sábado, 15 de junho de 2013

Nojo!

Nojo!

“Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...” Cazuza


quinta-feira, 23 de maio de 2013

O Brasil/“não”/é racista/“não”!


O Brasil/“não”/é racista/“não”!

O Brasil “não é racista, não”: negros de feições mais ‘doces’ e mais ‘finas’ – de ‘estampa agradável’, ‘qualidades raras e graciosas’, até podem fazer carreira como ‘irmãos de leite ou de criação’ – como ‘crias, mulangos’ e ‘moleques de estimação’ em ‘casas-grandes’-pós-modernas.
Acho importante lembrar que os negros (as) quase alforriados de outrora, permaneciam no “bem-bom” (‘paraíso terrestre’ da casa-grande), apenas de passagem, podendo ser vendidos ou retornar às durezas do eito, sem que maiores explicações lhes fossem dadas.
O Brasil “não é racista, não”, sô! Eu é que sou ‘grilado’ por demais! MG

Vassum Crisso!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Sobre o amor por Futebol


Sobre o amor por Futebol
Miguel Garcia

Toda leitura é uma releitura e não há como escapar disso! MG

Segundo o brilhante escritor C.S. Lewis, o amor deixa de ser um demônio somente quando cessa de ser um deus e ou, começa a ser um demônio no momento em que se torna um deus.
Segundo o autor, todo amor humano, em seu apogeu, possui a tendência de reivindicar uma autoridade divina. Tende a soar como se fosse a vontade do próprio Deus. ‘Ela nos diz para não contar o custo, exige de nós um compromisso total, tenta superar todas as outras reivindicações e insinua que todo ato feito sinceramente “por causa do amor” é, portanto, legal e até meritório’. 
Penso que este seja o contexto do amor que muitas pessoas nutrem pelo ‘futebol’. Um amor que se encontra em sua melhor e não em sua pior condição quando reivindica divindade e supremacia: amor “puro e nobre”, na linguagem dos antigos. 
Lewis afirmou que nossos amores não reivindicam divindade até que essa reivindicação se torne plausível. Que ela não se torna plausível até que contenha uma verdadeira semelhança com Deus, o próprio Amor. Que é possível dedicar a nossos amores humanos a fidelidade devida apenas a Deus. E que é aí que nossos amores se tornam deuses: então se tornam demônios que irão assim destruir-nos e também destruir a si mesmos. Pois os amores naturais, assevera Lewis, quando lhes é permitido que se tornem deuses, não permanecem amores. Continuam recebendo esse nome, mas se transformam na verdade em formas complicadas de ódio. Amores humanos podem ser imagens gloriosas do amor divino. Nada menos que isso, mas também nada mais. Penso que este seja o contexto do amor que muitas pessoas nutrem pelo ‘futebol’. ‘Sartei de banda-bando, rebanho ou facção (vulgo torcida)’! Ave Marias, Josés e Joões, também! Vassum Crisso

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Deus-a-existe!


Deus-a-existe!
Miguel Garcia


Espíritos femininos, fadas saltando as noites - almas leves e delicadas...
Deus-a-existe!
Personificações da graça criativa e fecundadora do existir...
Deus-a-existe!
Noivas - botões de rosas “sombrias” (Mulheres negras)...
Deus-a-existe!
Sobre-humanas, deidades, potentes, majestosas, supremas, mitológicas, verdadeiras: Deus-a-existe!
Eternas, Altíssimas, imensas, únicas, arrebatadoras, fetiches, mães dos seres, creadoras, almas dos mundos, bondades, sobre-naturais, qual Alá, Brama, Vixnu, Schiwa, qual uma Ísis, Osíris, Júpiter, um Ammon, qual Odin, Parla, Minerva, Belona, Afrodite, Vênus, qual Latona, Diana, Artemis, Febo, as Musas, qual gênios, apoteoses, endeusamentos ensandecidos:
Deus-a-Existe!

Vassum Crisso

terça-feira, 19 de março de 2013

Por que homens maduros se rebelam?

Por que homens maduros se rebelam?

Se o homem é plasmado pelo ambiente de seu lar, no convívio com os seus, como primeiro mundo de ideias que ele deve esgotar para aventurar-se ao mais amplo mundo da sociedade com os estranhos, é ali que deve procurar as origens de sua personalidade.

