sexta-feira, 4 de março de 2011

O mal existe!

O mal existe!
Por Miguel Garcia

Fecho com C.S.Lewis a respeito de que nessa época gerencial – de administração, o maior mal não nasça em antros sórdidos “antros do crime”; nem mesmo em campos de concentração de trabalhos forçados, ou ainda nos incontáveis bolsões de trabalho escravo que vigoram impunes Brasil à fora. Segundo Lewis, nestes últimos aparece sempre o seu resultado final. Em dias atuais o mal é concebido e mandado (movido, secundado, levado a efeito e minutado) em escritórios bem iluminados, atapetados, limpos e aquecidos, por homens tranqüilos (por vezes clérigos “acima de qualquer suspeita”), "brancos" de colarinhos brancos, unhas bem aparadas e rostos barbeados e lisos, que nem precisam altear a voz.  Portanto, naturalmente, o símbolo do inferno, segundo Lewis, é algo semelhante à burocracia de um estado policial ou aos escritórios de uma empresa comercial absolutamente indecente, ou ainda, segundo eu mesmo, é algo semelhante ao que acontece à portas fechadas, não "no chão da fábrica", como seria conveniente imaginar, mas em cima, nas salas amplas e luxuosamente decoradas - nos gabinetes bispais e pastorais de muitos dos ch-amados templos evangélicos de hoje em dia, infeliz-mente.


Vassum Crisso!

quinta-feira, 3 de março de 2011

O Diabo existe!

Sede sóbrios; vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão buscando a que possa tragar”. (I Pedro 5.8)

Zoster - O vírus da varicela-zoster, assim como outros vírus do grupo herpes, permanece latente no
organismo de indivíduos infectados e o zoster é causado pela reativação dos vírus adquiridos durante a
varicela. Presumivelmente, a infecção latente ocorre na
maioria dos indivíduos infectados. O zoster
se caracteriza pelo surgimento de erupção cutânea unilateral, bastante
dolorosa.
Geralmente, o zoster atinge entre um e
três dermátomos e tem duração variável, de poucos
dias a várias semanas. Uma das principais
complicações do zoster é a neuralgia que se segue ao
exantema, com dor e queimação, aguda e persistente, dificilmente aliviada por analgésicos comuns. 


Por que não se deu em mim a tal mani-fest-ação Diabólica?... Por que em uma pessoa tão crística? Nada faz sentido! Tudo é vazio... Ab-surdo!


Vassum Crisso! 


Miguel Garcia 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Só o Messias salva!

