domingo, 14 de novembro de 2010

domingo, 31 de outubro de 2010

Vitória do Matriarcado! Ave Dilma Presidente!


“O ser feminino é dedicação e abandono. Com efeito, foi por causa de todo esse abandono feminino do seu ser, que Deus com ternura, armou a mulher com um instinto, cuja sutileza ultrapassa a mais lúcida reflexão masculina e a reduz a nada.” S. Kierkegaard

“Mulheres, mães... heroínas anônimas, doadoras da vida, doadoras de amor, aquelas que banham as carnes das crianças, acalmam os gritos, enchem as bocas, essas serventes imemoriais cujos gestos trazem o conforto, a limpeza, o prazer, as humildes das humildes, guerreiras do cotidiano, rainhas da atenção, imperatrizes da ternura, que curam nossas feridas e nossas aflições. Os homens guardam as portas da sociedade que engendra mortos e devolve o ódio. As mulheres guardam as portas da natureza, que fabrica a vida e exige o amor”. (E.E.S.).

Pelo amor de Deus:
Seja vc mesma - mulher, divina, fontal... Desobedeça! Seja crística - subversiva - delicadeza.. Veja, não se cale! A-con-teça! Louvada seja!

Vassum Crisso!

sábado, 30 de outubro de 2010

Sobre compartilhar a vida com outra pessoa... casamentos, etc...

Sobre compartilhar a vida com outra pessoa – casamento e etc...

Como seria simples se pudéssemos satisfazer os anelos de toda a condição humana, em segurança, no quarto de dormir! Como seria con-veni-ente que a parceira(o) fosse Deus(a), onipotente para apoiar nossos anseios, abarcando tudo para podermos fundir nossos desejos nela (e) – mas é impossível.

Vassum Crisso!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Saiba a quem desobedecer

Saiba a quem desobedecer:

Ora, a todos que querem obrigá-lo a obedecer. Em especial aos agentes de um velho mundo hierárquico e autocrático cujos alicerces já estão apodrecendo, mas que continua, resilientemente, a nos assombrar. Dentre tais agentes, que são muitos, merecem ser destacados aqui: os ensinadores, os codificadores de doutrinas, os aprisionadores de corpos, os construtores de pirâmides, os fabricantes de guerras e os condutores de rebanhos.
DESOBEDEÇA aos ensinadores, que dizer, à burocracia privatizadora do conhecimento: aquela casta sacerdotal que constitui as escolas e academias. Essas instituições geraram e continuam gerando um tipo curioso de agente que proliferou na modernidade: o colecionador de diplomas, que julga as outras pessoas pela sua capacidade de se enquadrar nos processos de ensinagem em vez de avaliá-las pela sua capacidade de aprendizagem. Os diplomas são, então, um reconhecimento e uma validação do conhecimento ensinado e não do conhecimento aprendido. Tendo perdido o monopólio do conhecimento (se é que algum dia tiveram-no) as universidades tentam ainda reter em suas mãos o que lhes restou: o monopólio dos diplomas.


Há também os que, por fora dos sistemas formais de ensino, se intitulam (ou são por alguém intitulados) mestres. Alguns são ordenados para tanto, quer dizer, têm reconhecida, sempre por uma organização hierárquica, sua capacidade de reproduzir uma determinada ordem top down. E querem então imprimi-lo, emprenhá-lo, ou seja, enxertar suas idéias-implante em você, para que você se torne também um transmissor desse “vírus”.
Desobedeça a esses caras. Aprenda o que você quiser, quando quiser e do jeito que você quiser. Aprenda com seus amigos. E compartilhe o que aprendeu com quem você quiser, gerando mais conhecimento. Guarde seus conhecimentos nos seus amigos, não na cabeça dos professores; nem nas instituições que sobrevivem trancando o conhecimento e estabelecendo caminhos obrigatórios, cheios de barreiras e permissões, para dificultar-lhe o acesso; ou, ainda, nos livros submetidos à normas odiosas de copy right. Conhecimento trancado apodrece.
E não siga mestres de qualquer tipo: todos somos aprendentes. ‘Quando o “mestre” está preparado o discípulo desaparece’, quer dizer, ele não precisa mais da muleta chamada “discípulo”: pode se tornar, por si mesmo e, em interação com outras pessoas, um aprendente, livre... e tão ignorante como todos nós. Mas enquanto eles estiverem pensando em conquistar discípulos, fuja dos “mestres”!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Desobedeça!!!!!!!!!!!


