mal é concebido e mandado (movido, secundado, levado a efeito e minutado) em escritórios bem iluminados, atapetados, limpos e aquecidos, por homens tranqüilos (por vezes clérigos “acima de qualquer suspeita”), "brancos" de colarinhos brancos, unhas bem aparadas e rostos barbeados e lisos, que nem precisam altear a voz.  Portanto, naturalmente, o símbolo do inferno, segundo Lewis, é algo semelhante à burocracia de um estado policial ou aos escritórios de uma empresa comercial absolutamente indecente, ou ainda, segundo eu mesmo, é algo semelhante ao que acontece à portas fechadas, não "no chão da fábrica", como seria conveniente imaginar, mas em cima, nas salas amplas e luxuosamente decoradas - nos gabinetes bispais e pastorais de muitos dos ch-amados templos evangélicos de hoje em dia, infeliz-mente.


Vassum Crisso!

quinta-feira, 3 de março de 2011

O Diabo existe!

Sede sóbrios; vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão buscando a que possa tragar”. (I Pedro 5.8)

Zoster - O vírus da varicela-zoster, assim como outros vírus do grupo herpes, permanece latente no
organismo de indivíduos infectados e o zoster é causado pela reativação dos vírus adquiridos durante a
varicela. Presumivelmente, a infecção latente ocorre na
maioria dos indivíduos infectados. O zoster
se caracteriza pelo surgimento de erupção cutânea unilateral, bastante
dolorosa.
Geralmente, o zoster atinge entre um e
três dermátomos e tem duração variável, de poucos
dias a várias semanas. Uma das principais
complicações do zoster é a neuralgia que se segue ao
exantema, com dor e queimação, aguda e persistente, dificilmente aliviada por analgésicos comuns. 


Por que não se deu em mim a tal mani-fest-ação Diabólica?... Por que em uma pessoa tão crística? Nada faz sentido! Tudo é vazio... Ab-surdo!


Vassum Crisso! 


Miguel Garcia 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Só o Messias salva!

Só o Messias salva!
(Sobre enlatados esdrúxulos)
Miguel Garcia

Observe os doutrinadores, como tendem à redução das questões que abordam. Agem movidos por pulsão natural, na pretensão ilusória de perceber/entender capturar - sorver mundos - multidões, não indivíduos.
Reduzem o real à capacidade de entendimento que possuem, ou seja, à forma como são estruturadas as mentes deles.
De acordo com Humberto Mariotti o reducionismo é como o ego: indispensável, mas questionável. Diante de um determinado fenômeno, os chefes da religião percebem e reduzem o que foi percebido à estrutura de compreensão própria de suas estruturas — ao quadrado onde vivem - ao conhecimento que possuem, portanto. Mas, como é óbvio, reduzir algo ao próprio conhecimento é o mesmo que reduzi-lo à própria ignorância. Daí a necessidade de um segundo passo — a reampliação —, que consiste em conferir o que foi percebido. E isso comparando o que foi percebido com compreensões pessoais prévias e, a seguir, cotejando-o com a compreensão dos outros, por meio do diálogo e outras formas de interação e convivência. Dessa maneira poderia ocorrer uma reampliação do que porventura houvesse sido reduzido.
O problema é que nem sempre é fácil voltar a ampliar depois da redução inicial. Tomando como exemplo os patrões da igreja: isso se dá,  porque tendem a reduzir suas compreensões às dimensões do ego, que é frágil, medroso e teme a reampliação. Temem-na porque ela os põe à prova, isto é, leva-os a confrontar as suas percepções e “entendimentos” com os dos outros. Como estão socialmente preparados para serem competitivos, os egos dos doutrinadores – ideólogos da coisa religiosa, invariavelmente vêem os outros como adversários e, portanto, sente-se sempre ameaçados por estes. Por conta disso, pensam segundo modelos predeterminados e buscam apoio em referenciais que julgam inquestionáveis (pressupostos), tornando-se uma forma de remediarem a fraqueza que lhes é tão peculiar. É um modo de porem em prática o ponto de vista empirista, onde existe uma realidade externa que é a mesma para todos. Se essa tese fosse correta, a cognição seria um fenômeno passivo. Assim sendo, todos entenderiam o mundo da mesma maneira. Nessa ordem de idéias, quem não percebesse a "verdade" universal estaria com problemas e, portanto, precisaria de ajuda para alcançar o nível de percepção dos outros. Isto é: para perceber as coisas como "todo mundo" — o que equivaleria a entender a vida e pautar a conduta segundo as normas do senso comum. Entretanto, sabe-se que percepções padronizadas levam a comportamentos estandardizados. Esse é o principal problema da redução não seguida de reampliação.
A tendência do animal humano a eliminar é mais forte do que sua necessidade de integrar. A esmagadora maioria dos patrões da igreja e doutrinadores, exemplificando, não sabe ouvir. Quando alguém lhes diz alguma coisa, em vez de escutar até o fim logo começam a comparar o que está sendo dito com idéias e referenciais que já possuem. Esse processo mental que Humberto Mariotti chama de automatismo concordo-discordo — quando levado a extremos, é muito limitante. Ouvir até o fim, sem concordar nem discordar, tornou-se extremamente difícil para muitos sádicos evangeliz-a-dores. Não sabem ficar — mesmo de modo temporário, entre o conhecido e o desconhecido — "entre a dor e o nada, preferem a dor", o que traduz um apego a esse tipo de repetição o que atesta o adoecimento de tais personalidades centrais – objetos de transferência que a turba tanto gosta.
Faça você mesmo a prova: tente dizer algo a um dos chefes da igreja e irá constatar que ele ou ela não são capazes de escutar até o fim, sem concordar nem discordar, o que seu interlocutor está dizendo. Logo às primeiras frases os pedantes já estarão pensando no que irão responder. Veja como isso é difícil (comunicar-se com tais “beldades” pre-potentes) — e, então, constatará que o automatismo concordo-discordo é uma das manifestações mais poderosas do condicionamento de suas mentes pelo pensamento linear, isto é, pelo modelo mental ou/ou, — a lógica binária do sim/não. Observe a estrutura básica dos títulos que esses “iluminados” dão aos enlatados que costumam publicar - a algumas de suas “invenções” literárias, vulgo, livros evangélicos): “isso ou aquilo, sim/não, ou/ou, certo ou errado, pode-se ou não”, etc, ou seja, pensamento Binário – Automatismo Concordo/Discordo, Pensamento automático, Cartesianismo barato e empobrecido – “conversa pra boi dormir”. Oxalá funcione ao menos como vacina diária contra a loucura do hospício (para quem gosta (masoquistas) é um prato cheio), enfim:
Você está sendo roubado(a)! Esqueça os diplomas, ouse sofrer pensamentos, pense livre – subverta - desobedeça os doutrinadores. Compre livros relevantes, baratos e “não evangélicos” se for o caso, compre lá no sebo do Messias..  “Messias”... que conveni-ente um sebo batizado com um nome desses...  