Só o Messias salva!
(Sobre enlatados esdrúxulos)
Miguel Garcia

Observe os doutrinadores, como tendem à redução das questões que abordam. Agem movidos por pulsão natural, na pretensão ilusória de perceber/entender capturar - sorver mundos - multidões, não indivíduos.
Reduzem o real à capacidade de entendimento que possuem, ou seja, à forma como são estruturadas as mentes deles.
De acordo com Humberto Mariotti o reducionismo é como o ego: indispensável, mas questionável. Diante de um determinado fenômeno, os chefes da religião percebem e reduzem o que foi percebido à estrutura de compreensão própria de suas estruturas — ao quadrado onde vivem - ao conhecimento que possuem, portanto. Mas, como é óbvio, reduzir algo ao próprio conhecimento é o mesmo que reduzi-lo à própria ignorância. Daí a necessidade de um segundo passo — a reampliação —, que consiste em conferir o que foi percebido. E isso comparando o que foi percebido com compreensões pessoais prévias e, a seguir, cotejando-o com a compreensão dos outros, por meio do diálogo e outras formas de interação e convivência. Dessa maneira poderia ocorrer uma reampliação do que porventura houvesse sido reduzido.
O problema é que nem sempre é fácil voltar a ampliar depois da redução inicial. Tomando como exemplo os patrões da igreja: isso se dá,  porque tendem a reduzir suas compreensões às dimensões do ego, que é frágil, medroso e teme a reampliação. Temem-na porque ela os põe à prova, isto é, leva-os a confrontar as suas percepções e “entendimentos” com os dos outros. Como estão socialmente preparados para serem competitivos, os egos dos doutrinadores – ideólogos da coisa religiosa, invariavelmente vêem os outros como adversários e, portanto, sente-se sempre ameaçados por estes. Por conta disso, pensam segundo modelos predeterminados e buscam apoio em referenciais que julgam inquestionáveis (pressupostos), tornando-se uma forma de remediarem a fraqueza que lhes é tão peculiar. É um modo de porem em prática o ponto de vista empirista, onde existe uma realidade externa que é a mesma para todos. Se essa tese fosse correta, a cognição seria um fenômeno passivo. Assim sendo, todos entenderiam o mundo da mesma maneira. Nessa ordem de idéias, quem não percebesse a "verdade" universal estaria com problemas e, portanto, precisaria de ajuda para alcançar o nível de percepção dos outros. Isto é: para perceber as coisas como "todo mundo" — o que equivaleria a entender a vida e pautar a conduta segundo as normas do senso comum. Entretanto, sabe-se que percepções padronizadas levam a comportamentos estandardizados. Esse é o principal problema da redução não seguida de reampliação.
A tendência do animal humano a eliminar é mais forte do que sua necessidade de integrar. A esmagadora maioria dos patrões da igreja e doutrinadores, exemplificando, não sabe ouvir. Quando alguém lhes diz alguma coisa, em vez de escutar até o fim logo começam a comparar o que está sendo dito com idéias e referenciais que já possuem. Esse processo mental que Humberto Mariotti chama de automatismo concordo-discordo — quando levado a extremos, é muito limitante. Ouvir até o fim, sem concordar nem discordar, tornou-se extremamente difícil para muitos sádicos evangeliz-a-dores. Não sabem ficar — mesmo de modo temporário, entre o conhecido e o desconhecido — "entre a dor e o nada, preferem a dor", o que traduz um apego a esse tipo de repetição o que atesta o adoecimento de tais personalidades centrais – objetos de transferência que a turba tanto gosta.
Faça você mesmo a prova: tente dizer algo a um dos chefes da igreja e irá constatar que ele ou ela não são capazes de escutar até o fim, sem concordar nem discordar, o que seu interlocutor está dizendo. Logo às primeiras frases os pedantes já estarão pensando no que irão responder. Veja como isso é difícil (comunicar-se com tais “beldades” pre-potentes) — e, então, constatará que o automatismo concordo-discordo é uma das manifestações mais poderosas do condicionamento de suas mentes pelo pensamento linear, isto é, pelo modelo mental ou/ou, — a lógica binária do sim/não. Observe a estrutura básica dos títulos que esses “iluminados” dão aos enlatados que costumam publicar - a algumas de suas “invenções” literárias, vulgo, livros evangélicos): “isso ou aquilo, sim/não, ou/ou, certo ou errado, pode-se ou não”, etc, ou seja, pensamento Binário – Automatismo Concordo/Discordo, Pensamento automático, Cartesianismo barato e empobrecido – “conversa pra boi dormir”. Oxalá funcione ao menos como vacina diária contra a loucura do hospício (para quem gosta (masoquistas) é um prato cheio), enfim:
Você está sendo roubado(a)! Esqueça os diplomas, ouse sofrer pensamentos, pense livre – subverta - desobedeça os doutrinadores. Compre livros relevantes, baratos e “não evangélicos” se for o caso, compre lá no sebo do Messias..  “Messias”... que conveni-ente um sebo batizado com um nome desses...  

Vassum Crisso! 

domingo, 27 de fevereiro de 2011

DESOBEDEÇA aos ensinadores!


DESOBEDEÇA aos ensinadores, quer dizer, à burocracia privatizadora do conhecimento: aquela casta sacerdotal que constitui as escolas e academias. Essas instituições geraram e continuam gerando um tipo curioso de agente que proliferou na modernidade: o colecionador de diplomas, que julga as outras pessoas pela sua capacidade de se enquadrar nos processos de ensinagem em vez de avaliá-las pela sua capacidade de aprendizagem. Os diplomas são, então, um reconhecimento e uma validação do conhecimento ensinado e não do conhecimento aprendido. Tendo perdido o monopólio do conhecimento (se é que algum dia tiveram-no) as universidades tentam ainda reter em suas mãos o que lhes restou: o monopólio dos diplomas.

