sábado, 21 de novembro de 2009

Animais de bando!
Miguel Garcia


Ele enlouquecia de lucidez - lou-cura que perpassava mundos no interior de si, descortinava uni-versos que já não cabiam em sua alma atormentada. Transbordava em qualquer brancura,  nas fendas das horas ruidosas. Interrogava compulsiv-a-mente: Por que as pessoas são tão fáceis de dominar quando agem em grupo? Contagio mental e instinto de rebanho, não dava conta de explicar o que ele próprio havia feito de seu julgamento e bom senso quando membrado a grupos religiosos fundamentalistas. Gemia ao perceber que as pessoas são tão fáceis de dominar quando agrupadas, simplesmente porque se tornam crianças dependentes outra vez, cegamente seguindo a voz interiorizada dos pais, que lhes chega sob o fascínio hipnótico de um líder. No processo abandonam seus egos ao do Fuhller (chefe), identificam-se com seu poderio, tentam funcionar tendo-o como ideal.
Lembrou das características sobrenaturais e coercitivas de formação dos grupos dos quais havia participado. Patrões em geral possuem uma “personalidade perigosa, perante os tais só é possível uma atitude passivo-masoquista, a quem a vontade de cada um tem de se dobrar. Ficar sozinho com um deles, fitá-los na face, parece ser um empreendimento arriscado. Ele compreendeu a causa da paralisia que existe no “vinculo” entre uma pessoa com poder inferior e outra com poder superior. Compreendeu que o homem tem “uma paixão extremada pela autoridade”, “quer ser governado por força irrestrita” e que é esse traço que o líder hipnoticamente incorpora em sua própria pessoa dominadora. Desmaiou em espírito ante a consciência insuportável de que as pessoas, incluindo ele mesmo, tenham uma aspiração a serem hipnotizadas justamente por quererem de volta a proteção mágica, a participação na onipotência, o sentimento oceânico de que desfrutaram quando eram amadas e protegidas pelos pais. É isso que mantém um grupo reunido, pensou amargurado e destruído num primeiro momento. Os grupos nada produzem de novo nas pessoas; apenas eles satisfazem as aspirações “eróticas” arraigadas que as mesmas levam consigo inconscientemente. Funcionam como uma espécie de cimento psíquico que agrupa uma turba matizada em uma interdependência mútua e indiferente; os poderes magnéticos do líder, retribuídos pela delegação culposa da vontade de todos a ele. Submergia num mar de consciências torturantes. Lembranças honestas o fizeram pensar em como pode ser perigoso encarar certas pessoas, ou como pode ser bom aquecer-se confiadamente na chama do poder de outrem. Rememorou que não temia o perigo em tempos de outrora. Como membro de um grupo não se sentia a sós com sua pequenez e incapacidade, já que "possuia" a “força” do líder-herói com que se identificar. Uma dependência confiante no poder do líder o fazia flutuar por sobre sua frágil condição concreta. Seu narcisismo natural aflorava na sensação de que se alguém tivesse que morrer, seria sempre o outro. Imaginava vitórias contra probabilidades absurdas, afinal de contas, dispunha dos poderes onipotentes da figura do pai - dos pais da igreja, visíveis ou não. Por que é que imerso no rebanho, havia ficado tão cego e bronco? Por que exigiu tantas ilusões dando ao irreal procedência sobre o real? Seria porque o mundo real é terrível demais para ser aceito; porque ele diz ao homem que é um animal pequeno e tremulo que definhará e morrerá? Sua ilusão modificara tudo isso: o fez parecer “importante, vital para o universo, imortal de certa forma. Estava furioso consigo, pois agora sabia que as massas confiam nos líderes para lhes darem justamente a inverdade de que precisam; o líder prolonga as ilusões que triunfam sobre o complexo de castração a as engrandece, elevando-as à categoria de uma vitória realmente heróica”. Eis o custo das “experiências novas”, “expressão” de impulsos proibidos, desejos secretos e fantasias, prosseguia torturando a si mesmo. Tudo era válido no comportamento coletivo, desde que o líder aprovasse. Era como ser um bebê novamente, encorajado pelo “pai” a satisfazer-se em plenitude, ou como estar no tratamento analítico que não censura coisa alguma que você pense ou sinta. No grupo ele podia ser um herói onipotente e dar plena vazão a seus apetites sob o olhar aprovador do pai. Compreendeu finalmente o aterrador sadismo da atividade coletiva. O que poria no lugar da obediência cega, ilusão e sadismo comunitário? Como não inflar-se com a importância de sua própria vida, o que contribui para a desvalorização da vida dos outros? Como abrir mão do narcisismo que ajuda a traçar limites nítidos entre os que são como eu ou pertencem a mim e os que são estranhos ou estrangeiros? Seu desejo de conservar-se mergulhado em uma fonte maior de poder foi devastador. Meu Deus: quanta escravização, maldade e contínua loucura política e religiosa, suspirou. Animais de bando! Praguejava in-feliz, porém iluminado.