Enquanto somos crianças, o ambiente em que vivemos e as pessoas com as quais convivemos, fatores estes conjugados às nossas próprias características nervosas, plasmam em nosso espírito todas as leis e despertam nele todos os instintos que deverão reger a pessoa no futuro. A influência do lar, as lições de bem e de mal, que nele se aprendem, assim como a pressão moral que sobre a mente infantil os pais, e os adultos em geral, exercem, determinam o destino da criatura. Do nosso lar saímos confiantes em nossas forças morais e intelectivas, aptos ao combate diário contra as adversidades, preparados pela experiência e escudados no amor dos pais – e tudo nos sorri, porque os próprios espinhos são estímulos; mas podemos deixa-lo, também, tão esgotados já pelo choque das opiniões adversas, tão batido pelas dúvidas e pressionados pela angústia, que tudo nos atemoriza.

Deste modo é que podemos entender que homens maduros continuem a se rebelar contra atitudes recentes em suas vidas, porém que se lhes configuram típicas de outras épocas; assim também com frequência o brado de revolta, de desespero, de impotência, o ato tresloucado do suicídio (multidimensional), a incapacidade de adaptação aos padrões normais, os atentados contra as éticas sociais – são reflexos cristalizados na alma do ser humano que explodem violentamente, expandindo-se fora de tempo, irreprimível e inadiável como a fatalidade. Poucos são os homens que, dotados do poderoso microscópio de autoanálise, e gênio bastante para psicanalisar-se com inteira isenção de preconceitos, descobrem em si estas falhas de educação, esses vácuos abertos e perigosos de sua personalidade. Torrieri Guimarães

Vassum Crisso

Sobre fingimentos eclesiais


Sobre fingimentos eclesiais

"A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude"
 '
Todo hipócrita finge emular comportamentos corretos, virtuosos, socialmente aceitos'.

O que você pensaria de um grupo de pessoas cultas, brancas, ricas, bonitas e ‘evangélicas’, que resolvesse esmolar a uns poucos negros e famintos, contanto que toda a ação ‘nobre e filantrópica’ fosse filmada, fotografada e exibida nas redes sociais e jornais da cidade?

"Tenham o cuidado de não praticar suas 'obras de justiça' diante dos outros para serem vistos por eles... 2 "Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem aplaudidos pelos outros”... 3 Mas, quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita... 4 (...) de forma que você preste a sua ajuda em segredo. Mt 6:1-4

Com certeza esse comportamento é sintomático.

Com certeza o homem massa já não faz mergulhos em subjetividade. A mensagem de Jesus dançou de vez e já “não faz sentido algum” – “não cabe na economia psíquica – não cabe no mundo de ninguém”.

Vassum Crisso.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Sobre o perigo de eclipsar um patrão da igreja

Sobre o perigo de eclipsar um patrão da igreja
Miguel Garcia

A vida tem me ensinado muita coisa doce e amarga, o legado de Baltasar Gracián, idem. Minha experiência na lida com personalidades centrais da igreja provou que toda derrota provoca ódio e que “superar” um chefe eclesiástico pode ser tanto burrice quanto fatal. A questão é que ‘a supremacia é sempre detestada, em especial pelos superiores’. Quem quiser manter-se ‘res-pirando’ e conectado ao corpo das cortes eclesiais deve aprender a ocultar as vantagens comuns, assim como quem sabiamente disfarça a beleza extravagante com um toque de desalinho.
Gracián me ensinou que a muitos não incomoda ser superado em riqueza, caráter ou temperamento, mas ninguém, em especial um “soberano” líder do clero, gosta que lhe excedam em inteligência ('síndrome' de Saul?).  Trata-se afinal, do maior dos atributos e, qualquer crime contra esse atributo em especial, constituirá lésa-majestade, em outras palavras: ofenderá e ou ferirá de morte uma dessas ‘beldades’ sacerdo-tais. Os soberanos (as) da igreja fazem questão de monopolizar a erudição e tudo o que estiver ligado ao “melhor” das faculdades mentais. Os “príncipes do clero, até gostam de serem ajudados, mas não sobrepujados. Baltasar Gracián nos adverte que ao aconselhar um desses nobres-patrões-da- igreja, façamos isso como se os lembrasse de algo esquecido, não como se ascendêssemos a luz que eles são incapazes de ver. Segundo Gracián , os astros nos ensinam tal sutileza, uma vez que são filhos e brilhantes, contudo, porém, no entanto, jamais rivalizam com o sol.

Vassum Crisso

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Bem-afortunados


Bem-afortunados
Miguel Garcia

Bem-afortunados os gurus religiosos e ou psicológicos que, ‘exaltados’, sonham com a realidade mais do que a veem, que a enfeitam, como uma amante distante e apenas entrevista, com mil qualidades, mil palavras não pronunciadas, mil intenções não confessas que conspiram para a “sorte” e fortuna deles mesmos, mil silêncios que se explicarão de modo radiante e inaudito.
Bem-afortunados esses fabricantes de beleza imaginária, artesãos de bondade simulada, doutores do ideal que justifica iniquidades, demiurgos do bem-estar de si próprios, outra vez lhes digo: bem-afortunados! 