Vassum Crisso! 

domingo, 27 de fevereiro de 2011

DESOBEDEÇA aos ensinadores!


DESOBEDEÇA aos ensinadores, quer dizer, à burocracia privatizadora do conhecimento: aquela casta sacerdotal que constitui as escolas e academias. Essas instituições geraram e continuam gerando um tipo curioso de agente que proliferou na modernidade: o colecionador de diplomas, que julga as outras pessoas pela sua capacidade de se enquadrar nos processos de ensinagem em vez de avaliá-las pela sua capacidade de aprendizagem. Os diplomas são, então, um reconhecimento e uma validação do conhecimento ensinado e não do conhecimento aprendido. Tendo perdido o monopólio do conhecimento (se é que algum dia tiveram-no) as universidades tentam ainda reter em suas mãos o que lhes restou: o monopólio dos diplomas.

Há também os que – por fora dos sistemas formais de ensino - se intitulam (ou são por alguém intitulados) mestres. Alguns são ordenados para tanto, quer dizer, têm reconhecida, sempre por uma organização hierárquica, sua capacidade de reproduzir uma determinada ordem top down. E querem então imprimi-lo, emprenhá-lo, ou seja, enxertar suas idéias-implante em você, para que você se torne também um transmissor desse “vírus”.
Desobedeça a esses caras. Aprenda o que você quiser, quando quiser e do jeito que você quiser. Aprenda com seus amigos. E compartilhe o que aprendeu com quem você quiser, gerando mais conhecimento. Guarde seus conhecimentos nos seus amigos, não na cabeça dos professores; nem nas instituições que sobrevivem trancando o conhecimento e estabelecendo caminhos obrigatórios, cheios de barreiras e permissões, para dificultar-lhe o acesso; ou, ainda, nos livros submetidos à normas odiosas de copyright. Conhecimento trancado apodrece.
E não siga mestres de qualquer tipo: todos somos aprendentes. ‘Quando o “mestre” está preparado o discípulo desaparece’, quer dizer, ele não precisa mais da muleta chamada “discípulo”: pode se tornar, por si mesmo e em interação com outras pessoas, um aprendente, livre... e tão ignorante como todos nós. Mas enquanto eles estiverem pensando em conquistar discípulos, fuja dos “mestres”!