Quando o biólogo chileno Humberto Maturana Romesin afirmou, no final dos anos 80, que relações hierárquicas, relações de subordinação, que exigem obediência, baseiam-se na negação do outro e que essas relações não podem ser consideradas relações propriamente sociais, alguns acadêmicos e bem-pensantes e, sobretudo, aqueles que se tinham por indivíduos muito “sérios” e “responsáveis”, ficaram meio escandalizados.
Como assim? – perguntavam, indignados. Pois pensavam que, caso tais idéias heterodoxas (e perigosas) vicejassem, seria o caos!
E a coisa piorou um pouco quando ele, Maturana, duas décadas depois, ousou declarar que o liderazgo (a liderança), o xodó das teorias empresariais que floresceram nos anos 90, não era uma idéia nada boa, posto que “el liderazgo requiere que los liderados abandonen su propia autonomía reflexiva y se dejen guiar por otro confiando o sometiéndose a sus directrices o deseos...” (1).
Mas o fato que até agora ainda não tivemos coragem de derivar todas as conseqüências dessas impactantes constatações de Maturana e desenvolvê-las no contexto da transição de uma sociedade hierárquica, que tende a fenecer, para uma florescente sociedade em rede, diante da emergência de múltiplos mundos altamente conectados de forma cada vez mais distribuída. Embora anunciador de uma visão pioneira sobre redes (que qualificou como “redes de conversações”), Maturana não reestruturou seu pensamento sob o influxo das visões contemporâneas inspiradas pela nova ciência das redes. Cabe a nós, que investigamos o assunto, dar continuidade aos seus insights geniais à luz da teoria e da prática de redes, quer dizer, do netweaving.
Sim, netweaving. Se você quer mesmo aprender a “fazer” redes, então sua primeira “prova” é: desobedeça! Aprenda a desobedecer! Um netweaver é, por definição, um desobediente. Porque é alguém que, criativamente, caminha fora dos trilhos já estabelecidos por alguém.
Mas a quem você deve desobedecer?
Ora, a todos que querem obrigá-lo a obedecer. Em especial aos agentes de um velho mundo hierárquico e autocrático cujos alicerces já estão apodrecendo, mas que continua, resilientemente, a nos assombrar. Dentre tais agentes, que são muitos, merecem ser destacados aqui: os ensinadores, os codificadores de doutrinas, os aprisionadores de corpos, os construtores de pirâmides, os fabricantes de guerras e os condutores de rebanhos.
DESOBEDEÇA aos ensinadores, que dizer, à burocracia privatizadora do conhecimento: aquela casta sacerdotal que constitui as escolas e academias. Essas instituições geraram e continuam gerando um tipo curioso de agente que proliferou na modernidade: o colecionador de diplomas, que julga as outras pessoas pela sua capacidade de se enquadrar nos processos de ensinagem em vez de avaliá-las pela sua capacidade de aprendizagem. Os diplomas são, então, um reconhecimento e uma validação do conhecimento ensinado e não do conhecimento aprendido. Tendo perdido o monopólio do conhecimento (se é que algum dia tiveram-no) as universidades tentam ainda reter em suas mãos o que lhes restou: o monopólio dos diplomas.
Há também os que – por fora dos sistemas formais de ensino - se intitulam (ou são por alguém intitulados) mestres. Alguns são ordenados para tanto, quer dizer, têm reconhecida, sempre por uma organização hierárquica, sua capacidade de reproduzir uma determinada ordem top down. E querem então imprimi-lo, emprenhá-lo, ou seja, enxertar suas idéias-implante em você, para que você se torne também um transmissor desse “vírus”.
Desobedeça a esses caras. Aprenda o que você quiser, quando quiser e do jeito que você quiser. Aprenda com seus amigos. E compartilhe o que aprendeu com quem você quiser, gerando mais conhecimento. Guarde seus conhecimentos nos seus amigos, não na cabeça dos professores; nem nas instituições que sobrevivem trancando o conhecimento e estabelecendo caminhos obrigatórios, cheios de barreiras e permissões, para dificultar-lhe o acesso; ou, ainda, nos livros submetidos à normas odiosas de copyright. Conhecimento trancado apodrece.
E não siga mestres de qualquer tipo: todos somos aprendentes. ‘Quando o “mestre” está preparado o discípulo desaparece’, quer dizer, ele não precisa mais da muleta chamada “discípulo”: pode se tornar, por si mesmo e em interação com outras pessoas, um aprendente, livre... e tão ignorante como todos nós. Mas enquanto eles estiverem pensando em conquistar discípulos, fuja dos “mestres”!


Vassum Crisso!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Será que é possível ser amigo de patrão?

