sábado, 25 de abril de 2020

A igreja sem ramagens luxuriantes



A igreja sem ramagens luxuriantes 

A igreja se coloca como sustentáculo da violência, na medida em que mistifica ideias e praticas tirânicas através de sermões pseudo evangelizadores e sacraliza perversões, com rituais supersticiosos e idolátricos. 

Estendo esta crítica essencialmente Tolstoiniana e Kierkegariniana, não apenas a esta ou àquela igreja concreta, mas à ideia mesma de instituição que se presta a atuar como refugio para os tímidos e os complacentes; igrejas com ministros que buscam a placidez e posições sociais influentes na sociedade, ao invés da salvação que só nos alcança pela conversão dos maus desejos e pelo sofrimento que se instaura quando vivemos em função de amar; ministros e falsos buscadores que se negam a crer numa igreja militante pela causa dos órfãos e das viúvas. 

Vemos os ensinamentos de Cristo diluídos e degradados a tal ponto que a igreja aboliu praticamente o cristianismo em nome de Cristo. 

Por que já não vemos contradição entre o caráter do cristianismo como luta e a essência de um Estado comprometido com o predomínio político e econômico do capital, em detrimento do humano? Óbvio: Por que o Estado paga seus funcionários – os ministros do culto – para que destruam o cristianismo. 

Dizem os falsos bispos e pastores que não se pode viver do nada. Todavia eles vivem assim. Para estes, o cristianismo não existe e, todavia, vivem dele... Só se pode ser cristão na oposição. 

Se dermos ouvidos ao profetismo de caras como Tolstoi e Kierkegaard iremos acabar convencidos de que não somos cristãos e talvez eles nos façam ver com clareza que não desejamos chegar a ser cristãos. 

Quem quer se envolver num amar que é um "deserto e seus temores", ciente de que "quem vai na cela dessas dores não sabe voltar"? 

Vassum Crisso. Miguel Garcia 





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segunda-feira, 16 de março de 2020

Desumanidade na Bíblia?


Desumanidade na Bíblia?


“Ninguém pensa na crueldade da Bíblia” – na violência...
Nós usamos fantoches e livros de colorir para contar às crianças as histórias mais desumanas e, dizemos que a lição moral é que devemos amar uns aos outros. Muita gente diria que isso é um paradoxo. 
Não sei se alguém que viveu esse tipo de violência entende o que é o amor.
Sansão amarrou trezentas raposas pelas caldas e ateou fogo nelas; matou mil homens com a queixada de um jumento: mil homens... Ele derrubou um templo depois que lhe furaram os olhos; ainda assim, Sansão foi um homem de sorte: ele não precisou ver o monstro em que havia se transformado.
Quem vive imerso nas trevas acaba ficando cego. (Diálogo extraído de um filme que vi meses atrás).
Contudo, penso que as aberr-ações protagonizadas por “evangélicos” versão classe média com algum capital cultural, “pentecostais e neopentecostais” (‘classe média e ralé semi-alfabetizada'), tenham mais a ver com mal-entendidos (incapacidade de bem interpretar o livro mitológico) e indolência, do que com maldade e duplicidade. 
Algumas histórias bíblicas são esplêndidas para ensinar como não devemos ser e o que jamais deveríamos imitar. Vassum Crisso - MG

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Intuições; crítica religiosa; abraçamento da fé e mergulho em humanidade.


Intuições; crítica religiosa; abraçamento da fé e mergulho em humanidade.

O Deus de Jesus não tem prazer no sofrimento da criatura e a pedagogia divina revelada por Jesus sempre se baseia num amor convidativo, que de nada necessita, se dá unicamente por querer se dar, não pedindo nada em troca.

Quanto ao dogma assombroso do “pecado original”, consideremos que a humanidade é dotada de um desejo infinito que não encontra satisfação nas criaturas e itens de consumo; revolta-se contra tal situação, e, apesar de tudo, procura nos bens visíveis que a cerca uma eventual saciedade. O infinito desejo humano se desvia para os seres finitos, incapazes de saciar tais anseios e, daí, o paradoxo de que nossa condição original é: necessidade de salvação sem ter a ver com “pecado original”, satisfação divina, sacrifício expiatório e coisas semelhantes.