Vassum Crisso

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cans-ativo

Cans-ativo
Miguel Garcia

No tocante a não ter onde reclinar a cabeça sinto-me por demais parecido com o Nazareno. A semelhança entre nós limita-se a essa desventura em comum, pois ao contrário de mim, Jesus jamais deixou-se enredar por religião que dominasse palavras mortas e se perdesse do espírito daquilo que é meramente simbólico. Era no silêncio e na meditação que Jesus reencontrava a palavra de Deus.  MG - Vassum Crisso

“Paz, Paz”... “Vida leve”... Humanidade plena e blá, blá, blá de intelectualistas entrincheirados‘! Tem ossada humana embaixo desse jardim de ideias’...

“Paz, Paz”... “Vida leve”... Humanidade plena e blá, blá, blá de intelectualistas entrincheirados‘! Tem ossada humana embaixo desse jardim de ideias’...


‘Eu estudo o holocausto há anos. No inicio, estava mais interessado nas vítimas: queria contar sua história e o que acontecera a elas.
Com o tempo, vi que não poderia contar a história das vítimas, sem contar a história dos assassinos e, fiquei fascinado, não pela falta de humanidade dos assassinos, mas pela humanidade deles.
Se todos os assassinos (as) fossem sádicos e demônios malignos, o mundo estaria mais protegido das implicações do holocausto, porque, não diria que homens e mulheres comuns, dadas as circunstâncias extraordinárias, podiam se tornar assassinos (as) sistemáticos.
Para entender que eles tinham ‘algo de Auchivtz’ - uma parte de si que era uma máquina de assassinar e um lado que podia flertar com as moças; trocar ideias com os colegas; se divertir e relaxar, isso representa um desafio humano para nós, porque significa que homens e mulheres comuns, são capazes de cometer os atos extraordinários, terríveis e cruéis – de fazer coisas horríveis.' Michael Berenbaum, Ph.D – American Jewish University


Nossas histórias ainda não foram contadas (a história dos que perderam), mas isso não quer dizer que jamais serão.
A clandestinidade virou norma de segurança ante o aparelho repressivo.
A história dos que 'venceram' está aí, muito mal contada, mas isso tem de mudar, é possível fazer com que mude.
Perdas, danos e ganhos serão içados do abismo de memórias aflitas e costurados no tecido de uma narrativa muitíssimo esclarecedora e con-tun-dente. Miguel Garcia – Vassum Crisso

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A olho nu

A olho nu
Miguel Garcia

Engravidei de a-fetos...
Enconchei...
Embuti ‘porta à dentro’...
Embrechei...
Encovei de um sentimento...
Na jarda, no passo,
no raio da terra,
no tempo de luz,
No are, jeira, na sede,
no trago e medida do seu olhar.

Vassum Crisso


sábado, 26 de janeiro de 2013

Cabeça de peixe


Cabeça de peixe
Miguel Garcia

Cadáver no freezer
Desejo nos lábios
A ausência de luz
Aperto no peito
Um ser despejado
Em osso e em pelo

Cabeça de peixe
Espaços vazios 
A vã cavidade
A coisa nascida
Carneiro castrado

O que não existe


 O não ocupado
 Andar sem destino
Boiar sem direção
Errar; propalar-se
Mulher bem vistosa
Respire sem guelras

Vassum Crisso








segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Oceânica!


Oceânica!
Miguel Garcia

Sei que uma mulher extraordinária 'permanece submersa' em você:
Algo que resplandece - um charme - um porte de deusa.
Sei que seu modo de falar e calar, assim como o todo de sua personalidade, merecem o culto de adoração que se formou ao seu redor.
Eis a 'nova' Vênus.  
Eis os contornos de uma arcaica feminilidade mani-festa-ndo-se, apesar de inter-ditos...
Eis Afrodite desfilando irresistível feito força gravitacion-ALL que a todos atrai para si.
Eis o encanto perman-ente.
Não há quem possa definir o início de um reinado Afrodisíaco e trans-parente de Etern-idade!