RELAÇÕES SOCIAIS E NÃO-SOCIAIS

As relações de trabalho, de acordo com o que eu disse, não são relações sociais, porque elas se fundam no compromisso de cumprir uma tarefa e, nelas, o cumprimento da tarefa é a única coisa que importa. Em outras palavras, para adotar o compromisso de trabalho é essencial que os participantes sejam pessoas, seres multidimensionais, mas uma vez assumido o compromisso, o fato de os participantes serem pessoas e terem outras dimensões relacionais não tem nenhuma pertinência. Isso se nota quando aquele que aceita o compromisso de trabalho tem alguma dificuldade na sua realização. Quando isso ocorre, o patrão se queixa e diz: “— Não vou lhe pagar, você perdeu a semana: não veio, não cumpriu, não lhe pago. — Mas, senhor — balbucia o empregado — minha mulher..., meu filho..., minha sogra... — Olha, — replica o patrão — as coisas pessoais não entram aqui, a única coisa que importa é a tarefa.” Ao mesmo tempo o empregado, ainda que tenha sido negado em suas outras dimensões, sabe que num certo sentido o que o patrão disse é legítimo frente ao acordo de realizar uma tarefa, mas se queixa e se sente injuriado. Nosso problema é que confundimos domínios, porque funcionamos como se todas as relações humanas fossem do mesmo tipo, e não são. As relações humanas que não se baseiam na aceitação do outro como um legítimo outro na convivência não são relações sociais. As relações de trabalho não são relações sociais. O mesmo ocorre com as relações hierárquicas, pois estas se fundam na negação mútua implícita, na exigência de obediência e de concessão de poder que trazem consigo. O poder surge com a obediência, e a obediência constitui o poder como relação de negação mútua. As relações hierárquicas são relações fundadas na supervalorização e na desvalorização que constituem o poder e a obediência e, portanto, não são relações sociais. Comumente falamos como se o outro detivesse o poder, mas, na verdade, isso não é assim. Lembro que, durante o governo do Presidente Allende, foi nomeado Ministro do Interior um militar, que devia pôr fim a uma greve de caminhoneiros. Ele dava ordens e não acontecia nada. Onde está o poder do militar? Na obediência do outro. Se dou uma ordem ao soldado e ele não a obedece, onde está meu poder? O poder não é algo que um ou outro tem, é uma relação na qual se concede algo a alguém através da obediência, e a obediência se constitui quando alguém faz algo que não quer fazer cumprindo uma ordem. O que obedece nega a si mesmo porque, para evitar ou obter algo, faz o que não quer a pedido do outro. O que obedece age com raiva, e na raiva nega o outro porque o rejeita e não o aceita como um legítimo outro na convivência. Ao mesmo tempo, o que obedece nega a si mesmo ao obedecer e pensar: “Não quero fazer isto, mas se não obedeço me expulsam ou me castigam, e não quero que me expulsem ou castiguem.” Mas o que manda também nega o outro e nega a si mesmo ao não se encontrar com o outro como um legítimo outro na convivência. Ele nega a si mesmo porque justifica a legitimidade da obediência do outro com sua supervalorização, e nega o outro porque justifica a legitimidade da obediência com a inferioridade do outro.
Assim, as relações de poder e de obediência, as relações hierárquicas, não são relações sociais. Um exército não é um sistema social. No entanto, entre os membros de um exército podem se dar relações sociais. Para ver isto basta observar a literatura que revela situações da vida cotidiana dos soldados. Por exemplo, o que acontece entre um general e seu ordenança. Cena: feliz, o ordenança limpa o uniforme do general e conversam: “— Onde o senhor vai esta noite meu general? — Vou sair. — E... é boa pessoa, a moça? — Sim, claro, é muito linda!” Até aí a relação social anda bem, mas de repente o ordenança diz: “— Meu general, sabe, acho que o que me pediu para fazer ontem não vai dar. — Você tem que fazer o que disse! — Mas, meu general... — É uma ordem!”. Acabou-se a relação social! A amizade entre o ordenança e o general não existe mais, eles estão agora numa hierarquia. Os seres humanos não somos o tempo todo sociais; somente o somos na dinâmica das relações de aceitação mútua. Sem ações de aceitação mútua não somos sociais. Entretanto, na biologia humana o social é tão fundamental que aparece o tempo todo e por toda parte. No instante em que o patrão escuta um operário ou um empregado sobre a doença de sua mulher aceitando sua legitimidade, aparece a pessoa que realiza o operário ou empregado e surge uma relação social. Mas o patrão que escuta não é um bom patrão, porque confunde uma relação que devia ser exclusivamente de trabalho com uma relação social. O bom patrão é o que cumpre seus compromissos com seus empregados e com as leis ou acordos comunitários que regulam os acordos de trabalho. É justamente porque as relações de trabalho não são relações sociais que são necessárias leis que as regulem. No marco das relações sociais não cabem os sistemas legais, porque as relações humanas se dão na aceitação mútua e, portanto, no respeito mútuo. Os sistemas legais se constituem como mecanismos de coordenação de conduta entre pessoas que não constituem sistemas sociais. Dentro do sistema social opera-se numa congruência de conduta que se vive como espontânea, porque é o resultado da convivência na aceitação mútua. Se vocês olharem a história, vão compreender que os sistemas legais surgem quando as populações humanas se tornam tão grandes que deixam de ser sistemas sociais e se fragmentam em comunidades sociais menores mas independentes, ou dão origem, em seu interior, a comunidades não-sociais que abrem novos espaços de interações fundadas em outras emoções diferentes do amor. Eu digo que os fenômenos sociais têm a ver com a biologia, e que a aceitação do outro não é um fenômeno cultural. Além disso, afirmo que o cultural, no social, tem a ver com a delimitação ou restrição da aceitação do outro. É na justificativa racional dos modos de convivência que inventamos discursos ou desenvolvemos argumentos que justificam a negação do outro. Ensinamos às crianças, desde pequenas, a rejeitar certos tipos de pessoas e animais. Assim, se a mãe vê que seu filho quer brincar com um outro de quem ela não gosta, ela diz: “— Não brinque com esse menino, ele é um maltrapilho.” Isto acontece conosco sem nos darmos conta, porque vivemos numa cultura que faz isso, e temos que refletir para evitá-lo. Os cães dos ricos rosnam para os pobres. Para quem eles rosnam? Para a negação do outro que faz o rico. Estou usando a palavra rico para falar de uma pessoa que nega o outro com medo de perder o que possui. Meu cachorro sabe exatamente quem são meus inimigos. Como sabe? Porque eu os nego na minha dinâmica emocional, ao mover-me nos domínios de ação que ela traz. Se minha emoção é a rejeição, minha conduta é não aceitar o outro como um ser humano legítimo na convivência e, se pertencemos à mesma cultura, ele percebe, ainda que eu queira ocultar-lhe, porque pertencemos ao mesmo domínio de congruência estrutural. Não podemos evitar nossa biologia. E, além disso, para que evitá-la se ela nos constitui? O melhor é conhecê-la.

