sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Can-"sei"

Can-"sei"
por Miguel Garcia
Fragmentos de um texto de Caetano Penna Franco rebatizado

Tem-se a dialética como a esgrima intelectual para se ficar com a razão ao disputar. Resta-nos a lição de Artur Schopenhauer: “entre cem pessoas talvez haja uma com quem vale a pena "disputar”- interagir dialogicamente. Aos restantes deixemos falar o que bem entendam, pois, não ter juízo é um direito humano, e, como afirmou Voltaire, a paz é preferível à verdade e por último conforme anuncia um ditado árabe: Da árvore do silêncio pendem os frutos da paz, afinal é no silêncio que melhor se reponde aos que tanto falam.
Minha conclusão:
Não ter juizo é um direito humano. A paz é preferível à "verdade". Cada maluco pense e fale o que bem "entenda", can -"sei".

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

So-mente para curiosos 2

So-mente para curiosos 2
Miguel Garcia
Vez por outra, alguém me pergunta: como vai indo Lavras? Na maioria das vezes, segundo meu "julgamento", sem interesse real de ouvir a resposta.
Viver no interior de Minas quando não se é mineiro, viver como um “de fora", conforme a definição que alguns lavrenses utilizam para discriminar “turistas, visitantes, moradores flutuantes e de outros estados, não é bem uma “diversão” pra ninguém, menos ainda “liderando” uma igreja decidida em manter-se cristã em sua essência e atuação, cristã, não necessariamente “evangélica”.
Não raras vezes, um embate terrível se dá contra a esperança de quem deseja salvaguardar o mínimo de integridade no mundo de hoje - manter-se humilde, responsável, pensante e aberto, uma vez que me parece inconcebível que o mistério caiba no vão de conceitos fixos e acabados. Conclui que uma fé que deseja ser adulta apoia-se no realismo, sendo que o mesmo exige não menos do que o máximo da estrutura de alguém, por vezes, que se beba o cálice amargo do anonimato, descaso, traição, ingratidão, rejeição, abandono, difamação e por fim a pena máxima e capital do mercado: não consumo e descarte (o futuro dos usados).
Nossa esperança é levarmos a bom termo aquilo a que nos propusemos no exercício pleno de nossa liberdade e militância em prol do Reino de Deus, afirmados e apoiados que estamos na graça e amor incondicionais do Deus Emanuel.
Se você é uma dessas pessoas curiosas para saber 'com vai indo Lavras' - como são as “coisas” no Sur de Mins – a lógica predominante que impulsiona: se você quer uma chave que abra a porteira para a compreensão do espírito da mineiridade, eu recomendaria o filme DOG VILLE, do genial cineasta dinamarquês Lars Von Trier. Quem sabe mergulhando de cabeça na percepção compartilhada do real em DOG VILLE, buscando saberes e significados na transparência dessa importante obra de arte, quem sabe um “encontro”, ou até um “reencontro” com o Tom e com Grace de cada um de nós produza a Fiat lux, quem sabe a conduta dos desesperados habitantes de DOG VILLE, revele algo que ajude na compreensão do mistério que insiste em pairar sobre a mineirice e seus desdobramentos.

Resignificando a prostituição

Resignificando a prostituição
Por Miguel Garcia

“...O grande conquistador veneziano Casanova, mestre incomparável dos segredos da sedução, abre o jogo em suas Memórias. Com nove da cada dez mulheres que conseguiu seduzir, ele confessa, foi o manejo habilidoso do dinheiro que abriu as portas do triunfo – o dinheiro pelo que ele simboliza e por tudo o que proporciona de doce e amável.”
(Texto de Eduardo Giannetti ab-usado por mim).
Pois é! Ao que "tudo" indica, o dinheiro abre portas, pernas, bocas, "janelas celestes", quase de tudo, só não abre olhos e corações mercantilistas, só não produz o "milagre" de ser e amar. (Miguel Garcia)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Mental-idade Canina

Mental-idade Canina Rrrrrr...
Miguel Garcia

A Mentalidade Canina extrapola a condição dos Canis lupus familiaris ou cães domésticos estendendo-se à típica maneira de ser e agir dos religiosos, "indivíduos" esses últimos que, sob certo ponto de vista, até que enxergam bem alguns fatos da vida e da narrativa Bíblica, mas não seus significados. Esse tipo de “gente”, costuma ter razão quando afirmam terem examinado todos os fatos captaveis por sua “canis-lupus”-estrutura, e, em sendo esta a situação, nada mais existi, exceto o significado não percebido na parcial contemplação de realidades inferiores.