Ins-pirado no legado de Freud, Rank, Backer, Brown e outros bichos!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Atração fatal

Atração fatal
Miguel Garcia


Repreendeu-se pela loucura de ter ofertado lealdade a este ou aquele, de ter acreditado tão cegamente e obedecido com tamanha voluntariedade. Escapou de um encanto que quase o destruiu, refletiu a respeito e nada parecia fazer sentido. Como pode ter ficado tão fascinado e, por quê? As massas seguiriam seus líderes devido à aura mágica projetada por eles, que se afigurariam maiores do que a vida? Os homens adorariam e temeriam o poder, a ponto de dedicarem sua lealdade aos que o "distribuem", ou será que a escravidão acha-se inscrita na alma de cada criatura?
Maldito o fascínio da pessoa que detém ou simboliza o poder. Maldito aquele que, irradiando algo, faz com que outros se evaporem de si mesmos. Maldito sortilégio armadilhoso! Ou será que a ameaça vem dos olhos de quem observa – auras azuis ou douradas, brilho no olhar, mistificação especial? Uma atração irresistível jorra de quem se sente a-traido?
Ele interrogava a si mesmo, dia após dia: se todas as pessoas são mais ou menos semelhantes, por que ardemos com paixões tão monopolizadoras por algumas delas? Por que voluntariar-se à condição de escravo humano, agir sem objetivos determinados e deixar-se governar, como crianças, por meio de biscoitos, bolos e varas de marmelo?
Ele torturava-se, punia-se por ter sido tão intensamente ligado a esta ou aquela personalidade imantadora, por ter feito destas, o centro de seu mundo, sua alegria, energia fontal, alimento para os olhos, néctar para sua alma sedenta, algo que lhe dominava o pensamento e até mesmo os sonhos. Será que distorcia o mundo para aliviar seu desamparo e seus temores? Será que ampliava as dimensões deste ou daquele, para vê-los maiores do que a vida, assim como a criança vê os pais? Ele não suportava a culpa por ter sido tão dependente, ter buscado proteção e força fundindo seu destino com o de “pais e mães” da "igreja" e de outros “lugares”. Viu as coisas como “bem” desejou para sua própria “segurança”. Agiu automática e acriticamente como fazia em seu período pré-edipiano. Rendeu-se passivo a um poder “superior”, caiu em estupor instantâneo e obedeceu como autômato as ordens de um “estranho”. Foi apanhado como que por encantamento, pois ignorava a disposição de sua própria alma para ser escravizada. Ele queria crer que, se perdia sua vontade, era por causa de outrem. Mas acabou por admitir que essa perda de vontade era algo que ele levava consigo como um anelo secreto, uma disposição para reagir à voz e ao estalar de dedos de outro. Por fim desmaiava ante a consciência de que sua auto-suficiência era apenas imaginária - mais uma farsa, assim como a livre auto-determinação, julgamento e escolha independente. Compreendeu o porquê de também ter aderido à moda de filmes que contam histórias de vampiros, algo ligado a medos reprimidos veio à tona: a angústia de perder o controle, de ficar completamente sob o fascínio de alguém, de não estar realmente no comando de si mesmo. Um sermão expositivo, uma canção "ingênua" - circular - repetitiva e "misteriosa", uma boa dose de in-fluência feminina, pode levar um sujeito a perder-se para sempre. Abandonado em seu inferno existencial ele mal podia acreditar no que havia a-con-tecido  - no que "fez" de si mesmo, em quem havia se tornado.


Inspirado na obra de Freud, Otto Rank e Norman O.Brown, etc.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Sobre o futuro dos usados (1)

Sobre o futuro dos usados (1)
Por Miguel Garcia

“A camisinha é o sapatinho de cristal da nossa geração; você "calça" uma quando conhece um estranho, dança a noite toda e daí deita fora: perde a camisinha, é claro! Não é estranho? Comprei um vestido no brechó por um real. É um vestido de dama de honra. Alguém amou demais esse vestido, só por um dia. Como uma árvore de natal, tão especial e, depois, ela está lá na calçada, com enfeites ainda dependurados. Como uma vítima de estupro: a calcinha do avesso, amarrada com fita isolante...” Marla, do Clube da Luta..

sábado, 7 de novembro de 2009

Arapuca

Arapuca
Miguel Garcia

Sinto-me apanhado numa ambivalência atroz. Fundir-me confiantemente na sucedânea da finada minha mãe - minha mulher, nos filhos, parentes, amigos, ou mesmo no Pai do céu, o que aparentemente seria abandonar um projeto em causa própria - a tentativa de ser pai/mãe de mim mesmo. E se você abandona isso fica diminuído, seu destino não é mais o seu próprio:


“você é a eterna criança abrindo caminho no mundo dos mais velhos. E que espécie de mundo é esse, se você está procurando trazer para ele algo que é seu mesmo, algo distintamente novo, histórico universal e revolucionário?” E. Backer

Isso tudo, ou sei lá o que. Parece impossível suportar o peso esmagador dessa tal ambivalência!

Invoco uma de minhas mais importantes influências modernas, E. Backer:
"Como deve ser bom livrar-se do colossal fardo de uma vida que se modela a si mesma. Se autodomina, diminuir a firmeza com que se apega ao próprio centro, e ceder passivamente ante uma autoridade e poder mais alto – e que alegria em tal rendição: o conforto, a confiança, o alivio no peito e nos ombros da pessoa, a leveza do coração, a sensação de estar sendo sustentado por algo maior, menos falível. Com seus próprios problemas distintivos, o homem é o único animal que pode, muitas vezes voluntariamente, abraçar o sono profundo da morte, mesmo sabendo que isso implicaria em esquecimento."