Fonte: Emoções e linguegem na educação e na política - Humberto Maturana

Vassum Crisso!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

À Mulher Negra e Doadora da vida

À Mulher Negra e Doadora da vida:

Aos olhos imortais de Titã,
Os sofrimentos da mortalidade,
Vistos em sua realidade triste,
Pelos deuses não são desprezados:
Qual foi a recompensa de tua piedade?
Um sofrimento silencioso e intenso:
O rochedo, o abutre e a corrente;
Toda a dor que atinge os orgulhosos;
A agonia que eles (as) não exibem;
O sufocante sofrimento da desgraça.

Teu divino crime foi ser bom (a);
Foi servir com teus preceitos menos
A soma das misérias humanas,
E fortalecer o homem com sua própria mente.
E, confundido como tu foste pelo Alto,
Ainda assim, na tua enérgica paciência,
Na resistência e na repulsão
De teu espírito impenetrável,
Que a terra e o céu não puderam abalar,
Uma poderosa lição herdamos nós. (Byron)

Vassum Crisso!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Esquema em pirâmide

Esquema em pirâmide

Um esquema em pirâmide é um modelo comercial 'não-sustentável' que envolve basicamente a permuta de dinheiro pelo recrutamento de outras pessoas para o esquema sem que qualquer produto ou serviço seja entregue.

A maioria dos esquemas em pirâmide tira vantagem da confusão entre negócios autênticos e golpes complicados, mas convincentes, para fazer dinheiro fácil. A idéia básica por trás do golpe é que o indivíduo faz um único pagamento, mas recebe a promessa de que, de alguma forma, irá receber benefícios exponenciais de outras pessoas como recompensa. Um exemplo comum pode ser a oferta de que, por uma comissão, a vítima poderá fazer a mesma oferta à outras pessoas. Cada venda inclui uma comissão para o vendedor original.

Claramente, a falha fundamental é que não há benefício final; o dinheiro simplesmente percorre a cadeia, e somente o idealizador do golpe (ou, na melhor das hipóteses, umas poucas pessoas) ganham trapaceando seus seguidores. Efetivamente, as pessoas na pior situação são aquelas da base da pirâmide: aquelas que assinaram o plano, mas não são capazes de recrutar quaisquer outros seguidores. Para dourar a pílula, a maioria de tais golpes apresentará referências, testemunhos e informações — todos falsos.