Vassum Crisso

sábado, 19 de janeiro de 2013

Só pra quem curte uma ‘boa comédia’:


Só pra quem curte uma ‘boa comédia’:
Aos Tartufos ou Histriões - Aos sádicos “evangeli-à-dores - Aos que aprisionam a msg crística nas garras da mentira, vaidade e ganância.
Por Miguel Garcia

A vocês que dizem o que é o bem... e por conseqüência o 'compreenderam'. Quando em seguida vão agir, vê-los cometer o mal - nega-ando e descartando gente como se fossem um vestido de debutante... 'tão amado' por um dia, mas que agora, encontra-se num brechó qualquer, sendo vendido a 1 real... 
A vocês que dizem o que é o bem... e por conseqüência o 'compreenderam'. Quando em seguida vão agir, vê-los tratando pessoas como se elas fossem uma árvore de natal em meados do dia 07 de janeiro, atirada no lixo, ainda com algumas bolas e tufos e algodão dependurados... Vê-los eugenizando feito um "pai" Abraão, que sem pestanejar, envia Hagar e Ismael  para um passeio 'sem volta' no mar de areia - ao inferno de então... Vê-los ausentes feito um estrupr-a-dor depois de liberar esperma a-bunda-ntemente... e, depois, a vítima fica lá, de pé na calçada da vida, com a 'calcinha amarrada' com fita isolante...
Que cômico infinito! O cômico infinito destes outros, comovidos até às lágrimas a ponto de, como suor, elas lhes caírem a cântaros, capazes de ler ou escutar horas e horas o quadro da renúncia a si mesmo, todo o sublime de vidas sacrificadas à verdade – e que um instante depois, um, dois, três, uma pirueta, os olhos ainda mal secos, e ei-los que já se afalfam, segundo as suas pobres forças, a ajudarem ao sucesso da mentira!

Ainda o cômico infinito de um discursador, que, com a verdade do acento e do gesto, comovendo-se, comovendo a outrem, faz calafrios pela sua pintura da verdade e desafia todas as forças do mal e do inferno, com um aprumo de atitude, um topete do olhar, uma justeza do passo, perfeitamente admiráveis – e, cômico infinito que ele possa quase logo, ainda com quase toda a sua atitude, escapulir-se como um covarde ao menor incidente!

O cômico infinito de ver alguém que compreenda toda a verdade, todas as misérias e pequenezas do mundo etc., que as compreenda e seja incapaz de reconhecê-las! Visto que, quase no mesmo instante, esse mesmo homem correrá a envolver-se nessas mesmas pequenezas e misérias, para delas tirar honras e vaidade, ou seja, reconhecê-las.

Oh! Ver alguém que jura ter se dado conta de como Cristo caminhou sob a aparência humilde de um servo, pobre, desprezado, objeto de escárnio, e, como dizem as Escrituras, sob os escarros, e ver esse mesmo homem ocultar-se cuidadosamente nesses lugares do mundo, onde se está tão agradavelmente, aninhar-se no melhor abrigo. Velo fugir com tanto receio como que para salvar a sua vida, a sombra da direita ou da esquerda, da menor corrente de ar, vê-lo tão bem-aventurado, tão celestemente feliz, tão radioso, transbordando gargalhadas-Fiodoristicas – sim, para que nada falte ao quadro, é-o a tal ponto que sua emoção o leva até agradecer a Deus – tão radioso pela estima e pela consideração universais! Quantas vezes não disse comigo em tais ocasiões: Kierkegaard, Kierkegaard: Socorro, Kierkegaard!!!! 

Será possível que pessoas assim se deem conta daquilo que elas mesmas afirmam darem-se conta?

Tanto saber e compreensão permanecendo sem ação sobre a vida dos homens, mulheres e crianças, vida na qual nada se manifesta do que compreenderam, antes pelo contrário! Frente tal discordância, tão triste quanto grotesca, exclama-se involuntariamente: "mas com que diabo, é possível que eles tenham compreendido"? Aqui o velho ironista e moralista responde: "não te fies nisso, meu amigo, eles não compreenderam, de outro modo a sua vida exprimi-lo-ia, e os seus atos corresponderiam ao seu saber".

Tantas aulas brilhantes que quase sempre me frustram, não por serem brilhantes, mas por serem aulas metodologicamente expositivas e não discursivas, eliminando abordagens indagativas: “senta que lá vem história!”.

Tudo é quimera! O Cristianismo está deturpado e os ensinamentos de Jesus esquecidos e destruídos!

Adaptado da obra de Søren Aabye Kierkegaard, para "azar" de quem leu!

Vassum Crisso 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

‘Não dá pra ser feliz’!



‘Não dá pra ser feliz’!
Por Miguel Garcia

“Eu te vejo sumir por ai
Te avisei que a cidade era um vão
Dá tua mão!  
Olha pra mim!
Não faz assim:
Não vai lá, não! (Chico B.)