Vassum Crisso!

Humilde-mente estóica!

Humilde-mente estóica!
Miguel Garcia

Não espere muito dos patrões da igreja, sobretudo dos mais pedantes,  ricos, astutos e poderosos! 
Frustrações, mágoas e irritabilidade, são proporcionais àquilo que esperamos dos outros; quanto mais esperamos, mais sofremos. Não nutra expectativa exagerada.
Não faça o bem para ser recompensado. O maior e melhor prêmio é sentir-se bem consigo mesmo – questão de consciência tranqüila, não espere por quem não disse que viria. (‘Bata na madeira’)!
Deixe de ser vítima de si mesmo e de seu semelhante.
Diminua as chances de sofrer, aprendendo mais a respeito do funcionamento de si e do próximo. Ressentimentos e desencantos serão tão maiores quanto menos nos conhecemos e menos conhecermos a estrutura psíquica do nosso próximo e, conhecer nosso próximo só é possível na medida em que conhecemos a nós mesmos, ou seja: se quiser livrar-se de dores desnecessárias, comece a buscar auto-conhecimento.
Animais humanos são naturalmente sociais e ao mesmo tempo egocêntricos – incapazes de viver sozinhos e, por outro lado, incapazes de conceder aos seus semelhantes às mesmas regalias que acham justo conceder a si mesmos – infernais, alguém já disse, contudo, há uma instancia de esperança: é possível caminhar em direção à mudanças, metamorfoses – fazer novas e sábias escolhas, embora essa opção seja para lá de dificultosa à estrutura das pessoas...
Num primeiro momento não busque mudar o outro, invista em mudar a si mesmo. É complicado operar mudanças no outro e no ambiente que o cerca, isso quando é possível realizá-lo. “Lá fora” é selvagem, desconhecido, pedregoso, íngreme  – escorregadio: desastres são eminentes. Trabalhe em você mesmo, será mais útil, prudente e barato. Não espere muita coisa de pessoas que se imaginam donas do mundo.


Vassum Crisso!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

sábado, 12 de fevereiro de 2011

"Não me siga, siga a você mesmo"

Não me siga, siga a você mesmo!

Essa frase famosa é de Nietzsche. Ela se relaciona fortemente com o funcionamento da
autopoiese intrapessoal (reprodução e evolução do self de cada indivíduo), em conexão vital com o seu meio ambiente,. Significa que o processo autopoiético que se manifesta num determinado indivíduo não pode ser transplantado para o espaço interno de outro. Se você segue os outros em vez de ser você mesmo, perderá rapidamente a sua centelha e deixará de refletir a luz de sua individualidade. Sem esta, não há auto-atenção,
crescimento pessoal nem progresso na vida.
Seguir outra pessoa (seja mentalmente, emocionalmente ou espiritualmente) significa copiar, imitar ou identificar-se com o mecanismo de autopoiese intrapessoal do outro e esquecer o seu self real. Essa circunstância pode resultar em conflitos fatais entre o self e a mente (confusão de pensamentos), entre o self e o coração (confusão de sentimentos) e entre o self e o espírito (confusão na busca da identidade). A autopoiese intrapessoal precisa de liberdade para funcionar. A partir do momento em que nos rendemos a algum outro self, nossa liberdade é perdida e nos tornamos incapazes de auto-expressão. A falta de liberdade torna a auto-percepção impossível e resulta na perda de oportunidades individuais para o autoconhecimento, auto-realização e crescimento. 

Fonte: Vladimir Dimitrov e Robert Ebsary


DESOBEDEÇA aos codificadores de doutrinas, que são todos aqueles que querem pavimentar, com as suas crenças religiosas (e sempre o são, mesmo quando se declaram laicas), uma estrada para o futuro. Eles produzem narrativas ideológicas totalizantes para que você veja o mundo a partir da sua ótica, quer dizer, para que você não veja os múltiplos mundos existentes, mas apenas um mundo (o mundo arquitetado e administrado por eles: uma prisão para a sua imaginação)...


Vassum Crisso!