Fonte: Wikipédia

Vassum Crisso!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

a-Terra-dor Ego-ísmo!

"As três pessoas mais ricas do mundo possuem ativos superiores à toda riqueza de 48 países mais pobres onde vivem 600 milhões de pessoas; 257 pessoas sozinhas acumulam mais riqueza que 2,8 bilhões de pessoas o que equivale a 45% da humanidade; o resultado é que mais de um bilhão passa fome e 2,5 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza; no Brasil 5 mil famílias possuem 46% da riqueza nacional. Que dizem esses dados se não expressar um aterrador egoismo?"



terça-feira, 14 de setembro de 2010

Queda de Pescador (Edu Martins & Miguel Garcia)



 "A amizade é tão desnecessária quanto a filosofia, a ARTE, o próprio universo (pois Deus não precisava criar). Ela não tem valor de sobrevivência; pelo contrário, é uma daquelas coisas que dá valor à sobrevivência". C.S. Lewis

Você não vai descobrir o Guerreiro, o POETA, o Filósofo, o COMPOSITOR ou o Cristão se ficar olhando para ele como se fosse sua amante: é melhor lutar a seu lado, ler com ele, dialogar, orar, compor com ele - poetizar.. sinergizar com ele... 'Foi assim que fez em mim, foi assim que fez em nós essa amizade ilumidada.

Eis que tudo era bom porque belo!..

Abraço aos caros amigos!

Vassum Crisso!

Miguel Garcia

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

SOBRE A INVENÇÃO DA MENTIRA (o filme):

 "As mentiras que contamos para os outros podem ser - e com frequência são - escolhidas e premeditadas. As que contamos para nós mesmos jamais o são. Ninguém escolhe o disfarce íntimo ou a mentira secreta com que se ilude, se ludibria e embala a si mesmo. O auto-engano viceja em câmara escura. A eficácia de seu processamento mental, como um filme por revelar, não admite claridade." Eduardo Giannetti

Não se pode viver com a verdade.
Pode-se viver com a verdade.
Não se pode viver com a verdade  - o caráter é uma mentira vital.

O Homem "lá do céu" é real.
O Homem "lá do céu" não é real.
O Homem "lá do céu" é real.

Mentiras de mentirosos, o clero mente. A infelicidade é que nem toda "invenção" enriquece. M.G. 

domingo, 5 de setembro de 2010

Ai de vós cant-a-dores!

Ai de vós cant-a-dores!
Miguel Garcia

Música não é uma entidade abstrata constituída por um cérebro e mãos intercambiáveis. Não existe algo como esse ou aquele "grupo 'do' louvor"... A música é o próprio músico, sua história de vida, emoções, sentimentos – a música é o Pássaro de belo canto e não existe separada dele. M.G.

Existe uma lenda pigméia que conta a história de um menino que encontrou na floresta um pássaro de belo canto e levou-o para casa. Ele pede ao pai que traga alimento para o pássaro, mas este lhe diz que não pretende alimentar um simples pássaro, é mata-o. A lenda diz que o homem matou o pássaro, com o pássaro matou a música e com a música matou a si mesmo. Caiu morto, completamente morto e morto permaneceu para sempre.
Não se iludam! O sistema religioso que aí está é avarento, invejoso, assassino e, conseqüentemente suicída - condenou-se á morte perene. A teologia pré-moderna está morta, morreu. Ai de vós, ai de vós cant-a-dores!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Em poucas pa-Lavras