O Deus de Jesus é diferente daquele que os judeus imaginavam no Antigo Testamento. Faz-se necessária interpretação dos textos bíblicos e a distinção entre religião e fé.
Religião significa expiar, merecer, adquirir o favor de Deus se o suplicante for capaz - Jesus, porém, veio ensinar a fé, que se volta para o Deus-amor-relação-família, comunhão-apoio-e-sustento-íntimo.

Na lógica da religião Deus não só reivindica uma nova vítima, mas reivindica a vítima mais preciosa e a mais cara - seu próprio filho. Essa premissa contribui, mais do que qualquer outra coisa, para desacreditar a fé cristã aos olhos dos homens e mulheres de boa vontade no mundo moderno.

O Deus de Jesus é gratuidade na qual a humanidade pode repousar (“...e encontrareis descanso”...). A morte de Jesus não foi ato expiatório, mas sim, ação da perversidade religiosa, incomodada pelas constantes denúncias que o inconformismo crístico realizava em favor dos marginalizados.

Quanto mais humana tanto mais “divina” qualquer pessoa se torna, duvida?

“É assim que vocês poderão saber se, de fato, o espírito é de Deus: quem afirma que Jesus Cristo veio como um ser humano tem o Espírito que vem de Deus”. 1 João 4:2

Vassum Crisso - MG

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Bom dia, tarde e noite, fantasias!

Bom dia, tarde e noite, fantasias!
(O amor que importa será sempre à primeira vista!)

Nossa "relação" se dá com as idealizações que projetamos nas pessoas que nos cercam, o que curiosamente, impossibilita o acesso a elas. Não somos aquilo que nossa imaginação constrói, "somos quem somos" e, essa essência sobre nossa mais pura identidade, tende a ser perturbadora, uma vez que ainda não somos algo acabado, mas sim, um vir a ser constante, daí, nos afastamos desse entendimento mais essencial e abraçamos o que as ilusões auto-protetoras vão "revelando".
Não somos o que pensamos ser, tampouco quem os outros imaginam que somos (nossa percepção é fabricada, a verdade é mentira, cultura é invenção/convenção e tudo é fugidio e mutável em ordens imaginadas num mundo simbólico). Somos algo em construção constante – algo que nos escapa o tempo todo: nem somos ainda – viremos a ser? Quem não sabe o que é, existe?
Somos esse algo "in-existente" que odeia o próprio reflexo no espelho, o que não se dá por acaso, posto que espelhos fazem pacto com a mais pura verdade.
Nos afastamos das relações interpessoais estrategicamente, como forma de evitar desgastes inevitáveis e rompimentos traumáticos: fugimos do que mais desejamos.
Felizes os que constroem castelos no ar. Reparei que o material de construção ao qual tive acesso estava sujeito à lei da gravidade.
Quanto mais o real se aproxima da fantasia, e, quanto mais a fantasia do real, maior a sensação de "bem estar" e "felicidade". Fantasias mais distantes de elementos concretos naufragam em frustração; devaneios ancorados num mais de concretude resistem melhor às tempestades da vida. Há viajantes e construtores mais sortudos que outros.
Nossa "relação" é sempre com a fantasia de um outro, jamais com esse outro propriamente dito. Minha "relação" é com aquilo que invento ou que preciso da ou na imagem e conteúdos da outra pessoa e, não com o que ela é de fato, é capaz de ser e entregar. O outro nos serve como tela vazia onde depositamos projeções o tempo todo (o que "amo" quando e enquanto amo fulano, ciclano ou beltrano?).
Como assim "conhecer" os outros para que a "relação" se dê, se, tampouco nos conhecemos - se tampouco sabemos quem somos? Penso que melhor seria amar à primeira vista, o que se daria sem exigências e egoísmos complexos, lembrando que quando começam as exigências termina o amor e, que "conhecer" - "ter alguém mais aconchegado" (se é que é possível), instaura inevitável decepção, seguida de pavor, seguida de afastamento, seguida de vazio e novamente "solidão". Vassum Crisso - MG

sábado, 29 de junho de 2019

Por que as pessoas bebem?