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

No mundo de ninguém
Miguel Garcia

Trágico existir, odor de morte, vida enorme, o dia mal aportou.
Um hábil maldito incandesce. A vã negação de tudo...
O Corpo vergado... Quotas de angustia, culpa e desamparo,
ponto cego, fim da linha: rompeu-se o fio da ilusão
Abolir a si, vegetar de rir, não se sabe da felicidade.
Um inepto no mundo natural adoece. Dilacera a experiência de viver.
Imagens incessantes entorpecem. Cri-ativos não se movem com-finados.
Vive-se à beira da loucura, quando distante da animalidade.
Onde andará a segura programação instintiva e cultural?
Solidão é não estar no mundo de ninguém.

domingo, 1 de novembro de 2009

PresságioMiguel Garcia


O Sol abaixo do horizonte...
Reina a obscuridade.
Nas horas mortas da noite, da noite alta, vi toda uma vida se dissipando.
E no crepúsculo aturdido, sem ler ao longe ou pressentir as tenras horas da manhã regressando, des-espero.
Clara esfera, Clara e impassível - brecha no tempo infinito - sonho do existir...
Oh! Circulo de prata,
Oh! Lua dourada:
Faz brilhar paixão pra redimir da vã existência!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Caótico

Caótico
Miguel Garcia
A tez roçando a superfície do metal enferrujado - dois corpos se dissipam no tempo (dedos mortais tangendo cordas perecíveis).
A mente segue torturada. Som algum ou ruído ordenado içam a esperança submersa.
Tamanha desordem domina meus pensamentos.
Torrentes nefastas e cruéis lavariam de mim essa dor? Extasiar-me ante Deus e a humanidade bastaria? Mascarar fúteis ocupações ou mesmo obsessões doentias, confundir propositalmente essas últimas com proezas colossais, destinadas à redenção e prosperidade da humanidade, sucitaria fé em mim?
Ouço vozes, videncio, pressinto apetites vorazes e infernais se aproximando.
Hoje a sordidez irrompeu como plasma encandecente, devorando e expondo as entranhas da alma torturada - o idealismo desfez-se em chamas. Morte ao um romântico incurável!
Quando a mentira caracterológica já não socorre, segue-se desprotegido, sem a couraça que outrora vedava o nervo das percepções.
Sinto-me exposto à solidão, desamparo e angústia constante - nas garras do pavor, à deriva num mar de infortúnios - como que perdido de mim mesmo.
Sinto-me só e tremulo, à beira do esquecimento - órfão e sem coragem para renunciar ao pavor sem qualquer pavor - caótico.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Finamento.

Finamento.
Miguel Garcia

Ah! Esse Nirvana que sou! Aeróbata.
Esse projeto que sou! Imaginário, ilusório, irrisório, intencional, aniquilado.
Esse perdido, inválido - nem alma viva, coisa alguma, nem patavina, promessa, ninguém.
Ah! Essa aparência que sou!
Espectral, fantasmagórico, miragem, visão, alucinação, essa utopia, o devaneio que sou, o vácuo, o deserto, hiato.
Ah! esse acidente!
Esse verniz, essa tintura que sou – coisa postiça.
Esse emprestado, estranho, aparente, adiáforo, esse acessório que sou: des-Aparecido.
Garcia?
Ah! Essa ilha que sou!
Esse náufrago, estrangeiro, repugnância, esse apuro, contradição,
esse contraste, esse reverso - antípoda.
Essa cópia -
arremedo que sou, caricatura, essa paródia ao pé da letra - palavra por palavra,
esse reflexo vago, essa mancha que sou - ausência murmurante - aragem vagando perdida -
Fin-amen-to.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Adorável Shan Sa! Simples-mente Adorável!

"Sou esse caminho abrupto que conduz os peregrinos até as portas do céu. Estou nas palavras, nos clamores, nas lágrimas. Sou uma queimadura que purifica, uma dor que esculpe. Atravesso as estações, brilho como uma estrela. Sou o sorriso melancólico dos homens. Sou o sorriso indulgente da montanha. Sou o sorriso enigmático Daquele que faz girar a Roda da Eternidade!" Shan Sa

terça-feira, 6 de outubro de 2009

In-decência vital



In-decência vital
(Sobre o medo de amar e ser amado)
Miguel Garcia

Constatei que para alguns clérigos e ou potentados da religião, amar é por demais indecente. Não suportam ouvir que são amados por alguém em particular, embora cobicem o "amor" das multidões. Tratam o amor como domínio privado.

Penso que os patrões da igreja "têm razão". O que nos tornaríamos se nos amássemos todos? Imagine você que frequenta alguma igreja, terreiro, sinagoga, mesquita, salão: evangélico, católico, budista, cético ou outra crença qualquer, o que nos tornaríamos num mundo de amor? O que se tornariam os gurus e senhores da religião que devem seu posto à conquista, ao ódio e ao desprezo dos outros? O que se tornariam os chefes da igreja que compraram o cargo a custa de presentes e baseiam sua autoridade no terror que inspiram? Haveria inveja, escravização, negação da legitimidade do outro em convivência, competição predatória de alguma espécie, num mundo inspirado pelo amor? Haveria ainda poderosos e fracos, ricos e pobres, homens livres e escravos?

"Pastores (as)", "bispos (as)", padres e "apóstolos" - gurus religiosos ou psicológicos - ilustrados e cientificados ou singelos e supersticiosos (toscos) que vêm no amor uma ameaça estão cobertos de razão: o amor seria a destruição do mundo deles. Essa gente só verá o Reino do amor sobre as cinzas do deles.

Vassum Crisso!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sorry-Kierkegaard-ando!

Sorry-Kierkegaard-ando!
Miguel GarCia
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Senhoras e senhores estamos flutuando no espaço! O cristianismo está deturpado. Os ensinamentos de Jesus esquecidos e destruídos. A "igreja" é um refúgio para os covardes e complacentes. Desprezo os "ministros" religiosos que são falsos profetas e buscam a placidez e posições influentes na sociedade e não a "salvação" pelo sofrimento, desprezo!
A igreja aboliu o cristianismo em nome de Cristo. Para os "sacerdotes" o cristianismo não existe e no entanto eles vivem dele. "A igreja é um monopólio organizado, que administra o que pertence ao domínio privado da alma individual: a religião". S.K.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Sopro de d-eus

Sopro de d-eus
Miguel Garcia

Vida: di-amante perdido,
estr-ela polar,
meta-morfose,
cata-vento.
Vida nas vagas,

de bronze,
cambiante vida:
movediça, baixa, alta, maré.
E a lua caprichosa,
a vida flutuante, inatingível.
Adejo de borboleta,

permutável,
surto no porto a vida,
a vida?
Brutal e esfomeada..
sofrega e decadende,
estag-nada.
Restias de vida transmutada,
sem regresso a v-ida, a vida, há vida?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

De olhos longos, saudade...