Um indivíduo ou grupo de indivíduos com tal estrutura mental, digo, a de um quadrúpede (obstinado) carnívoro (devorador de intervenções sobrenaturais fabulosas), consegue a façanha de ser, no que tange aos dados “objetivos” que eventualmente consiga “enxergar”, não mais do que como um animal – um sub-humano.
Em uma de suas infinitas ilustrações geniais, C. S. Lewis fez um comentário que encaixa-se como uma luva em meu argumento aqui:
“Com certeza, você já notou que a maioria dos cães não compreende quanto você aponta alguma coisa. Apontamos para um pouco de comida no chão: o cão, em vez de olhar para o chão, cheira nosso dedo, nada demais. Em seu mundo, tudo é fato; o significado não existe. Numa época em que predomina o realismo factual, encontramos muita gente que se induz deliberadamente esse tipo de mentalidade canina.”
Infelizmente, segundo o que sou forçado a concluir neste ensaio, a mentalidade canina por fim encerrará logo após fácil captura: "domésticos" ou "selvagens", porta-dores de “pedigree” acadêmico ou simples “vira-latas”–auto-didatas-incompetentes-por-conta-própria, todos, sem exceção, em camaras de angustias, neuroses e terrores sufocantes da "alma" - negatividade existencial, o que considero ob-via-mente um lamentável desperdício.

Concordo com o Giannetti quando ele diz que é difícil saber o que torna alguém mais retrogrado – não conhecer nada exceto o “passado”, ou nada exceto o “presente”.
Não mexe comigo que eu também mordo hein!!! Rrrrrrrr...Auauauau..

sábado, 24 de janeiro de 2009

Melô da Nina
Miguel Garcia

Nina "neném":
A Cuca vai chutar!
Papai é a Cuca,
Melhor não provocar.
Bicho chatão
Não suba no estofado
Não faça cocôzinho
E xixi pra todo lado
Se isto acontecer
Deus que te proteja:
O Papai te recheia
E assa na bandeja
Nina meu bem
Vê se não vacila
Papai está armado
É ótimo na mira
Não vá para a cozinha
Não pule em cima dele
Não faça baguncinha
Ou vai se ver com ele
Niináa!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Cá entre nós!

Cá entre nós! 
Ao Paulo


Grato pela fertilização de idéias - observação compartilhada da experiência - produção e percepções de "novos conceitos".
Agradeço por ajudar a cumprir um de meus objetivos com a publicação dos textos nesse Blog: ampliação da percepção cooperativa do real através do “diálogo”, o que, segundo espero, desemboque em fecundação mútua.
Minha proposta aqui não inclui chegar a sínteses nem à tomada de decisões. Meu propósito é exercitar novos modos de ver, sentir e criar significados em conjunto, até por que, segundo o que absorvi dos escritos de Eduardo Giannetti em seu livro Auto Engano, a natureza em sua totalidade, assim como a história, é um reservatório inesgotável - um manancial de fatos, processos e acontecimentos com os quais se pode provar praticamente o que quer que seja ou o seu contrário, longe de mim enveredar por descaminhos.

Sem pa-Lavras que dêm conta de exprimir minha profunda satisfação por sermos amigos, irmãos e tudo mais que o amor permitir,

Com meu carinho,

Miguel Garcia

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

De Deus e da vida!

De Deus e da vida!
Miguel Garcia

Ando com medo de me tornar mais um “santo” da igreja.
Lembro-me que esse sentimento teve início assim que li um texto do senhor Paulo Brabo no Bacia das Almas - http://www.baciadasalmas.com/?s=teologia+atividade+de+quem+n%C3%A3o+faz+sexo

Em poucas, afiadas e perturbadoras linhas, o senhor Brabo afirmou com clareza que escrever teologia é tradicionalmente a atividade de homens que não estão fazendo sexo. O problema é que de pronto concordei com a lógica proposta por ele, daí que minha angustia teve digamos, um inicio mais consciente.