"Ninguém bebe pelo sabor das bebidas", 'ninguém bebe para meramente alegrar-se, tampouco para zombar da fé - não, é só para esquecer (perder-se) de si (da consciência da vida e da morte) que uma pessoa deseja se embriagar, só por isso'. (Omar Khayyam, etc...)

sábado, 18 de maio de 2019

In-tuindo um pouco mais...


In-tuindo um pouco mais...

O Deus de Jesus é Abbá, paizinho e mãezinha de ternura infinita e de perdão incondicional; um Deus que se preocupa com o ser humano e com o nosso bem e não com sua glória (Queiruga); um Deus absolutamente empenhado na máxima realização e bem-estar da humanidade inteira: paizinho e mãezinha aconchegado com a gente e que nos ama porque sim. Vassum Crisso - Miguel Garcia

Quando desejar não é o bastante…

Quando desejar não é o bastante…
É preciso forçar as coisas e, por um ato de vontade, arrastar a inteligência para fora de sua casa” Bergson
Quero a intuição e não mera inteligência: ando farto de inutilidades. 
Quero as coisas que nascem a partir da própria ação criativa, que abrem portais do futuro e lançam a vida em movimento: quero o Elã Vital.

Não quero seu “bom dia”, quero parceria e cumplicidade hoje aqui. 
Não quero esse pago de energia mística, forças ocultas, magias (“a paz do senhor irmão”, que as bênçãos do pai, blá, blá, blá...): quem disse que o Amor pode, sabe e se interessa por amaldiçoar e infernizar a criação? (Considere os pressupostos por trás do que você diz). 
Não quero saber de duendes, fadas (fora de contextos mitológicos), não quero saber de influência dos signos, coberturas apostólicas, espíritos assombrosos e, nada que não seja imanente como o Deus de Jesus comigo e com a humanidade inteira. Não quero saber de vitalismo esotérico, tampouco de verborreias pseudo abençoadoras do tipo: “Que Deus lhe abençoe, guarde e proteja”: e o Deus de Jesus lá teria interesse e vontade de infernizar e amaldiçoar pessoas? Explicações baratas e imprecisas sobre o problema do mal e sofrimento humano já não me me bastam hoje em dia. Não me venham com conclusões apressadas, obscuras e enigmáticas sobre temas tão urgentes e imprescindíveis. Recortemos conceitos que deem conta de nossa realidade, queridos.

Que tal libertarmos o desejo de criação que mora em nós - a capacidade interna de nos diferenciarmos e, assim, tomarmos as rédeas da situação? Lembrem-se que Emanuel significa Deus como apoio e sustento íntimo do humano - jamais como interventor fabuloso e mágico – jamais como um gênio da lâmpada.
Que tal um mergulho no mundo determinista, inserindo nele o máximo possível de indeterminação? Que tal uma entrega ao mundo finalista mas para inserir nele o máximo possível de outros caminhos? Que tal aprender a fazer bom uso da vontade e liberdade possíveis? A vida pode vir a ser fonte pulsante de geração contínua e um potente modo de agir sobre a matéria bruta na força de um Elã vital! Vassum Crisso – Miguel Garcia

quinta-feira, 16 de maio de 2019

O Deus de Jesus não é Júpiter.

O Deus de Jesus não é Júpiter.
Cesse de difamá-lo o sincretismo religioso (evangélico e outros).
Cessem de introjetar na Causa Primordial do Universo o que há de pior em vós mesmos: vontade de poder, afã de domínio, espírito de castigo e de vingança. 
Vossa psicologia sincrética projeta em Deus terrores e ressentimentos constantes, deformando a face divina no espelho de angústias, obscurecendo o divinal proposito com instintos de mágoa e desforra. 
O Deus de Jesus não é Júpiter! Arrependam-se, ou louvem a Zeus - Vassum Crisso - MG

sexta-feira, 29 de março de 2019

Contro-verso!


                                     
Contro-verso!

A banana comeu o macaco,
o menino mordeu o cachorro
e o crente elegeu Belzebu. Miguel Garcia

quinta-feira, 28 de março de 2019

Sobre valores de desvalores - forma e conteúdo das coisas e pessoas.