De olhos longos, saudade...
Miguel Garcia
Que saudade de dizer só pra você ouvir: mãe, que saudade...
Que saudade de acariciar sua tez macia, que saudade...
Que saudade de ouvir sua voz aveludada ch-amando pelo meu nome, suas memórias - histórias - vestígios no tempo, a saga sua...
Que saudade de sentir seu aroma con-vida-ndo à be-atitude perene, saudade de beijar suas mãos sagradas, saudade de seu carinho, mãe, que saudade...
Saudade de deitar-me ao seu lado, aquecer-me aninhado em seu corpo, cerrar meus olhos em reverência e agradecer ao Ressucitado por tamanha graça e felicidade de ch-ama-la de Mãe... que saudade, dona Edite, que saudade!

Viaj-ante

Viaj-ante
Miguel Garcia

Mergulhar os dedos por entre seus cabelos ..
Medir os contornos do espaço que você ocupa no uni-verso... Eis que tudo era bom! Conferir - tanger sua presença milagrosa na criação...
Tocá-la de olhos cerrados, apalpando a vida pulsante... inalar sua presença bendita..
Degustar você lenta e ternamente...
Pensar nisso me faz flu-tu-ar por sobre constelações e mundos dist-antes...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Luz Branca

Luz Branca
Miguel Garcia

Venero a beleza de sua paisagem interior, fascínado que estou por seu Self autêntico - sem disfarce ou defesas contra o terror da morte, experiência que hoje pratico apenas na memória, pois contemplá-la desprotegido feri os olhos, cega de paixão.
Cerro as janelas da alma todo o tempo, per-seguindo seus contornos divinais em pensamento - sua sina na dança do existir.
Cegou-me a Luz Branca.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Edite Timóteo dos Santos (1935-2009)


Logo você que nunca acreditou na morte, logo você deusa minha, santa heróica, Dona Edite, minha Mãe!! Logo você? Hoje é o dia da minha morte! Durma em paz minha amiga, protetora, sumo bem!!!!!!!!! Amo você!!!!!!!!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Imagem B-ela

Imagem B-ela
Miguel Garcia

Existe um limite quanto a carga de miraculoso que um mero mortal pode suportar!
A cada imagem nua, uma nova canção desponta no horizonte do imaginário artístico!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Negra Poesia Negra!

Não há rancor nem ódio:
há apenas esse clamor surdo
que rebenta em meu coração
ante nossas mãos tão inúteis
que sustentam essa alegoria
crua
de senzala favela e sarjeta.
---------------
(...) para um negro
a cor da pele
é uma sombra
muitas vezes mais forte
que um soco.

(...) minha carta de alforria
costurou meus passos
aos corredores da noite
de minha pele.

Faça sol ou faça tempestade,
meu corpo é fechado
por esta pele negra.
faça sol ou faça tempestade
Meu corpo é cercado
Por estes muros altos,
currais
onde ainda se coagula
o sangue dos escravos.

Por isso, quando as águas
caírem medidas
cuida-te
em teu guarda-chuva
de lanhos
A enxurrada
pode ser um rio
negreiro.

Na panela de pressão que chia
Na cozinha da casa grande
De hoje
Ferve um povo
Há tempos
A se transformar polvo
Pra derrubar vivo
Ou morto
O banquete das opulências.

Eu canto aos Palmares
Sem inveja de Virgílio de Homero
E de Camões
Porque o meu canto
É grito de uma raça
Em plena luta pela liberdade!

Apenas trinta dinheiros
Em São Paulo de Loanda
Apenas trinta dinheiros
A alma o corpo
Vendido
À Companhia holandesa
De Maurício de Nassau
Homensadubo
Das terras plantadas
À beiramar
Tanto mar
De sangue e mágoa
O sangue e suor
Da África para adoçar os dinheiros
Dos holandeses
De Maurício de Nassau.

Sou negro
Negro sou sem mas ou reticências
Beiço
Pixaim
Abas largas meu nariz
Tudo isso sim
Negro
e pronto!

Areia movediça na anatomia da miséria
Panopramanga
na confecção apressada da humanidade
Chaga escarnada contra o riso atômico dos ladrões
Espinho nos olhos do esquecimento feliz de ontem
Eu
Eu feito de sangue e nada
De amor e Raça
De alegrias explosivas no corpo do sofrimento e mágoa.

O negro pronto
Está se fazendo sempre
Por ponto
Atento
Contra o jogo da humilhação e
Do cansaço
Chegando a ficar tonto
De tanta lucidez
Sem porre de talvez
Ou preguiça

Olho-me
espelhos
Imagens
que não me contêm.
Decomponhome
Apalpome.

Me basta mesmo
essa coragem quase suicida
de erguer a cabeça
e ser um negro
vinte e quatro horas por dia.

Descendo a rua
Lá vai o Zé
Triste, cansado
Ele é o povo
Ele é o Zé.
Vive pensando
Que vai deixar
De triste herança
Para o futuro
A corda bamba
O barracão
Marmita vazia
Família sem pão.