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

domingo, 2 de janeiro de 2011

"Im-perfeito"

"Im-perfeito"
Miguel Garcia

Tão abertamente expostos que eu poderia segurá-los com a mão;
Tão obscuros - soturnos - contínuos; regressando intermitentemente;
"Inimigos" camuflados que atacam nas ocasiões mais oportunas, 
contra os quais não se pode estar tão preparado como na guerra nem tão seguro como na paz:
 meus ví-cios.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Eis a fonte de entusiasmos

Eis a fonte de entusiasmos
Por Miguel Garcia

Eis aí vosso mestre, vosso patrão, vosso guia – führer - aquilo que nossas democracias e nossas organizações políticas não oferecem à demanda popular, eis o que não podem propor: alguém que permite a você não mais se confrontar com a dúvida, com a escolha, com a responsabilidade, alguém que alivia você do fardo existencial. Você tem apenas que segui-lo, obedecê-lo. Findado o livre arbítrio você tem que se referir inteiramente e plenamente aos mandamentos prescritos. Eis a “brincadeira” de percorrer programas propostos por gurus evangeliz-à-dores. Eis os e-ventos doutrinadores. Eis o caráter imperioso, imperativo, obrigatório, sem falha possível do que é, no cerne dos agrupamentos fundamentalistas. Eis aí também uma multidão de evadidos a-brigando um sentimento de terem sido confrontados com um sistema do tipo totalitário. Eis a oferta de imagens tão sedutoras quanto seja possível imaginar. Eis as organizações não fundamentadas em crenças ou em fé, mas que apelam a uma dimensão psíquica bem difer-ente: a da convicção, que é algo absolutamente contrária à crença. A crença supõe um engajamento num ato de fé, ao passo que nos domínios das seitas se trata de certeza. A questão nessa última não é a aposta de que cada um está antecipadamente garantido de que seu ganho, levando em conta sua aposta, será máximo, per-feito. Promete-se um gordo ganho em todas as jogadas! Uma tal organização não é identificável a uma religião. Religiões, como as oriundas do monoteísmo são organizadas em torno de uma figura paterna/maternal, já que o Deus re-vela-se misericordioso (ama com as entranhas), tal sistema já de inicio subtrai pecados por ver a “multiplicação” como coisa do demônio, de cara reconhece uma divisão na pessoa, uma imper-feição. É, então uma religião de amor que acolhe essa imper-feição. Numa seita, geralmente esse não é o caso. As seitas optam pela “religião” PLUS, ou seja, há um bônus que faz toda diferença.  Eis aí o fundador da seita eminentemente encarnado  e presente na realidade. Eis a vida do rebanho humano “funcionando” através do que são o saber e a autoridade deste último. Eis aí o mestre, o sol de um sistema e você, absorto, pairando na órbita letal, sentindo-se abençoado e pleno de entusiasmo ao pertencer. Eis tudo.

Referencias: Charles Melman - O Homem sem gravidade

Vassum Crisso

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Pelos que vão morrer

PELOS QUE VÃO MORRER

“Ó Tu, Senhor da Eternidade, nós que estamos condenados a morrer elevamos nossas almas a Ti à procura de forças, porque a Morte passou por nós na multidão dos homens e nos tocou, e sabemos que em alguma curva do nosso caminho ela estará nos esperando para nos pegar pela mão e nos levar... não sabemos para onde. Nós te louvamos porque, para nós, ela não é mais uma inimiga, e sim um grande anjo teu, nosso amigo, o único a poder abrir, para alguns de nós, a prisão da dor e do sofrimento e nos levar para os espaços imensos de uma vida nova. Mas nós somos como crianças, com medo do escuro e do desconhecido, e tememos deixar esta vida que é tão boa, e os nossos amados, que nos são tão queridos. Dá-nos a graça de ter um coração valente para que possamos caminhar por esta estrada com a cabeça levantada e com um sorriso no rosto. Que possamos trabalhar alegremente até o fim, e amar os nossos queridos com ternura ainda maior, porque os dias do amor são curtos. Sobre ti lançamos a carga mais pesada que paralisa nossa alma: o medo que temos de deixar aqueles que amamos, os quais teremos de deixar desabrigados num mundo egoísta.  Nós confiamos em ti porque durante toda a nossa vida foste o nosso apoio.
Ó tu, pai dos órfãos, protege os nossos pequeninos. E, antes de partirmos, pedimos-te que chegue logo o dia no qual os que estão morrendo morrerão sem medo, porque os fracos já não mais serão as vítimas dos fortes, e a grande família que é a nação a todo abraçará com sua força e o seu cuidado.
Nós te agradecemos porque experimentamos o gosto bom da vida. 
Somos-te gratos por cada hora de nossas vidas, por tudo o que nos coube das alegrias e lutas dos nossos irmãos, pela sabedoria que ganhamos e será sempre nossa.
Se tivermos de partir logo, sabemos que inda assim foi através de ti que vivemos e a nossa vida continuará a fluir através da raça humana. Pela tua graça nós também ajudamos a moldar o futuro e a trazer dias melhores.
Se nos sentirmos abatidos com a solidão, sustenta-nos com a tua companhia. Quando todas as vozes do amor ficarem distantes e se forem, teus braços eternos ainda estarão conosco. 
Tu és o pai do nosso espírito. De ti viemos e para ti iremos. 
Regosijamo-nos porque, nas horas das nossas visões mais puras, quando o pulsar da eternidade é sentido forte dentro de nós, sabemos que nenhuma agonia da mortalidade poderá atingir a nossa alma inconquistável e, para aqueles que em ti habitam, a morte é apenas a passagem para a vida eterna. Nas tuas mãos entregamos o nosso espírito.”
(Walter Rauschenbusch, Orações por um mundo melhor, PAULUS )