Sobre valores de desvalores - forma e conteúdo das coisas e pessoas.
Deus Mané ninguém quer! A turba exige um ídolo onipotente e distante, enquanto que Emanuel quer dizer: o Deus de Jesus apoiando e sustentando intimamente a totalidade da existência humanal, como seus medos, angústias, bem-aventuranças e sofrimentos. Miguel Garcia
Temos imensa dificuldade de lidar com quem somos, de onde viemos e o que estamos fazendo aqui (terror de morte), daí, tendemos a nos alienar/separar das realidades do mundo natural. Nesse processo/fuga, nos esquecemos de nossa essência/subjeti-vida-de/do Ser. Essa alienação faz com que nos percamos nas coisas (ou utensílios/objetos). Essa condição nos leva a valorizar em excesso os objetos (o ter) e, a desvalorizar a nós mesmos e, por extensão, a negar a humanidade de nossos semelhantes. Em outros termos, passamos a nos ver como bens de comércio. Nessa mesma linha, até a necessidade de transcendência é desvirtuada. 
Falamos na busca de valores espirituais que possam orientar e justificar a existência humana, contudo, vivemos em sociedades em que as pessoas são vistas como coisas (meios de produção), mesmo em confrarias e comunidades "religiosas". Ao nos comportarmos assim, negamos a transcendentalidade de nossos semelhantes e, dissolvemos os fundamentos do humano e da verdadeira espiritualidade, consequentemente. Negamos a legitimidade e transcendentalidade alheia e, somos negados sucessivamente, numa espiral infinita. 
Mas o que será que está por trás da nossa voraz tendência a negação dos outros como legítimos eles mesmos em transcendentalidade e convivência?
É que quanto mais ausente um objeto de desejo, mais o "amamos" - mais sentimos a falta dele - maior a sensação de vida pulsando: amamos a ausência de tudo e, não a posse, propriamente dita. A respeito disso disse acertadamente o Emílio Romero que: não é fácil gostar de seres de carne e ossos, simples mortais, limitados, contraditórios, oscilantes, como todos nós. É mais fácil admirar ídolos distantes, talvez protetores por sua "majestade inalcançável"... 
É por conta de nossas miopias e patologias que tantos e tantos gurus estão fazendo sucesso. Vassum Crisso - Miguel Garcia

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Já que não durmo a algum tempo...

Já que não durmo a algum tempo...
Já que as dádivas de Hipnos não me têm alcançado, já que a tranquilidade, a paz e silêncio não visitam minhas moradas a algum tempo, nem rio de esquecimento algum, ou murmúrio de águas límpidas que ajudam os homens a adormecer - nem bela cama, cercada por cortinas pretas, onde feito uma divindade grega eu possa sucumbir ao cansaço, sem que alguma angústia ou incômodo corporal me devolva ao cerne de tudo...
Há muito não me vejo trajando peças douradas, ou tons prateados. Há muito não sou surpreendido pelo jovem nu dotado de asas, tocando flauta e acenando para mim do espelho. Nada de um eu adormecido em leito de penas com cortinas negras à volta, nada de chifres contendo ópio, um talo de papoula, um ramo gotejando água do rio Lete ("Esquecimento"), nada de tocha invertida, repouso ou me perder de mim, nada. É aí que cesso de fugir e sigo ao encontro de Heidegger, Montaigne, Spinoza, Freud, Nietzsche, André Comte-Sponville e outras grandes almas... Vassum Crisso! Miguel Garcia

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Diga como é seu Deus, eu digo em quem você vota.