Em poucas pa-Lavras
Miguel Garcia


Vi-vi o sufi-ciente para saber que o homem molda para si um mundo controlável e atira-se a essa ação de modo descuidado e impensado. Aceita a programação cultural que vira seu nariz para onde se supõe que deva olhar; não engole o mundo (realidade) como o faria um gigante, mas aos pequenos pedaços controláveis  - em postas, como sugeriu o empresário no prólogo do Fausto, de Goethe. Homens são mais como castores do que como crocodilos, quando abocanham. Homens recorrem a todos os gêneros de técnicas chamadas de defesas do caráter, aprendendo a não se expor, a não sobressair; aprendendo a encaixar-se em poderes outros, tanto de pessoas concretas (ex: chefes eclesiásticos, seus capangas e etc..) quanto de coisas e de ordens culturais, passando a existir na “infalibilidade” do mundo que os rodeia, contudo, acho bom lembrar que ninguém é de barro: as pessoas sabem es-colher não es-colher - transmutarem-se em cordeiro mudo, sempre que parecer favorável, sabem apostar no individamento do presente para obtenção de eventu-ais lucros futuros. Assim pros-segue o animal humano “sem medo”, pois seus pés estão “solidamente plantados”, sua vida traçada em um labirinto previ-a-mente preparado. Tudo o que o sujeito têm a fazer é ir em frente, em um estilo compulsivo de arrancada pelos caminhos do mundo que conheceu na infância e no qual viverá mais tarde com uma espécie de soturna resignação – o estranho poder de viver o momento e ignorar e esquecer. Esta é a razão profunda pela qual os interioranos (camponeses, na expressão usada por Joseph Lopreato) “não se perturbam”, mesmo quando estão chegando ao fim, quando o Anjo da Morte, que esteve todo o tempo sentado ao lado deles, estende as asas. Ou, pelo menos, até serem prematur-a-mente despertados para uma consciência muda. Em ocasiões assim, quando a consciência acorda depois de ter estado sempre desligada pela frenética atividade pré-programada é aí que vemos a transmutação da repressão (o ato de conter, deter, impedir impulsos e desejos), por assim dizer, redestilada e o terror da morte emerge em sua essência pura. Eis o porquê dos lapsos psicóticos quando a repressão não funciona mais, quando o ímpeto da atividade contínua não mais é possível. Eis o fim do romantismo; a serenidade interiorana está inti-má-mente ligada a um estilo de vida que possui elementos de loucura real, e por conta disso se faz protetora: uma corrente submersa de ódio e amargura constantes, expressa em inimizades tradicionais, opressões inimagináveis em contextos outros, disputas e brigas familiares, mentalidade tacanha, auto-reprovação - complexo de vira-lata (nos termos de Nelson Rodrigues), superstição que chega a ser creadora de fenômenos palpáveis, controle obsessivo do cotidiano por um autoritarismo rigoroso, dogmatismo implacável, entre muitos outros dados chocantes e grotescos ao olhar e sensibilidade de quem possui outras referências.

*Eis o que ocorre a um animal desnudado no planeta - lançado aos próprios e escassos poderes e aparentememnte menos livre para mover-se a agir - menos possuidor de si mesmo e mais indigno...

*Assista ao excelente filme de Lars Von Trier: Dog Ville! Note que uma pacata gente de cidadezinha só precisa de oportunidade para revelar-se... devorar a Grace, liter-All-mente...
Odeio amar as Gerais.



Vassum Crisso.

sábado, 28 de agosto de 2010

Lyle Mays - Warsaw 1993 - part C

Mais Lo-u-curas sobre a igreja

Mais Lo-u-curas sobre a igreja
Por Miguel Garcia

A igreja evangélica fracassou miseravelmente em demonstrar, na teoria e na pratica, que o Deus da Bíblia é a máxima negação de toda negação do homem. Não conseguiu abrir um terreno estrita-mente comum para que crentes, descrentes e outros pudessem se encontrar na busca mais profunda - na coincidência fundamental – naquilo que todos mais desejam em última análise – naquilo é vital: a defesa do humano e de suas possibilidades.

A igreja evangélica, salvo raríssimas exceções, está mais para um nicho de dementes, alienados e covardes (não importando o grau de instrução e nível social a que pertençam). Uma gente que quando muito discursa de modo elegante e afetado à respeito da fraternidade, igualdade e liberdade entre homens e mulheres, verborragias que passam longe de praticas cotidianas que encarnem seus conteúdos.

A igreja rejeita aqueles que hipocritamente diz amar. Seu clero (chefes) habilmente repudia o outro como legitimamente outro em convivência, e assim o faz como um meio de preservar privilégios - status e riquezas para si.

Note o estilo de vida de alguns clérigos evangélicos e verá que este constitui verdadeiro escândalo e evidência cabal de que a filosofia clerical predominante é anti-cristica e conseqüentemente anti-humana e negativa no toc-ante à ur-gente necessidade das vítimas e oprimidos por toda parte.

Quem tem olhos e ouvidos veja e ouça o que os patrões estão fazendo à igreja dita evangélica. A igreja que fala em nome do Jesus de Nazaré não deveria interessar-se pela autonomia do homem e como conseqüência, na negação de toda negação de suas possibilidades?

É isso que se comprova na prática da igreja? Pois em verdade eu digo a todos: olhem para o Evangelho, olhem para Deus em Cristo e vigiem as chefias avassaladoras da igreja. Vejam que em Jesus encontramos nossa afirmação máxima, vejam que Ele não fez outra coisa senão defender pessoas; sobretudo defender os nega-dos. Voltemo-nos urgentemente para o Deus que preserva nossa autonomia.