Há também os que – por fora dos sistemas formais de ensino - se intitulam (ou são por alguém intitulados) mestres. Alguns são ordenados para tanto, quer dizer, têm reconhecida, sempre por uma organização hierárquica, sua capacidade de reproduzir uma determinada ordem top down. E querem então imprimi-lo, emprenhá-lo, ou seja, enxertar suas idéias-implante em você, para que você se torne também um transmissor desse “vírus”.
Desobedeça a esses caras. Aprenda o que você quiser, quando quiser e do jeito que você quiser. Aprenda com seus amigos. E compartilhe o que aprendeu com quem você quiser, gerando mais conhecimento. Guarde seus conhecimentos nos seus amigos, não na cabeça dos professores; nem nas instituições que sobrevivem trancando o conhecimento e estabelecendo caminhos obrigatórios, cheios de barreiras e permissões, para dificultar-lhe o acesso; ou, ainda, nos livros submetidos à normas odiosas de copyright. Conhecimento trancado apodrece.
E não siga mestres de qualquer tipo: todos somos aprendentes. ‘Quando o “mestre” está preparado o discípulo desaparece’, quer dizer, ele não precisa mais da muleta chamada “discípulo”: pode se tornar, por si mesmo e em interação com outras pessoas, um aprendente, livre... e tão ignorante como todos nós. Mas enquanto eles estiverem pensando em conquistar discípulos, fuja dos “mestres”!


Vassum Crisso!

Humilde-mente estóica!

Humilde-mente estóica!
Miguel Garcia

Não espere muito dos patrões da igreja, sobretudo dos mais pedantes,  ricos, astutos e poderosos! 
Frustrações, mágoas e irritabilidade, são proporcionais àquilo que esperamos dos outros; quanto mais esperamos, mais sofremos. Não nutra expectativa exagerada.
Não faça o bem para ser recompensado. O maior e melhor prêmio é sentir-se bem consigo mesmo – questão de consciência tranqüila, não espere por quem não disse que viria. (‘Bata na madeira’)!
Deixe de ser vítima de si mesmo e de seu semelhante.
Diminua as chances de sofrer, aprendendo mais a respeito do funcionamento de si e do próximo. Ressentimentos e desencantos serão tão maiores quanto menos nos conhecemos e menos conhecermos a estrutura psíquica do nosso próximo e, conhecer nosso próximo só é possível na medida em que conhecemos a nós mesmos, ou seja: se quiser livrar-se de dores desnecessárias, comece a buscar auto-conhecimento.
Animais humanos são naturalmente sociais e ao mesmo tempo egocêntricos – incapazes de viver sozinhos e, por outro lado, incapazes de conceder aos seus semelhantes às mesmas regalias que acham justo conceder a si mesmos – infernais, alguém já disse, contudo, há uma instancia de esperança: é possível caminhar em direção à mudanças, metamorfoses – fazer novas e sábias escolhas, embora essa opção seja para lá de dificultosa à estrutura das pessoas...
Num primeiro momento não busque mudar o outro, invista em mudar a si mesmo. É complicado operar mudanças no outro e no ambiente que o cerca, isso quando é possível realizá-lo. “Lá fora” é selvagem, desconhecido, pedregoso, íngreme  – escorregadio: desastres são eminentes. Trabalhe em você mesmo, será mais útil, prudente e barato. Não espere muita coisa de pessoas que se imaginam donas do mundo.


Vassum Crisso!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

sábado, 12 de fevereiro de 2011

"Não me siga, siga a você mesmo"

Não me siga, siga a você mesmo!

Essa frase famosa é de Nietzsche. Ela se relaciona fortemente com o funcionamento da
autopoiese intrapessoal (reprodução e evolução do self de cada indivíduo), em conexão vital com o seu meio ambiente,. Significa que o processo autopoiético que se manifesta num determinado indivíduo não pode ser transplantado para o espaço interno de outro. Se você segue os outros em vez de ser você mesmo, perderá rapidamente a sua centelha e deixará de refletir a luz de sua individualidade. Sem esta, não há auto-atenção,
crescimento pessoal nem progresso na vida.
Seguir outra pessoa (seja mentalmente, emocionalmente ou espiritualmente) significa copiar, imitar ou identificar-se com o mecanismo de autopoiese intrapessoal do outro e esquecer o seu self real. Essa circunstância pode resultar em conflitos fatais entre o self e a mente (confusão de pensamentos), entre o self e o coração (confusão de sentimentos) e entre o self e o espírito (confusão na busca da identidade). A autopoiese intrapessoal precisa de liberdade para funcionar. A partir do momento em que nos rendemos a algum outro self, nossa liberdade é perdida e nos tornamos incapazes de auto-expressão. A falta de liberdade torna a auto-percepção impossível e resulta na perda de oportunidades individuais para o autoconhecimento, auto-realização e crescimento. 