Diga como é seu Deus, eu digo em quem você vota.
Se seu Deus é um Pai proibitivo, que cria tudo e oferece imensa quantidade de possibilidades à disposição do desejo humano para depois proibir; o todo-poderoso vigilante como juiz castigador, invocado para justificar guerras e negação da legitimidade humana e liberdade religiosa,
Se seu Deus é aquele que não cessa de exigir sofrimentos para expiar maus-entendidos e indolência humana, mais do que duplicidade e maldade, propriamente ditas, vulgo: “nossos erros”,
Se seu Deus é aquele que, para auto-satisfazer-se, vitimou um justo e inocente (o próprio filho), o que se desdobrou na perdurada expiação ritual da celebração eucarística e numa “vida cristã” se desenrolando sob o signo de uma dívida jamais extinta,
Se seu Deus é implacável e perigoso, cuja força religiosa se une à política para manter seu intento,
Se seu Deus inspira e mantém a religião do medo, vivida no âmbito da utilidade (pagou levou), o que na prática funciona com base num contrato de troca subentendida por uma crença no valor mágico dos ritos - rito por rito, sacerdote como um ser sagrado ou mágico,
Se seu Deus é um meio para um determinado fim e, se Jesus é visto pela ótica da dor e não pela da instauração da justiça, da misericórdia e da solidariedade entre as pessoas,
Se de seu ponto de “vista”, o sofrimento do Cristo na cruz serve para justificar o sofrimento imposto, a submissão às autoridades, a legitimação dos sacrifícios humanos e, no caso de desobediência, protesto ou rebeldia, a culpabilização (das vítimas, no caso),
Se seu Deus é um ser que você deve agradar para que não seja terrível ou lhe abandone, um ser poderoso que ajeita sua vida, desde de que você seja capaz e merecedor de receber auxílio por conta se suas atitudes “moralistas e perfeccionistas”,
Se seu Deus é seu eu idealizado, um refúgio narcisista, um subterfúgio para não colidir com a “realidade”, se seu Deus é um tipo de reação diante da natureza, da relação difícil com a natureza (catástrofes, doenças, envelhecimento e morte), com os outros, com causas constantes de frustrações, com a sociedade na luta entre liberdade e prazer e os grandes sofrimentos psíquicos, se seu culto é a esse Pai providente e mais poderoso do que nossos pais da infância, se sua busca é por segurança e proteção diante dos terrores da natureza para contrabalançar as dores e privações, fatalidade do destino e da morte com o “futuro paraíso do além”,
Se você ainda não conseguiu vivenciar uma espiritualidade adulta por meio da fé, se sua relação com a divindade acontece entre um filho com um Pai que sabe e pode tudo, um complemento de suas carências e necessidades, verdadeiro obstáculo ao crescimento ao encontro autêntico com o Deus de Jesus,
Se seu Deus é seu eu onipotente e narcísico, que devora a divindade e suprime a alteridade - Deus deglutido e confundido com o eu fanático,
Se você confunde a divindade com seus próprios desejos e a imagina indo e vindo em sua direção a fim de lhe dar ânimo, para guiar seus passos e iluminar nas situações difíceis, perplexas e desalentadoras,
Se seu Deus é um mago da onipotência infantil (Gênio da lâmpada) de quem você pretende arrancar favores à força de rogos, súplicas e promessas, se seu Deus é implacável e perigoso (misógino, racista, homofônico e machista), cuja potência religiosa se une à política para manter intentos soberanos, acho cabível crer que seu voto seja do Bolsonaro.
Vassum Crisso - MG - Referências: P. R, Gomes, Queiruga, Moltmann, Sobrino

segunda-feira, 26 de março de 2018

GREG NEWS com Gregório Duvivier | A VERDADE SOBRE DIREITOS HUMANOS

Vida e-Terna



Vida e-terna é quando se vive no poder do amor, do serviço, do sacrifício e da verdade. O que é o algoz frente ao imortal? MG - Vassum Crisso

Cala-te!

Cala-te!
Se a noite cai e não te acalma,
Se as últimas luzes desaparecem no horizonte sem levar tuas preocupações,
Se o silêncio te mortifica; soterra e repousa sobre teus segredos, cala-te. 
Não penses mais, espera. 
Recusa a escolha entre uma palavra sábia e uma palavra louca. 
Espera que a razão retorne. 
Espera que o bom senso reorganize os fatos: cala-te. Vassum Crisso

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Seita ou religião? Sectário ou religioso? Entenda como distinguir!
Uma seita é esse algo que nossas democracias e nossas organizações políticas não podem mais propor, mas do que conservam a nostalgia: um mestre. O “buscador na seita está ávido por um mestre, um guru mistagogo e ou psicológico, um senhor/patrão, guia - seu Führer, em alemão. O adepto da seita procura alguém com o poder de livrá-lo da dúvida, da escolha, responsabilidade - que o alivie da existência - de ter de ocupar o lugar do adulto. O adepto sectário tem apenas que seguir o doutrinador e obedecê-lo. Terminado o livre arbítrio ele tem apenas que se referir inteiramente e plenamente aos mandamentos prescritores. O seguidor da seita deve, tão somente, percorrer os diferentes programas propostos: visitar grandes e suntuosos templos, mergulhar em rituais, cerimoniais e tradições. Feito isto, sentir-se-á imerso no caráter imperioso, imperativo, obrigatório, sem falha possível do que é, absorto na trama fundamentalista que lhe servirá como vacina contra o enlouquecimento do hospício - como tantas outras formas de negação do inevitável da condição animal humana. 