Conclui que escrever teologia sempre acontece logo após sonhar muitas vezes essa "disciplina", após desejá-la ardentemente, prestar-lhe culto, persegui-la por onde quer que ela vá, divinizá-la como a uma deusa, inflamar-se, deixar-se possuir, mumificar-se por seus "poderes mágicos".

Penso que tenho motivos de sobra para estar preocupado, uma vez que sou fascinado por teo-lo-®gias e afins, desde menino, a ponto de talvez ter posto em risco alguns dos meus traços mais humanos, urgentemente primitivos e causadores de felicidade.


Não fossem os antídotos para o veneno religioso que tenho sorvido em Paulo R. G., Torres Queiruga, Jon Sobrino, Moltman, Boff, no próprio Brabo e muitos outros, temo que estaria em situação ainda mais "impotente" do que a que me encontro agora.
Embora eu já estar certo de quem ama quer comunhão, seja com Deus, com os amigos, ou no amor sexual. De que a Bíblia compreendeu a força do amor afetivo, erótico e sexual como símbolo para evocar o amor de Deus e sua presença felicitante na vida humana. E ainda, de que infelismente, a igreja, muitas vezes, "demonizou o amor sexual, induzindo à impressão de que Deus hostiliza seu gozo e deleite", perdendo ocasiões para fazer uma evangelização, a partir dessa realidade, e mostrando a transparência de Deus.
"Em qualquer lugar em que se anuncia algum tipo de amor, podemos experimentar o Divino e entender a razão da vida". Paulo Roberto Gomes - O DEUS IMPOTENTE.
Ando com medo de me tornar mais um “santo” da igreja. Deus me livre de tal maldição!
Arreda de mim "Satanás", esse corpo não lhe pertence!
Sou de Deus e da vida!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Trier, fruto da amizade!

Trier, fruto da amizade!
Miguel Garcia
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Ainda ontem me vi em "estado hipnótico" ante o filme EUROPA, de Lars Von Trier. Já havia me encantado por Dog Ville e Manderley (duas poções mágicas), ambos obra desse notável "feiticeiro" dinamarquês.
Devo a beatitude de ter "sorvido" esse néctar (Lars), devo esse prazer sem medida - essa aventura extasiante, ao meu amigo Paulo Cruz http://paulopoeta.blogspot.com/, um poeta de primeira água - esbanja agudeza de espírito e bom gosto, foi ele quem indicou-me o primeiro filme do Lars (Dog Ville), foi ele o responsável por eu ter assitido o Europa no conforto da minha aconchegante sala de TV, junto à minha família:
Grato PC meu irmão, sua amizade é redentora de mim!
Caso alguém queira conhecer um pouco mais sobre esse genio da arte cinematográfica (Lars Von Trier), pode confirir a biografia e os projetos dele no seguinte Blog:
Trier aconteceu pra mim como o fruto de uma doce amizade!

Sobre o mal e o sofrimento

Deus não está do lado do sofrimento ou do desastre, mas sim do sofredor e das vítimas. Não está do lado da miséria ou dor, mas sim do miserável e doente. Seu desejo é salvar da angústia e do medo, sustentar e apoiar os aflitos e oprimidos para que Sua graça e amor incondicionais transbordem em forma de vida e alegria que não caibam em si.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Daqui não saio!

Daqui não saio!Miguel Garcia

A religião tem o poder de desapropriar da vida um sujeito - desapossá-lo das terras do bem viver, pisotear suas plantações de coragem e ousadia que, sujeitas a condições normais, frutificam erradicando, na medida do possível, o sofrimento e o mal e também integrando aquilo que não pode ser mudado momentaneamente, salvaguardando o sentimento de gratidão pelo dom benfazejo do existir.
Religião em meu entendimento, é sinônimo de ameaça à ternura, à delicadeza, à própria essência humana, é algo que violenta em nome da bondade amor e justiça.
Em resposta a toda essa opressão violenta (religião), inúmeras vezes travestida de piedade , e, ao mesmo tempo, em celebração à minha teimosa fidelidade a Terra, canto e danço uma marchinha de carnaval ante meus opressores, ainda mais porque segundo creio, a ressurreição de Cristo "está aí", reafirmando até mesmo as banalidades da existência, libertando do medo e da angustia através do puro amor e proclamando que o Deus-encarnado (Emanuel) não é adversário de projeto humano algum, quer que todas as famílias da terra sejam benditas.
Daqui não saio
Daqui ninguém me tira
Daqui não saio
Daqui ninguém me tira
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Aos que insistem em permane-c(s)er fora da festa e alegria do existir, a saber, aos autores de determinadas organizações eclesiásticas, engendradas por hábeis teólogos e devidamente codificada pelos chefes hierárquicos das mesmas, aos que operam tudo em detrimento total da vida livre, solidaria e fraternal - do humano, eu suplico:
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Basta! Pelo amor de Deus, deixem que vivamos em paz!
Não queremos seus conselhos ou "mensagens de esperança".
Aceitamos Cristo e o Evangelho do amor e graça incondicionais, contudo, rejeitamos o cristianismo que a ilusão, loucura, ganância e ambição de vocês insiste tanto em nos oferecer, ao mesmo tempo que nos expulsa dos assentamentos da vida.
Pelo amor de Deus!...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Deus é Mãe! Ave Marias! Alô mãe, minha Deusa: Te amo!