Talvez temendo entrar na arena dos leões
eu esconda a coragem nos retalhos
coloridos da vida.
A pálida lua traz o sabor das provações
transformando o olho em ostra
Cismo: a pele em roupa não tem mais razões,
para ser trocada e assim
me recolho e me cubro com a mortalha
De anulações.


Negras imagens . São Paulo: EDUSP, 1996. 11 – 30.
1 O
negrito está no texto original (n.a.).
* Este
texto, em versão modificada, faz parte de capítulo do livro Literatura afrobrasileira
,
organizado por Florentina Souza e Maria Nazaré Lima em 2006. O livro, publicado
pela Fundação
Palmares e pelo Centro de Estudos Afroorientais
(CEAO), pode ser acessado no
site das
instituições.

domingo, 2 de agosto de 2009

Mas-turba-dores!

Mas-turba-dores!
Miguel Garcia


Só quem ama sabe como Deus é!
Todo aquele que ama sabe.
Teol-o(r)gia é masturb-ação in-útil!




sexta-feira, 31 de julho de 2009

Baque


Baque
Eis o oráculo soprado pela divindade inspiradora que a-con-tece em poesia – musa que presidi sobre as artes – deusa que en-canta o presente, o passado e o futuro – formosura divinal que acalma a fúria de minhas pulsões desejantes, adorna meus sonhos e faz com que córregos lacrimais deslizem pelas encostas íngremes do meu rosto de ébano, refletindo o brilho e a majestade da mais pura manifestação do belo. Ouço sons de música natural por toda a parte!

Miguel Garcia
“(...) Não vai sobrar nada de mim!”
Oh! não, doadora de prazeres, não tenha medo não! Desperta meu desejo! Venho render-me aqui.
Oh musa do verso licencioso, oh ninfa coroada de mirto e rosas, beijo vossos pés.
Permita que eu beba de suas fontes revigorantes, ilumine o meu espírito. Me acorde com movimentos sinuosos, console-me com a lira, cubra-me com um véu de pensamentos elevados, dance, cante: com instinto de bailarina e voz penetrada de luz, e-terna-mente.
Deixe acontecer! Concorde! Admita a queda sem temor nem culpa. Absorva a sensação dolorosa do paradoxo existencial e o desamparo que acompanha esse batismo na dimensão animal.
Ouço vozes anunciando um desastre que trará muitas alegrias!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Situação Crí(s)tica!

Situação Crí(s)tica!
Miguel Garcia

Inspirado no texto bíblico de Is 53:7-9.
Dedicado às mulheres negras e pobres, vítimas do preconceito, discriminação e exclusão socio-eclesi-ALL.
Ela foi maltratada, mas agüentou tudo humildemente e não disse uma só palavra. Ficou calada como um cordeiro que vai ser morto, como uma ovelha quando cortam sua lã. Foi “presa”, condenada e “levada” para ser morta, e ninguém se importou com o que ia acontecer com ela.
Ela foi expulsa do mundo dos "vivos", vitimada pela desumanidade de seus ofensores. Foi sacrificada e sepultada, embora nunca tivesse cometido crime algum, nem tivesse dito uma só mentira.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Lilás

Lilás
Miguel Garcia

Meus olhos seguem a magia e a mística dos teus movimentos.
Sofro imaginando tua tez sublime e régia, enroupada de estofo tinto como a cor da púrpura - tez majestosa e divinal, resvalando o tecido e acendendo meus sentimentos...
Posso seguir teu aroma de flor delicada, assistir teus gestos num pensamento, vigiar teus passos que mais parecem uma dança, devorar a melodia do teu en-canto. Sempre que o milagre acontece, fecho os olhos e reveren-cio o espetáculo sagrado de tua bendita presença em mim, enquanto segues distraída, triunfante e adornada pela cor da alquimia.
A evidência se impõe: és a síntese da beleza – luz dourada - personificação da feminilidade oceânica – o resumo de todas as mulheres, transcendente e aprazível como o lilás de tuas vestes.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

E agora?


E agora?


...para que tenham vida em abundância?
Quem suportaria um fardo tão pesado, uma vez que a vida “pouca” já é demasiada para a estrutura do animal humano? O remédio à disposição parece ser evitar excessos de pensamento e de percepção do real - mergulhar em auto-engano, fugir de novas experiências. É complicado enfrentar o peso esmaga-dor desse mundo. A coisa toda é muito arriscada. A pessoa perde-se de si mesma nos desejos devoradores de outros. Torna-se um joguete incontrolado entre as patas e garras de homens-bestas-feras e suas estruturas letais. Sei bem como é, aconteceu comigo, ainda a-con-tece, trata-se da norma vigente - "ordem" geral.
Pesadelo enorme é "viver" nesse planeta: a pessoa é lançada em meio a um frenesi demoníaco com bilhões de apetites orgânicos à solta, espreitando, sem contar os apetites infernais da natureza (pandemias, terremotos, furacões, tsunamis, etc). Cada coisa ou ser afim de expandir-se saborosamente agarrando as outras. É assim inclusive na savana da religião, que abriga predadores famintos. Parece ser verdade: “o diabo” circula entre nós, buscando a quem posso tragar. O “diabo” do meio, do entorno e de tudo, o diabo de todos e em todos...