Sintetizando: seita é uma organização não fundada em na crença ou em fé. Seitas apelam a uma dimensão psíquica, a da convicção, que é algo totalmente diferente da crença. A crença supõe um engajamento num ato de fé, ao passo que na seita se trata de certeza. Na seita a pessoa está ali antecipadamente garantida de seu ganho, levando em conta sua aposta, será máximo, perfeito. Promete-se um gordo ganho em todas as jogadas. Uma seita é algo de modo algum identificável a uma verdadeira religião. O Charles Melman explica essa gritante diferença em seita e religião de um modo incrível:

”As religiões oriundas do monoteísmo são organizadas em torno de uma figura paterna que, de cara, concede a remissão dos pecados, de cara sabe que você está em infração com a Lei, de cara reconhece em você essa divisão, esse lado imperfeito próprio a todo crente, a todo fiel, inclusive àquele que se acreditava o mais puro: É então, evidentemente, uma religião de amor que acolhe essa imperfeição. Na seita, geralmente, não é esse o caso. As seitas realizam a religião “Plus”, poderíamos dizer, há um bônus que faz toda a diferença”.
Diz o Melman que outro traço que distingue as organizações sectárias das organizações religiosas, em geral, é que o fundador de uma seita é eminentemente encarnado, eminentemente presente no campo da realidade. A vida do grupo funciona através do que são o saber e a autoridade dele, o que segundo Melman, retoma uma distinção muito sutil feita por Lacan a propósito dos mecanismos da psicose, crê-se nesse fundador. Não é que se creia ali, crê-se nele como tal. Vassum Crisso - MG

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

In-tuição

In-tuição

Ardia com chama intensa. Qual Nêmesis, deflagrava vingança ao exibir linhas corporais torturantes e um cegante raio de sol no sorriso. Já não reprimia o complexo de castração. Vassum Crisso - MG

Face é caixa de Pandora!

Face é caixa de Pandora!
Aberto, deixa escapar malefícios e sortilégios que se instalam nas almas humanas. Remexido, tende a revelar uma "esperança": nenhuma soma de invejas, despeitos, vinganças, obsessões e vícios pode nos fazer inteiramente desgraçados. MG

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Se Deus fosse "religioso fundamentalista"...



Se Deus fosse "religioso fundamentalista"...
Certamente Seu "amar" não seria condição básica e cotidiana, o que define uma rela-ação amorosa propriamente dita, talvez fosse mais como um fenômeno eventual - coisa rara e restrita e eu prefiro amor presente (Emanuel) - a primeira vista - amor arroz de festa. Se Deus fosse "religioso fundamentalista", a sublime essência não seria necessariamente semelhante nem aproximada da aceitação incondicional do outro, haveriam exigências, expectativas e recompensas proporcionais. Se a Causa Primordi-All do universo fosse "religiosa fundamentalista" não veria Graça em ocupar-se do bem estar da criatura e do meio ambiente, seria mais como um oráculo impessoal que oferece instruções de como e quais tarefas realizar, e não de como respeitar espaços e legitimidades, culminando na plenitude dos seres. Se Deus fosse religioso fundamentalista é óbvio que eu seria um ateu, mas não para mer-a-mente afrontar ou blasfemar do "todo-poderoso ente sagrado", mas porque crer seria triste, e descrer mais bonito. Vassum Crisso - MG

"Peno", logo, existo.

"Peno", logo, existo.
É "fácil" ter um nome, uma aparência, tornar-se um meio de produção qualquer, sucumbir a uma ordem imaginada, ter um perfil nas redes sociais, bens de consumo e socializar com "iguais", existir não. Existir exige consciência, a consciência o duvidar, o duvidar lidar com a dor, e essa dor impavidez. Só o consciente e destemido exerce vontade, um escravo, não. Só o consciente aceita "penar" à margem do rebanho - ser si mesmo - exist-ir... Sorry, Kierkegaard! Vassum Crisso - MG