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

Sobre o Narcisismo “evangeliz”-à-dor

Aspectos desprezíveis:
Miguel Garcia

O evangeliz-à-dor reprisa a tragédia do mito grego de Narciso, estando desesperançadamente absorto em si mesmo. Quando ocorre de considerar outrem, em geral o faz priorizando a si mesmo. Praticamente toda gente pode ser posta de lado, exceto o "filho do céu", sempre preparado para recriar o mundo inteiro a partir si, mesmo se estivesse só no planeta.
Embora seja acossado pelo medo, nem sempre sabendo como poderia operar tal proeza (de agir como se fosse causa de si mesmo), contudo, lá no fundo está seu recurso essencial: poderia bastar-se a si mesmo se fosse o caso, desde que tão somente pudesse confiar em si e, se porventura não sentisse essa confiança emocional, mesmo assim, lutaria para viver com todas as “suas forças”, não importando quantos morressem ao seu redor.
Um organismo “evangeliz”-à-dor sempre estará pronto para inundar o mundo inteiro solitari-a-mente, malgrado sua cabeça se esquive a pensar nisso.
O narcisismo é a força motriz de gente assim, a tal ponto que é possível assistir um narciso evangeliz-ador em marcha contra “ameaças” de todo tipo, expondo-se à queima roupa: no fundo, um sujeito com esse perfil não acredita que possa sucumbir – ser sugado facilmente, pois um espesso escudo caracterológico o mantém protegido do real, levando-o a sentir pena dos que porventura perecem ao seu lado. Em seus mais íntimos recessos orgânicos e físico-químicos, um desvanecido de si próprio não conhece a morte nem o tempo, sente-se im-o-rt-All.
Um evangeliz-à-dor parece não ser capaz de evitar o egoísmo derivado de sua natureza animal. Parece haver incontáveis eras de evolução por trás desse comportamento – toda uma programação evolutiva o determinando de alguma maneira; o bicho teve de proteger sua integridade e identidade físico-química - preservá-la pra sobreviver. Nem mesmo um órgão transplantado, com potencial de salvar a vida organismica é poupado pela rejeição. Nas palavras de Becker:

“O protoplasma propriamente dito se abriga a si mesmo, nutre-se contra o mundo, contra violações de sua integridade. Parece gostar de suas próprias pulsões, expandindo-se mundo a fora e engolindo pedaços deste.” Becker

Outra excelente comparação feita pelo gênio de Becker é a de que se se tomasse um organismo cego e surdo e se incutisse nele autoconsciência e um nome, fazendo-o destacar-se da natureza e saber-se conscientemente ímpar, então teríamos aí o narcisismo, ao que acrescento: então teríamos aí o Narcisismo “evangeliz”-à-dor, que é quando no homem, a identidade físico-química e o senso de poder e atividade tornam-se consci-ENTES.

“Exagerado! Jogado aos seus pés...”

Vassum Crisso!

Sonhos de Um Palhaço

Vejam só
Que história boba
Eu tenho pra contar
Quem é que vai querer
Me acreditar
Eu sou palhaço sem querer...

Vejam só
Que coisa incrível
O meu coração
Todo pintado e nesta solidão
Espero a hora de sonhar...

Ah, o mundo sempre foi
Um circo sem igual
Onde todos representam
Bem ou mal
Onde a farsa de um palhaço
É natural...

Ah, no palco da ilusão
Pintei meu coração
E entreguei amor 
e sonhos sem saber
Que o palhaço
Pinta o rosto pra viver...

Vejam só e há quem diga
Que o palhaço é
No grande circo apenas o ladrão
Do coração de uma mulher...

Ah, o mundo sempre foi
Um circo sem igual
Onde todos, todos
Representam bem ou mal
Onde a farsa de um palhaço
É natural...

Ah, no palco da ilusão
Pintei meu coração
E entreguei amor e sonho
Sem saber
Que o palhaço pinta o rosto
Pra viver...  

Sonhos de Um PalhaçoAntônio Marcos/Sérgio Sá

Vassum Crisso