Cada criança é um milagre - um Cristo salvando o "mundo" que a rodeia! (Miguel Garcia)
Assista o documentário da diretora carioca Sandra Werneck.
Veja detalhes sobre esse importante trabalho no endereço abaixo:
http://cinema.uol.com.br/ultnot/2006/05/04/ult26u21441.jhtm

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Fora de mim

Fora de mim
Miguel Garcia

Sabe aquela essência de você, aquela realidade, aquele primitivo, aquilo não relativo que foge de todo e qualquer espelho acidental?
Sabe aquela substância positiva, aquele substrato de ser que desespera?
Sabe aquele pedaço intangível de você, aquela divindade fóbica e muda que jamais permite ser confrontada, negada ou esquecida? Sabe aquele olhar que persegue e vigia? Sabe todo esse tudo, essa presença incorpórea, porém quase física? Sabe esse sábio, isso? Ao que me consta já partiu. Parece que estou fora mim.

domingo, 4 de janeiro de 2009

A gente vai.. não para nunca...

A gente vai.. não para nunca...
Miguel Garcia
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Já ouvi alguém dizer que chata é a pessoa que tenta explicar quando perguntada sobre se ela está bem. Vez por outra sou interrogado nesse mesmo tom e rítmo de assuntos aleatórios: E aí Miguel, como vai Lavras?
Confesso que já tive vontade de "rebater": Seja mais específico(a) por favor; Está como sempre esteja uái; Você não espera que um desempenho messiânico da parte de minha família-nada-poderosa altere o perfil do sul de Minas no prazo de um ano, dois ou mais não é mesmo, ou é? Você que perguntou, está com tempo? A cidade de Lavras tem cerca de 140 anos... Antes de eu responder, fale-me dos seus ideais, sua visão de Deus e do mundo...; ou ainda: Você está certo de querer ouvir a resposta?
Mas, porém, contudo, não querendo ser áspero com quem por ventura nutre um interesse sincero sobre o andamento das “coisas” no Sur de Mins – da gente de lá, comunidade Betesda, minha família, etc, eis aí uma resposta minha bem resumida:
A gente vai de dengue-em-dengue, pelas picadas da vida... a gente vai queimando de febre e também de paixão por nada em especial e por tudo, queimando de amores pelos despossuídos, descamisados, sem teto, famintos, doentes, ..."perdidos" de Deus e de si mesmos, espelhos de nós, bestializados por um sistema perverso à limites extremos, insuportáveis, uma gente que mal sabe o significado da palavra liberdade - instintivos, vegetativos por demais... a gente vai morrendo de medo e angustia, certezas e duvidas - muitas duvidas, a gente vai vivendo de fé e esperança, a gente vai torcendo pra poder acordar e aprender a ser humano, amar... a gente vai levando a bandeira a fé no Emanuel (Deus lado-a-lado) que se compadece de todos e vai por todos os caminhos do homem ou mulher... A gente vai, não
para nunca...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Refle-tido

Refle-tido
Miguel Garcia

Lavras é como uma poça de água "parada", povoada por seres “minusculos” labutando dia à dia pela sobrevivência.
Lavras é como uma "cova" natural, larga e não profunda, onde, de um ano para cá, represamos esperanças nascentes, regas de solidariedade e fraternidade.
Lavras borbulha imperceptível por demais para ser notada.
Lavras é a "depressão" que inspira uma excessiva admiração em quem contempla a si mesmo ao ser por ela refle-tido.