Miguel Garcia

E agora que fui sugado até o esgotamento, minado em minhas energias essenciais, submerso e privado de meu “autodomínio”? E agora que “recebi” tanto e tão depressa que estou a ponto de explodir? E agora que fui drenado, sobrecarregado, que estou sem vigor para suportar “meus” desafios? E agora que estou apavorado e ao mesmo tempo excitado ante a eminência da sucção final – a submersão tot-All, e agora?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Ilustr-ação


Ilustr-ação
Miguel Garcia
________________________
Deus não existe. Tampouco a escuridão e a morte. Inferno existe.
Dubai não existe, nem mesmo São Paulo existe. Lavras sim e, pelo que pude comprovar, a África sub-saariana existe, racismo, preconceito, discriminação, favelas e Apartheid velado, ídem.
Incrível como a inveja, o dinheiro, o poder e, até mesmo a cumplicidade de escravos "assalariados", movem tudo no planeta. Não há rivalidade relativa - Caim que reconsidere, Abraão que não descarte.
O sofrimento massivo, duradouro, injusto e cruel da miséria e da exclusão - o caos que a injustiça impulsiona, segue curso implacável, sem chance de ser detido. O termo predador rês-ume com perfeição o comportamento
do animal humano. Não existe quem não projete o ter no ser. Não existe quem não ceda à pressão da ansiedade.
E para piorar a situação de quem já navega sem oriente, relação sexual não existe. Assimetria, sensação dolorosa do paradoxo existencial, repressão, culpa, dificuldades de irrigação sanguínea, descompensações hormonais, disfunções fisiológicas e barreiras psicológicas, desperdício, tédio e chatice, existem. Regressão a serviço do ego, não existe. Caráter não existe. Técnicas pelas quais evitamos nos tornar conscientes de verdades desagradáveis ou perigosas, existem:
____________
"Mostre-me um homem que não seja escravo das suas paixões". (William Shakespeare).
_________
Covardia existe. Terror existe, demência existe, o Diabo não, demônios existem. Evangélicos não existem.
Promoção definitiva - última ascensão ritual a uma forma superior de vida, fruição de alguma espécie de eternidade, não existe.
Não existe mundo encantado.
Não existem verdades escassas, fugidias e superáveis, tudo sufoca.
Tanto brilhantismo em palavras, descobertas geniais, refinamentos embriag-a-dores, lindas pinturas religiosas da "verdade" e, no entanto, a mente do animal humano permanece muda, enquanto o sistema rodopia em demoníaca corrida secular. Não há um centro vital pulsante. Não há sabedoria que tolere opiniões opostas. Não há não desesperados e absortos. Não há quem não recrie o mundo inteiro a partir de si mesmo. Não há quem evite o egoísmo. Não há quem não deseje sobressair e ser único na "criação" - ente centr-ALL do universo - o melhor cosmicamente. Não há quem não cultue heroísmos, quem não tema a morte - motor de ações humanas. Infelizmente não há cura para perversão do ter. Nada faz sentido e nada faz sentido, tudo é limitado e angusti-ante.
A vida é como "um oceano, pra lavar as mãos"...
Não há porque concordar com essa ilustr-ação. Vassum Crisso - Miguel Garcia

domingo, 12 de julho de 2009

Covardia

Covardia
Miguel Garcia

Covar-dia
e noite.
Dia, a-dia
a covardia!
Noite adentro,
afora,
ao vento,
lancinante,
Triunfante,
covardia.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Hino à negritude


Hino à negritudeProf. Eduardo de Oliveira


Hoje se ergue um soberbo perfil
É u’a imagem de luz
Que em verdade traduz
A história do negro no Brasil
Este povo em passadas intrépidas
Entre os povos valentes se impôs
Com a fúria dos leões
Rebentando grilhões
Aos tiranos se contrapôs
Ergue a tocha no alto da glória
Quem herói nos combates se fez
Pois, que as páginas da história
São galardões aos negros de altivez
Levantado no topo dos séculos
Mil batalhas viris sustentou
Este povo imortal
Que não encontra rival
Na trilha que o amor lhe destinou
Belo e forte, na tez cor de ébano
Só lutando se sente feliz
Brasileiro de escol
Luta de sol a sol
Para o bem do nosso país
Ergue a tocha no alto da glória...
Dos palmares os feitos históricos
São exemplos da eterna lição
Que no solo tupi
Nos legara Zumbi
Sonhando com a libertação
Sendo filho também da mãe África
Aruanda dos deuses da paz
No Brasil este axé
Que nos mantêm de pé
Vem da força dos orixás
Ergue a tocha no alto da glória...
Que saibamos guardar estes símbolos
De um passado de heróico labor
Todos numa só voz
Bradam nossos avós
Viver é lutar com destemor
Para frente, marchemos impávidos
Que a vitória nos há de sorrir
Cidadãs, cidadãos
Somos todos irmãos
Conquistando o melhor porvir
Ergue a tocha no alto da glória...
A faixa-bônus "Ave Maria Cabocla" é registrada por Carmen Queiroz que tem se aliado ao autor na divulgação do hino.
O disco foi concebido pelo CNAB (Congresso Nacional Afro-Brasileiro) com a direção artística de Carmen.


Sob o céu cor de anil das Américas
O "Hino à Negritude", faixa-título de autoria do Prof. Eduardo de Oliveira, é um cântico à africanidade brasileira, oficializado em diversas cidades e estados brasileiros em razão de sua importância na luta contra o racismo.

Negra é a cor da minha pele

Negra é a cor da minha pele
Eduardo de Oliveira

Nada fui! Nada sou! Nada serei,
Só porque negra é a cor da minha pele!
Mesmo que tudo eu dê, nada terei
nesta Sodoma, em que a ambição a impele!

Diante destes racistas é que eu hei
de amar o bem, antes que a dor revele
que, por ser negro, ainda sustentarei
seu império que, a tempos, me repele!

Eu represento a espécie sofredora
de indivíduos anônimos, de párias,
atores de uma história aterradora

Pobre do negro, pobre de quem sonha
como eu, que dentre as almas solitárias
somente pude ser a mais tristonha...