Fonte: Vladimir Dimitrov e Robert Ebsary


DESOBEDEÇA aos codificadores de doutrinas, que são todos aqueles que querem pavimentar, com as suas crenças religiosas (e sempre o são, mesmo quando se declaram laicas), uma estrada para o futuro. Eles produzem narrativas ideológicas totalizantes para que você veja o mundo a partir da sua ótica, quer dizer, para que você não veja os múltiplos mundos existentes, mas apenas um mundo (o mundo arquitetado e administrado por eles: uma prisão para a sua imaginação)...


Vassum Crisso!


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

domingo, 2 de janeiro de 2011

"Im-perfeito"

"Im-perfeito"
Miguel Garcia

Tão abertamente expostos que eu poderia segurá-los com a mão;
Tão obscuros - soturnos - contínuos; regressando intermitentemente;
"Inimigos" camuflados que atacam nas ocasiões mais oportunas, 
contra os quais não se pode estar tão preparado como na guerra nem tão seguro como na paz:
 meus ví-cios.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Eis a fonte de entusiasmos

Eis a fonte de entusiasmos
Por Miguel Garcia

Eis aí vosso mestre, vosso patrão, vosso guia – führer - aquilo que nossas democracias e nossas organizações políticas não oferecem à demanda popular, eis o que não podem propor: alguém que permite a você não mais se confrontar com a dúvida, com a escolha, com a responsabilidade, alguém que alivia você do fardo existencial. Você tem apenas que segui-lo, obedecê-lo. Findado o livre arbítrio você tem que se referir inteiramente e plenamente aos mandamentos prescritos. Eis a “brincadeira” de percorrer programas propostos por gurus evangeliz-à-dores. Eis os e-ventos doutrinadores. Eis o caráter imperioso, imperativo, obrigatório, sem falha possível do que é, no cerne dos agrupamentos fundamentalistas. Eis aí também uma multidão de evadidos a-brigando um sentimento de terem sido confrontados com um sistema do tipo totalitário. Eis a oferta de imagens tão sedutoras quanto seja possível imaginar. Eis as organizações não fundamentadas em crenças ou em fé, mas que apelam a uma dimensão psíquica bem difer-ente: a da convicção, que é algo absolutamente contrária à crença. A crença supõe um engajamento num ato de fé, ao passo que nos domínios das seitas se trata de certeza. A questão nessa última não é a aposta de que cada um está antecipadamente garantido de que seu ganho, levando em conta sua aposta, será máximo, per-feito. Promete-se um gordo ganho em todas as jogadas! Uma tal organização não é identificável a uma religião. Religiões, como as oriundas do monoteísmo são organizadas em torno de uma figura paterna/maternal, já que o Deus re-vela-se misericordioso (ama com as entranhas), tal sistema já de inicio subtrai pecados por ver a “multiplicação” como coisa do demônio, de cara reconhece uma divisão na pessoa, uma imper-feição. É, então uma religião de amor que acolhe essa imper-feição. Numa seita, geralmente esse não é o caso. As seitas optam pela “religião” PLUS, ou seja, há um bônus que faz toda diferença.  Eis aí o fundador da seita eminentemente encarnado  e presente na realidade. Eis a vida do rebanho humano “funcionando” através do que são o saber e a autoridade deste último. Eis aí o mestre, o sol de um sistema e você, absorto, pairando na órbita letal, sentindo-se abençoado e pleno de entusiasmo ao pertencer. Eis tudo.