Sem mais pa-Lavras!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

P(r)o(f)eta Gil

P(r)o(f)eta Gil
Miguel Garcia
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Queiruga e Sobrino são "artistas" de boa estirpe, contudo, jamais esqueçamos que a arte do Gil sempre fez muito mais do que apenas encher cabeças vazias, ela fez e faz amor com o corpo inteiro de quem ainda é humano.
Esse milagre baiano, essa be-atitude brasileira em pleno estado de graça, manifesta-se ao pé do ouvido, à mão de olhares, à flor da pele negra e colorida, en-gra-vida de beleza, transparece a formosura divina.
"...Minha alma cheira talco como bumbum de bebê"... Esse dom encarnado (Gilberto Gil) pai-rava absoluto em conceitos e emoções do "teísmo aberto", a muito, enquanto psêudos "pensa-dores evangélicos" agiam como cabeças de ponta de importações exdrúxulas - enlatados não nutritivos a boa harmonia com Deus e o mundo, enquando seviciavam e infantilizavam mentes e corações singelos com falsos "oráculos" e maldições edipianas sem sentido. "O inferno, fora daqui! Lá, lá lá..."
Reverências ao Gilberto bendito e ao povo negro desta terra que sofre e sobre-vive apesar das " forças poderosas - armas engenhosas que desejam ver o fim de grande amor"...
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Palco
Gilberto Gil

Subo nesse palco, minha alma cheira a talco
Como bumbum de bebê, de bebê
Minha aura clara, só quem é clarividente pode ver
Pode ver
Trago a minha banda, só quem sabe onde é Luanda
Saberá lhe dar valor, dar valor
Vale quanto pesa prá quem preza o louco bumbum do tambor
Do tambor

Fogo eterno prá afugentar
O inferno prá outro lugar
Fogo eterno prá consumir

O inferno, fora daqui

Venho para a festa, sei que muitos têm na testa
O deus-sol como um sinal, um sinal
Eu como devoto trago um cesto de alegrias de quintal
De quintal

Há também um cântaro, quem manda é Deus a música
Pedindo prá deixar, prá deixar
Derramar o bálsamo, fazer o canto, cantar o cantar

Lá, lá, iá


quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

PROCURA-SE:

Miguel
Des-
Aparecido
Garcia

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Eu e os párias somos uns

Eu e os párias somos uns
Miguel Garcia

Não iludam seus corações,
acreditem: tudo é ilusão!
Não enganem a si mesmos!
Creiam na Sabedoria,
suspeitem do “fixo” e “acabado”,
e não dispensem o trabalho de pensar.
Na casa dos desafetos
sempre cabe mais um,
mais uma, mais uns, quase todos...
Sejam Bem Vindos!
Já faz tempo que estou no mundo,
mas isso, a poucos importa...
Quem carece de efêmeros aplausos?
Aquele que crê em mim,
viverá tal qual o que não acredita!
Eu sou um fato, um destino e um devir:
Ninguém "vem" à angustia senão por estar vivo!
Um pouco mais de tempo
e já serei silente como a eternidade,

vou para junto de meus iguais...
Quem me vê, vê a mãe que me pariu:
Eu e os párias somos uns!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Dissonância Mal-dita


Disso-n-ância Mal-dita

Miguel Garcia


“Muitos diziam mentiras contra ele, mas as suas histórias não combinavam umas com as outras”. Marcos 14.56.

“A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz”. Romanos 3.13-17

Como conter os ventos de doutrinas vãs depois do que vocês fizeram, depois de terem difamado o próprio Deus, mentido sobre a Verdade para satisfazer uma clientela ávida por novidades excitantes?
Como juntar os "fragmentos" da fama de Deus que voaram nas asas da maledicência ou tornados enganadores úteis? Não foram vocês que levaram a reputação divida à janela, a romperam com violência, dispersando a glória do Deus-encarnado?