Negra é a cor da minha pele, in Túnica de ébano

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Prece de naveg-ante
Miguel Garcia


Ventos, ventos:
Levem-me à linha do horizonte,
a um pomar no céu noturno.
Se eu pudesse colher uma estrela...
Abraçar um corpo celeste luminoso..
Ventos, ventos:
Levem-me ao ponto cintilante,
à orbita do olhar que reluz,
ao espaço que incandesce que dissipa um desejo..
Levem-me à absolu-tez radiante,
a anos-luz dessa solidão.
Ventos, ventos:
guiem-me na trilha das noites, 
pelas fendas dos temores.
Levem-me à fonte de vida - claridade sideral -

esplendor que cega e cura:
Se eu pudesse colher uma estrela...
abraçar um corpo celeste luminoso..
Se eu pudesse Star... Vassum Crisso - Miguel Garcia

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Aos teólogos modernistas e afins
Miguel Garcia

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo que "fizemos" (as aspas são minhas)
Ainda somos os mesmos e "vivemos", ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais. (Belchior)
Angusti-ante tudo (2)Miguel Garcia
__________________________________Me dei conta de nunca ter ultrapassado os limites da limitada condição de uma criança. Percebo que fui arrastado pelas ondas e má sorte de doutrinas (pressupostos da religião), logo eu que nutria compaixão pelos iludidos do mundo à fora.
Fui traido, empurrado, seduzido por en-si-namentos de pessoas que, hoje sei, mentalmente adoecidas, imaginavam-se salvadores da lavoura humana, não necessária-mente gente falsa - conscientemente defraudadores, auto-enganadas, isto sim, e por conseguinte, doidivanas e até letais para suas vítimas – perdidas e per-ver-tidas em suas convicções fundamentalistas ou não, sempre equivocadas quanto à verdade e quanto ao essencial da vida do animal humano. Só hoje compreendi que uma teoria qualquer ou proposição não se torna mais ou menos objetiva em função de quem a afirma ou defende, mas sim em razão do que ela afirma ou defende, só agora considero todas essas coisas.
Hoje sei do caráter humano como uma mentira “vital”. Hoje sei do equivocado e desastroso culto ao heróico, hoje sei da repressão, castração, analidade, da rivalidade entre irmãos, hoje sei da verdadeira fisionomia do medo da morte, do trágico destino do homem que tem que sobressair, dos disfarces, narcisismo orgânico, da natureza religiosa de toda a criação cultural do animal humano, do problema humano universal, hoje sei (?), e isso é angusti-ante por demais. Vassum Crisso - MG

terça-feira, 30 de junho de 2009

Hino à negritude

Poder Femi-mínimo...
(Título meu M.G.)

(...) “a cerimônia central das religiões patriarcais é aquela em que os homens assumem o poder yoni da criação, dando a luz simbolicamente. Não é por acaso que líderes religiosos masculinos proclamam tão freqüentemente que os seres humanos nasceram em pecado — porque todos nascemos de criaturas femininas. Somente quando obedecemos às regras do patriarcado é que podemos renascer através do homem. Não é de espantar, portanto, que padres e pastores borrifem uma imitação dos fluidos do nascimento sobre nossas cabeças, nos dêem novos nomes e prometam que renasceremos para a vida eterna. Não é de espantar também que o clero masculino tente manter as mulheres longe dos altares e as mantenham longe do controle dos seus poderes de reprodução. De modo simbólico ou real, tudo tem como objetivo o controle do poder que reside no corpo feminino”. Gloria Steinem no prefácio do livro de Eve Ensler - Os Monólogos da Vagina. Vassum Crisso - Miguel Garcia

Excis-ão de sofrer Excisão.

Excis-ão de sofrer.. Excisão
(título meu M.G.).
Um texto da profetiza Eve Ensler
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Entre 80 e 100 milhões de meninas e mulheres jovens já sofreram mutilação genital. Em países onde ela ocorre — principalmente na África — todos os anos, cerca de 2 milhões de jovens podem esperar a faca — ou a navalha ou um pedaço de vidro — para cortar seus clitóris ou removê-los completamente.
Em outros casos, os grandes lábios são costurados com categute ou espinhos.
Freqüentemente essas operações são suavizadas e classificadas como "circuncisões". O especialista africano Nahid Toubia explicou as coisas francamente:
"Essa 'circuncisão' feminina num homem equivaleria à amputação da maior parte do pênis e, em outros casos, à 'remoção total do pênis, suas raízes de tecido macio e parte da pele escrotal'."
A curto prazo, o resultado incluí tétano, septicemia, hemorragias, cortes na uretra, na bexiga, nas paredes vaginais e no esfíncter. A longo prazo: infecção uterina crônica, cicatrizes que podem dificultar o andar durante toda a vida, formação de fístulas, terrível agonia durante o parto sempre perigoso, morte prematura.
— The New York Times, 12 de abril de 1996
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Extraído de Os Monólogos da Vagina - Eve Ensler

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Tocai-o Jackson

Tocai-o Jackson
Consagrado à Michael Jackson
por Miguel Garcia
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Descanse em paz, irmão! Descanse do medo de estar só; do temor à própria grandeza, da saga heróica, da armadura de metal pesada e fria, dos vislumbres em seus momentos mais perfeitos, descanse - de apreciar e emocionar-se ante as possibilidades quase divinas que, por certo, enxergavas nas horas culminantes, descanse do tremor, fraqueza, pasmo e receio ante as mesmíssimas possibilidades.
Não somos fortes o bastante para suportar... Descanse do pavor de concretrizar seus poderes totais, descanse da fuga à plena intensidade no viver... A felicidade delirante não pode ser suportada muito tempo. Nossos organismos são demasiadamente fracos para quaisquer doses exageradas de grandeza, descanse!
Descanse do pânico do mundo - da sensação e deslumbramento, descanse do sobressalto em face da criação, assombro, do milagre dela, do seu mistério e fascínio.
'Never Land', nunca mais. Descanse da ilusão - da verdade insuportável... Abrace o menino. 'Eu acredito em fadas'! Voe!... O mundo tal como é, 'criado do nada', as coisas como são, as coisas como não são, seria demais para podermos aguentar, descanse. Tudo seria demais para suportarmos sem desmaios - sem tremer como uma folha seca - parados num transe em reação aos movimentos, as cores e aos odores do mundo.