Referencias: Charles Melman - O Homem sem gravidade

Vassum Crisso

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Pelos que vão morrer

PELOS QUE VÃO MORRER

“Ó Tu, Senhor da Eternidade, nós que estamos condenados a morrer elevamos nossas almas a Ti à procura de forças, porque a Morte passou por nós na multidão dos homens e nos tocou, e sabemos que em alguma curva do nosso caminho ela estará nos esperando para nos pegar pela mão e nos levar... não sabemos para onde. Nós te louvamos porque, para nós, ela não é mais uma inimiga, e sim um grande anjo teu, nosso amigo, o único a poder abrir, para alguns de nós, a prisão da dor e do sofrimento e nos levar para os espaços imensos de uma vida nova. Mas nós somos como crianças, com medo do escuro e do desconhecido, e tememos deixar esta vida que é tão boa, e os nossos amados, que nos são tão queridos. Dá-nos a graça de ter um coração valente para que possamos caminhar por esta estrada com a cabeça levantada e com um sorriso no rosto. Que possamos trabalhar alegremente até o fim, e amar os nossos queridos com ternura ainda maior, porque os dias do amor são curtos. Sobre ti lançamos a carga mais pesada que paralisa nossa alma: o medo que temos de deixar aqueles que amamos, os quais teremos de deixar desabrigados num mundo egoísta.  Nós confiamos em ti porque durante toda a nossa vida foste o nosso apoio.
Ó tu, pai dos órfãos, protege os nossos pequeninos. E, antes de partirmos, pedimos-te que chegue logo o dia no qual os que estão morrendo morrerão sem medo, porque os fracos já não mais serão as vítimas dos fortes, e a grande família que é a nação a todo abraçará com sua força e o seu cuidado.
Nós te agradecemos porque experimentamos o gosto bom da vida. 
Somos-te gratos por cada hora de nossas vidas, por tudo o que nos coube das alegrias e lutas dos nossos irmãos, pela sabedoria que ganhamos e será sempre nossa.
Se tivermos de partir logo, sabemos que inda assim foi através de ti que vivemos e a nossa vida continuará a fluir através da raça humana. Pela tua graça nós também ajudamos a moldar o futuro e a trazer dias melhores.
Se nos sentirmos abatidos com a solidão, sustenta-nos com a tua companhia. Quando todas as vozes do amor ficarem distantes e se forem, teus braços eternos ainda estarão conosco. 
Tu és o pai do nosso espírito. De ti viemos e para ti iremos. 
Regosijamo-nos porque, nas horas das nossas visões mais puras, quando o pulsar da eternidade é sentido forte dentro de nós, sabemos que nenhuma agonia da mortalidade poderá atingir a nossa alma inconquistável e, para aqueles que em ti habitam, a morte é apenas a passagem para a vida eterna. Nas tuas mãos entregamos o nosso espírito.”
(Walter Rauschenbusch, Orações por um mundo melhor, PAULUS )

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

Sobre o Narcisismo “evangeliz”-à-dor

Aspectos desprezíveis:
Miguel Garcia

O evangeliz-à-dor reprisa a tragédia do mito grego de Narciso, estando desesperançadamente absorto em si mesmo. Quando ocorre de considerar outrem, em geral o faz priorizando a si mesmo. Praticamente toda gente pode ser posta de lado, exceto o "filho do céu", sempre preparado para recriar o mundo inteiro a partir si, mesmo se estivesse só no planeta.
Embora seja acossado pelo medo, nem sempre sabendo como poderia operar tal proeza (de agir como se fosse causa de si mesmo), contudo, lá no fundo está seu recurso essencial: poderia bastar-se a si mesmo se fosse o caso, desde que tão somente pudesse confiar em si e, se porventura não sentisse essa confiança emocional, mesmo assim, lutaria para viver com todas as “suas forças”, não importando quantos morressem ao seu redor.
Um organismo “evangeliz”-à-dor sempre estará pronto para inundar o mundo inteiro solitari-a-mente, malgrado sua cabeça se esquive a pensar nisso.
O narcisismo é a força motriz de gente assim, a tal ponto que é possível assistir um narciso evangeliz-ador em marcha contra “ameaças” de todo tipo, expondo-se à queima roupa: no fundo, um sujeito com esse perfil não acredita que possa sucumbir – ser sugado facilmente, pois um espesso escudo caracterológico o mantém protegido do real, levando-o a sentir pena dos que porventura perecem ao seu lado. Em seus mais íntimos recessos orgânicos e físico-químicos, um desvanecido de si próprio não conhece a morte nem o tempo, sente-se im-o-rt-All.
Um evangeliz-à-dor parece não ser capaz de evitar o egoísmo derivado de sua natureza animal. Parece haver incontáveis eras de evolução por trás desse comportamento – toda uma programação evolutiva o determinando de alguma maneira; o bicho teve de proteger sua integridade e identidade físico-química - preservá-la pra sobreviver. Nem mesmo um órgão transplantado, com potencial de salvar a vida organismica é poupado pela rejeição. Nas palavras de Becker:

“O protoplasma propriamente dito se abriga a si mesmo, nutre-se contra o mundo, contra violações de sua integridade. Parece gostar de suas próprias pulsões, expandindo-se mundo a fora e engolindo pedaços deste.” Becker

Outra excelente comparação feita pelo gênio de Becker é a de que se se tomasse um organismo cego e surdo e se incutisse nele autoconsciência e um nome, fazendo-o destacar-se da natureza e saber-se conscientemente ímpar, então teríamos aí o narcisismo, ao que acrescento: então teríamos aí o Narcisismo “evangeliz”-à-dor, que é quando no homem, a identidade físico-química e o senso de poder e atividade tornam-se consci-ENTES.