Como restituir a humanidade pelos danos sofridos - fragelo: re-lendo as Escrituras, re-significando-a, simplismente descartando antigas práticas e discursos? E quanto ao mal irreparável que a ganância de vocês gerou nas mentes e corações? Quem terá coragem de pedir perdão para as vítimas, qual sacerdote? Quem admitirá que era Mamom o deus de sua igreja, e que esse exigiu que se jogasse o santo nome de Deus na lama, com o objetivo de fazer do Pai das Luzes um ídolo igual a todos os demais? E agora que as pessoas repelem a mera lembrança do Amor em forma humana e O desprezam sem constrangimentos?

E agora que o bom nome de Deus foi arrastado para bem longe do planeta e hoje vaga no espaço vazio, solitário e infinito do quase que total esquecimento?

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Su-posição de ataque!

Su-posição de ataque!
Miguel Garcia


Muita gente acredita que alguns oradores religiosos estejam falando a nu, quando “expõem a si mesmos”, revelando certas particularidades de suas vidas privadas (privadas parece ser um termo adequado por hora...).

Pobres crédulos gregários! Não sabem ou não querem saber que é muito acobertador falar mal de si mesmo, sobretudo quando se sabe encontrar as boas fórmulas, essas últimas, vestem o suposto sujeito penitente.

Temo que a maioria dos discursadores já não saiba o que é ser íntegro e amar. Correm atrás de “tudo” que se move, mas não por desejarem alcançar. Submersos e dissolutos, não possuem nenhuma confiança em si mesmos e quando lêem algo, o fazem no olhar dos outros.

Alguns exibem técnica impecável, astúcia incomum, carisma apaixonante e retórica embriagadora, capaz de colar multidões às cadeiras ou bancos de templos e catedrais, “ordenam” o caos das gentes a um só comando; eles, porém, permanecem de pé, de fora, incólumes, enganando sua sede de amar na transa frenética com o poder e o dinheiro, incapazes que são de um compromisso mais sério.

Após alguns “afagos” palavróricos, sentem a necessidade de irem mais longe, descobrirem-se, descobrirem outros, penetrar e engravidar com demandas fabulosas, despirem almas. Preferem andar com a reputação de fora do que com a alma a descoberto.

Participam de todas as orgias legadas pela tradição, cerimonialismos e ritualismos, sem que, contudo, revelem, nem por um instante durante as atividades.
É muito acobertador falar mal de si mesmo, sobretudo quando se sabe encontrar as boas fórmulas, essas últimas, vestem um sujeito com trajes de “transparência”.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sus-peito Aberto!

 Sus-peito Aberto!
Miguel Garcia

Tudo o que fazemos na vida não nos traz nada, a não ser preocupações e desgostos. Não podemos descansar, nem de noite. É tudo ilusão. Eclesiastes 1:2, 2:23.

Rejeito cabalmente a "pureza" da resposta das crianças, de que: “é a vida, é bonita e é bonita”... É bonita para quantos e mesmo para esses poucos, por quanto tempo?

E quanto à resposta "ter que vir das crianças":

“Então, um homem, isso não existia verdadeiramente? Raspando os ouropéis do adulto só se recuperava um menino? Então os anos só acrescentaram pêlos, a barba, as preocupações, as brigas, as tentações, as cicatrizes, a fadiga, a concupiscência e nada mais?” Éric Emmanuel Schimitt


Numa tentativa de fala adulta, sem com isso pretender ao fatalismo ou pessimismo além do que já se faz nor-“mal” e habitual, como não ter vergonha de ser feliz se 6,5 bílhões de seres humanos vagam aqui como fantasmas torturados em inferno dantesco? Não tem nada de 'bonita' uma realidade dessas: é dorida, é maldita e é maldita!

Como “viver e não ter a vergonha de ser feliz... cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz?”... Quem em sã consciencia poderia ufanar e bravatear tal afronta aos excluidos e miseráveis de todos os tempos e lugares?

Viver sujeito à humilhação, à indignidade ou à miséria físico-moral é viver?
Subsistir sem consciência de estar vivo, como em casos de lesões físicas gravemente incapacitantes, tudo isso não acaba por retirar da vida seu caráter de bem precioso?


Estamos, bem ou mal, equipados para lidar com dores e prazeres, ambos cabendo em nossos corpos e mentes, mas o absurdo, a gratuidade do infortúnio, a impossibilidade de entender por que vivemos, paralisam o centro vital do Eu e desmontam o sentido do valor da existência, de forma muitas vezes irreversível...

Vassum Crisso