Bem-aventuradas as crianças, porque não sabem a razão daquilo que desejam.
Bem-aventurados os adultos que, tal qual as crianças, caminham vacilantes e ao acaso sobre a terra, sem saber de onde vêm nem para onde vão! Agem sem objetivos determinados e deixam-se governar, como os infantes, por meio de biscoitos e vara de marmelo.
Bem-aventurados aqueles que vivem sem pensar no futuro, como meninos e meninas, 'passeando, despindo e vestindo suas bonecas'; aqueles (as) que 'rondam respeitosamente em torno da gaveta onde a mãe guardou os doces' e, quando conseguem agarrar, enfim, as cobiçadas guloseimas, devoram-nas avidamente e gritam: “Quero mais!”, eis as criaturas ‘felizes’!
Bem-aventuradas também as pessoas que dão nomes pomposos às suas fúteis ocupações, e até mesmo às suas obsessões, fazendo-as passar por proezas colossais destinadas à salvação e prosperidade da humanidade. Tanto melhor para os que podem ser assim!...
Mas aquele que humildemente reconhece o resultado de todas as coisas, vendo, de um lado, como os donos na terra: ‘brancos’, ricos e ‘bonitos’, sabem cuidar dos seus jardins e deles fazer um paraíso, e, de outro, como o miserável, levando ofegante o seu fardo, segue o seu caminho sem se revoltar, aspirando ambos, igualmente a ver por um momento mais a luz do sol: ‘não dá pra ser feliz’!  
(Ins-pirado nas invenções do poeta Goethe)

Vassum Crisso

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Eu por mim mesmo

 
Eu por mim mesmo
Miguel Garcia
 
Foi preciso ler parte do meu passado como um insulto para me dar conta de quem sou hoje em dia. Não foram poucas as demo-nstr-ações de arrogância, escarro nos lábios, daqueles (as) que se julgam superiores, daqueles (as) que se consideram nascidos para dominar. Dei-me conta de que minha vida foi palco de múltiplas invasões, dominações, tutelas, não apenas como se faz geograficamente ou ao corpo, mas também, num sentimento... Eu, território ocupado - ambiente 'devastado' e 'reduzido à solidão'. Carrego em mim as memórias dessas in-felicidades e, chego a me dizer, em algumas noites tristes, que, se não tivesse minha fé, talvez eu não fosse mais do que a memória de minhas infelicidades. Quando o desamparo e o sofrimento insistem em invadir e humilhar uma pessoa, é aí que mora a chance de nos tornarmos quem somos de verdade. No silêncio e na meditação dou-me a chance de entrevistar a mim mesmo... Eu, senhor das minhas luzes e trevas... Vassum Crisso

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

LAMENTO NEGRO

LAMENTO NEGRO
(fragmento)
Eduardo de Oliveira



Eu sinto em minhas veias
o grito dos cafezais.
Enxergo em minhas mãos a sombra
dos meus irmãos
vergastados pelo chicote
dos senhores da terra.
Aqueles que carregam o Brasil nas costas
não têm túmulos
nem legendas;
seu sono não é velado,
seu nome ninguém conhece.
Hoje eles seguem a sina
de uma sorte inglória...
de um destino obscuro.
Como as grandes noites
que se debruçam no parapeito
do tempo, para espiar o mundo,
a minha raça vem contemplando
e trabalhando para a ventura alheia,
debruçada na grande noite
do desespero.
Hoje, se o progresso despeja-se
pelos jardins do meu tempo,
a Pátria que agora é minha
chora prantos de café.
A pátria de hoje
É um pedaço de tristeza
e de soluço dos meus avós,
atirada pelas tumbas sem legendas.
Os meus ancestrais
foram vassalos dela...
escravos dela
e se esqueceram de viver.
A grandeza da minha terra
tem seus pés fincados
na alma da minha gente,
na fome da minha gente,
oculta nos presídios,
nos mocambos, nas favelas,
na hemoptise que escreve com sangue
a sorte da minha raça.
Não mais farei versos bonzinhos
para o agrado dos meus novos senhores.
Escuta, "Capitão do Mato":
Daqui por diante
só cantarei o destino da gente
que estua em meu sangue de negro.
Meu poema terá o gosto amargo
do desespero do meu povo.
(...)
Se a turbulência das praças
arrastarem as multidões
amotinadas pela fome
lá estará o meu grito de rebeldia.
Ser negro é sentir a pujança telúrica
das raças infelizes.
Senzalas, ritos, cafezais
são símbolos de ontem
que relembram escravidão.
Favelas, salários, sindicatos,
são emblemas de agora, chicoteando
o rosto de meus irmãos. (...)
[De Banzo, 2a. ed. São Paulo: Obelisco, 1965.]