“Exagerado! Jogado aos seus pés...”

Vassum Crisso!

Sonhos de Um Palhaço

Vejam só
Que história boba
Eu tenho pra contar
Quem é que vai querer
Me acreditar
Eu sou palhaço sem querer...

Vejam só
Que coisa incrível
O meu coração
Todo pintado e nesta solidão
Espero a hora de sonhar...

Ah, o mundo sempre foi
Um circo sem igual
Onde todos representam
Bem ou mal
Onde a farsa de um palhaço
É natural...

Ah, no palco da ilusão
Pintei meu coração
E entreguei amor 
e sonhos sem saber
Que o palhaço
Pinta o rosto pra viver...

Vejam só e há quem diga
Que o palhaço é
No grande circo apenas o ladrão
Do coração de uma mulher...

Ah, o mundo sempre foi
Um circo sem igual
Onde todos, todos
Representam bem ou mal
Onde a farsa de um palhaço
É natural...

Ah, no palco da ilusão
Pintei meu coração
E entreguei amor e sonho
Sem saber
Que o palhaço pinta o rosto
Pra viver...  

Sonhos de Um PalhaçoAntônio Marcos/Sérgio Sá

Vassum Crisso

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Eu sei o que vocês fizeram nos verões passados!

Eu sei o que vocês fizeram nos verões passados!
Miguel Garcia

Eu sei da necessidade de exercer controle total sobre as circunstâncias em toda variedade e multiplicidade de manifestações.
Sei dos constantes protestos (perversões) - de suas revoltas contra a realidade.
Sei que para superar o sentimento de vazio interior e impotência, você escolheu um objeto no qual projeta todas as suas qualidades propriamente humanas: seu amor, inteligência, coragem etc. Sei que submetendo-se a esse objeto, você se sente em contato com suas próprias 'qualidades', reais ou imaginárias; sente-se forte, corajoso e seguro. Sei que a perda de tal objeto significaria o perigo de perder-se de si mesmo.
Sei que o mecanismo que re-velo aqui - adoração idólatra a uma pessoa central (chefe, patrão, líder religioso, gurú psicológico), baseada no fato de sua alienação à mesma, constitui o dinamismo central de algum tipo de transferência vigorosa e intensa, eu sei.
Sei que esse fascínio (fetiche) por pessoas astútas e ou “poderosas” tornou-se basicamente uma questão de entregar-se ao poder de um outro “composto” de todas as qualidades "não" concretizadas em você mesmo. Sei que posturas como essa constituem fundamentalmente uma manobra ou tática, graças à qual, visa-se perpetuar um estilo de existência dependente - uma contínua tentativa para despir-se de poder e colocá-lo em mãos alheias. Sei não tratar-se de mera covardia incomum de parte alguma, mas antes um dos problemas básicos de uma vida organísmica - problemas de poder e controle - de força para opor-se à realidade e mantê-la ordenada de modo que uma expansão e realização pessoal encontre espaço na pessoa.
O que seria mais natural do que “escolher” alguém através de quem se possa estabelecer um diálogo in-terno e ex-terno? É como hipnóse - como a perda de controle observada nas vítimas de vampiros... Eu sei, eu sei o que vocês fizeram nos verões passados!

Vassum Crisso!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Aos livrescos escritores "evangélicos”

Aos livrescos escritores "evangélicos”
Por Miguel Garcia

Os tais não deveriam apelar aos apanhados históricos e apenas exibir o desenvolvimento de idéias a partir de teorias alheias, não deveriam submeter suas mentes deste modo. Deveriam sim, pegar isso e aquilo, aqui e ali, formar teorias próprias e aí, em último lugar, interessarem-se em ver de onde roubaram o que. Ações como essas evocariam um espírito “livre” para olhar o mundo com olhos próprios. Seria algo bem mais útil em épocas de grandes mudanças, já que as mesmas costumam suscitar a nostalgia do tempo que passou. Imagino que deveriam apostar na reconstrução e no espírito de "liberdade".

Vassum Crisso

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Olhe para o céu quando quiser ouvir seu coração... Jamais pergunte aos codificadores de doutrinas!..