Muitos dos projetos de igreja nascem bem no papel - como ideal, porém, quando olhamos a realidade (embaixo do pano, aquilo que ninguém ousa dizer), surpresa: pseudo mudanças feitas para todos acabam nas mãos de uns poucos, a saber, a classe clerical. Os “avanços” da igreja têm o vício de produzir em outro nível uma estrutura injusta, sem acesso aos excluídos, sem alcançar a todos.

Uma igreja que se diz cristã não deveria esforçar-se pela busca de maior igualdade entre os homens, expressando essa busca na opção pelos pobres, injetando recursos substanciais em projetos sociais de lugares carentes? Confessemos de uma vez por todas: a igreja “evangélica” não quer a pobreza, muito pelo contrário e, é a partir dessa convicção arraigada (terror de profetismo, nojo de gente pobre), que ela faz escolhas, independentemente do fato de que Deus se coloca ao lado dos pobres, tirando a razão dos tiranos que a igreja adora bajular por puro interesse e os demarcando (os tiranos) como malditos (Mt 25,41; cf Lc 6,24-26), o que também amaldiçoa a igreja, contudo: por que se preocupar com isso, já que o Diabo “é o outro (pobre e analfabeto)” e o céu de brincar para ver quem mais se estasia na existência é aqui e agora, não é verdade? Odeio amar teologia! Vassum Crisso! Con-ti-nua, viu!!

(Ins-pirado na obra de Torres Queiruga – Creio em Deus Pai)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Como nasceu nosso planeta

Sinopse modificada

O planeta Terra é único. Um imenso globo de rocha com quase 40 mil quilômetros de perímetro. É um refúgio (há quem o chame de estufa de angustias..). Com 1/3 de terra, 2/3 de água e atmosfera rica em oxigênio, é o único lar de criaturas vivas, conhecido no universo. Mas esse oásis azul e verde nem sempre foi tão acolhedor. O planeta tem cicatrizes de um passado traumático. Um passado de condições extremas e de catástrofes espetaculares. Em um período de quase 5 bilhões de anos ele foi mudando de feição, um mundo de fogo, um mundo de gelo, de mares violentos e céus venenosos. As formas de vida que hoje vemos, são os "felizes" sobreviventes de uma longa série de extinção em massa. Nesses últimos 200 anos, os cientistas vêm explorando o planeta e desvendando seus segredos (fato que em parte ajuda a explicar a “demência”-vital que inventou e manteve a teologia pré-moderna), fato que também ajuda a explicar porque os atu-ais teólogos modernistas, neos ou sei lá mais o que, travavam batalhas metafísicas com diabos e demônios, até bem poucos anos atrás, ajuda a compreender porque o discurso mudou: razões mercado-lógicas, narcisistas, entre outras. As notáveis descobertas que fizeram (os cientistas), levam-nos hoje a poder contar uma história mar-av-ilhosa e aterrorizante ao mesmo tempo, a história de como nasceu nosso planeta, o que inevitavelmente excita curiosidades - desperta terrores ontológicos, obriga a indagar sobre quem somos, de onde viemos e para onde estamos indo. Veja o documentário, aproveite  e peça a seu Guru-psicológico, vulgo psicólogo, se tiver algum, respostas as questões fundante acima e então comprovará que ele está tão f... quanto você, ou melhor, perdido - tão a mercê da sucção final quanto nós todos. Não 'viva' sob coberturas apostólicas, psicológicas e outras. Acorde, levante, tome um café com seus amigos ver-dadeiros antes que a esfera verde e azul se acabe ou acabe conosco! Odeio amar psicologia! Vassum Crisso.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sobre Mortos-Vivos

Sobre Mortos-Vivos
Miguel Garcia

A tot-ALL-idade sobre a verdadeira condição do animal humano no planeta é árdua de recapturar. Quem não folga com a idéia de ambientes seguros, perfeito deleite – gozos orificiais diversos, curtir a vida, quem?
Amamos culpar outros por nossa sorte, pobres outros: tão patéticos, a despeito de quaisquer privilégios momentâneos.
Multiplicamos nossos males e doenças por prazer. Somos mestres inventores de necessidades horríveis, duvidas vergonhosas, gozo a qualquer preço, chafurdamos na luxúria, devoramos as noites, amamentamos balburdias em nosso interior e delas não abrimos mão por nada. Quem seria louco para lançar fora a mentira vital, auto-tapeação - auto-engano-nosso-de-cada-dia? Por que alguém deveria fazer algo assim como abrir-mão se a coisa é protetora?

Como possuir a terra?
Como eu vou beber o mar,
Sem eu ter que ir à guerra,
Sem sofrer, sem me afogar?
Como penetrar o Sol,
Se sou frágil
Sou paiol?... Miguel Garcia (Clara)

Quem ousaria encarar o Sol sem temor, a imensidão azul, o planeta feroz, ou mesmo um belo rosto humano - os olhos?
A mentira do caráter é nosso abrigo contra a contemplação, nosso único refúgio contra o simples e o claro. Quem sairia da proteção do obscuro de tudo, inclusive da religião, para se expor inerte, ao ar ensolarado do real – à nudez de tudo?
A ironia da condição humana é consistir nossa mais profunda necessidade em livrar-nos da angustia da morte e do aniquilamento; mas é a própria vida que desperta essa sensação, por isso temos que nos abster de estarmos completamente vivos, daí o porquê de morrermos vivendo, daí o medo da morte e da vida, daí sermos tão vulneráveis ao fascínio de fuller’s (patrões) 'poderosos', daí a obsessão pelo trabalho-vacina-diária-contra-a-loucura-do-hospício, daí o masoquisto de ouvir sermões (a-palavra-de-zeus) gritados violent-a-mente, daí nossa submissão voluntária a opressões e abusos diversos, daí o apetite por ser torturado... Dí o embutimento simbiótico... Quanto maior a sensação de vida, mais se aguça a percepção daquilo que ameaça: morte e aniquilamento, daí que morremos res-pirando. É assim que se morre em vida! Odeio amar psicologia!

m-EU d-EU-us é Poderoso! Vassum Crisso!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Psico-deus

Psico-deus
Miguel Garcia

O homem moderno necessita de um tu para quem se voltar em busca de dependência espiritual e moral, e como a idéia de Deus se acha em eclipse, o psicólogo e Cia, O tem “substituído” – tal como o ente amado e os pais o fizeram. O tu do psicólogo é o novo Deus que tem de substituir as velhas ideologias coletivas de redenção. A pessoa não se vê capaz de bastar-se a si mesma – não é causa de si mesma e do universo, não serve como Deus, o que dá origem de um problema diabólico que transforma a figura do psicólogo num tipo de obsessão para muitos pacientes - transferência. O homem moderno acha-se condenado a buscar o sentido de sua vida na introspecção psicológica e, por isso, seu novo confessor tem de ser "a autoridade suprema em introspecção", o psicólogo. Segundo Becker e Otto Ranck, é assim que ocorre: o além do paciente fica limitado ao divã analítico e a visão de mundo ali revelada. Nesse sentido, alertam ambos, a psicanálise banaliza a vida emocional do paciente. A pessoa deseja focalizar seu amor em uma extensão absoluta de poder e de valor, e o psicólogo declara-lhe que tudo é redutível a seu condicionamento inicial e é, portanto, relativo. O individuo quer encontrar e experimentar o maravilhoso e o psicólogo revela-lhe como tudo é banal (maquinal, bio-psíquico, químico), como são clinicamente interpretáveis as nossas culpas e motivos ontológicos mais profundos. A pessoa é, desse modo, despojada do absoluto mistério de que carece, e a única coisa "onipotente" que então permanece é o homem ou a mulher que o “resolve”, com explicações (psico-"divindades"). E assim o paciente apega-se a seu psicólogo (a) com toda a força e pavor de terminar o tratamento.
Eis o psico-deus! Pro-seguem aturdidos os pecadores sem nome para isso, contribu-indo mensal ou seman-al-mente. Homens e mulheres sem gravidade disputam o axcesso às palavras "cur-ativas" - querem  'milagres" - 'salvação'. Embutidos no fascínio que seus Gurus exercem, estarão temporari-a-mente sat-is-feitos. Pense nisso como numa versão 'cientificada' do mesmo que ocorre em templos 'católicos', 'evangélicos' e outros... Pensou? É de odiar amar esse negócio - psicologia! Vassum Crisso!

Rever-berando a Lou-cura, o Pessoa, o Fernando - animal hu-mano d-esperto:


(...) Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)  FERNANDO PESSOA
Poesias de Álvaro de Campos.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sobre per-missão cultural e..

Ele via a especialização como uma limitação do campo de problemas. Especialistas raramente são versados em analises comparativas, pensava – raramente perguntam por que algo ocorre aqui e também ali – são como cegos, por vezes ávidos por guiar outros, já um generalista (termo pejorativo no mundo acadêmico), lida com uma escala de problemas mais genuinamente humanos do que especificamente culturais. Ele sabia que muitos diplomas de teologia funcionam como per-missão cultural para explicar o que não se sabe, tal como o que ocorre largamente no jornalismo.