Mergulhe no oceano de luz... A-con-teça, meu igual, descanse dos aplausos efêmeros, dos ruídos, dos tons, dos gritos, das horas, do tempo, manhãs, da inveja que admira com infelicidade, descanse dos ensaios, rotinas, repetições infindáveis, descanse da coisa circular, de apelar aos instintos, de alimentar rebanhos ferozes e famintos, de enfrentar predadores, descanse da maquiagem, do ferrão da cor, descanse de empurrar o vento e apenas flutue... Descanse... da visão recalcada do miraculoso, descanse da grande dádiva da repressão. Respire o incompreensível, a beleza total, a majestade de tudo.. Descanse das honrarias e aclamações humanas – falatórios - subproduto e reflexo do terror da morte. Descanse do culto à “coragem” - sentimento de valia heróica, descance dos disfarces, do narcisismo orgânico, do sistema de ações simbólicas - estrutura de status e papéis - costumes e regras de comportamento, da revolta, divindade, castração, analidade, descanse da mentira vital. Descanse das percepções infantis de onipotência e do castigo a reboque. Descanse da vida “sadia”, mais ou menos imperturbada pela finitude, do medo da vida e da morte, descanse em paz, descance...
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Tocaio; Que ou aquele que tem o mesmo nome de outro (falando de pessoas), homónimo.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Imaginei...


Hummm... Eis que tudo era bom!
Doces record-ações!..  Imaginei felicidades coladas, Jabuticabeira enfeitiç-ante... Imaginei ir além – transpor a insipidez vazia, sorver felicidade num instante.. Imaginei tent-ação irresistível, o diálogo que calou a dúvida, aroma perfumado a-traindo.., água na boca, contemplação cobiçosa, aproxim-ação reverente, encontro furtivo, mais de água na boca, irromper de afetos, solidão de milagres. A magia estética da cena.. sons repercut-indo, testemunhas silenciosas e ocultas.. Dois mundos em um só. Imaginei você impiedosa... sentimento invadindo.. o gozo re-com-pensando a ousa-dia - a lou-cura redim-indo-a-dentro.. Imaginei a natureza cumprindo seu destino de um modo deveras poético, comov-ente, generoso e delicado, acolhendo nos “braços”. Imaginei cenas adoci-cada-s.. Eis que tudo era bom! Re-compondo-me: penso ter viajado contigo clan-destin-a-mente.. Que horas são???.. De qualquer maneira, foi bonito.. Sou grato. MG

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O caráter humano como uma mentira vital

Examine as pessoas ao seu redor e você...
As ouvirá falar em termos precisos a respeito de si mesmas e de seu meio, o que poderia parecer indicar terem elas idéias sobre o assunto. Mas, ponha-se a analisar tais idéias e verificará que nem de longe refletem de alguma maneira a realidade à qual aparentemente se referem, e se você se aprofundar descobrirá que nem há sequer uma tentativa de ajustar essas idéias à realidade. Bem pelo contrário: por meio desses conceitos o individuo está tentando cortar qualquer possibilidade de visão pessoal da realidade, de sua própria vida. Pois a vida é no começo um caos no qual a pessoa se acha perdida. O indivíduo desconfia disto, porém tem medo de ver-se face a face com tão terrível realidade e procura oculta-la com uma cortina de fantasia, onde tudo está claro. Não o preocupa se suas idéias são verdadeiras, pois ele as emprega como trincheiras para a defesa de sua existência, como espantalhos para afugentar a realidade. (José Ortega Y Gasset)

sábado, 20 de junho de 2009

O Dia Em Que Faremos Contato

Tiro o meu chapéu para dois "teólogos modernistas" de primeira água e brasilidade, Lenine e Bráulio Tavares e também para a musa das musas cantoras, Fátima Guedes por sua obra prima, o CD Grande Tempo. Eis a "tese teológica" modernista (letra da canção O dia Em Que Faremos Contato).
Miguel Garcia
O Dia Em Que Faremos Contato
Lenine E Braulio Tavares

A nave quando desceu, desceu no morro
Ficou da Meia-noite ao Meio-dia
Saiu, deixou uma gente
Tão igual e diferente
Falava e todo mundo entendia

Os Homens se perguntaram
Por que não desembarcaram
em São Paulo. Em Brasilia ou em Natal
Vieram pedir socorro
Pois quem mora la no morro
Vive Perto do espaço sideral

(Refrão)
Pois em toda via láctea
Não existe um só planeta
Igual a esse daqui
A galáxia ta em guerra
Paz só existe na terra
A paz começou aqui

Sete Artes e dez mandamentos
Só tem aqui
Cinco sentidos, terra, mar firmamento
Só tem aqui
Essa coisa de riso e de festa
Só tem aqui
Baticum, Ziriguidum, Dois Mil e Um!!
Só tem aqui

A Nave Estremeceu, subiu de novo
Deixou um rastro de luz, ao meio-dia
Entrou de volta nas trevas, foi buscar futuras léguas
Pra Conhecer o amor e a Alegria

A nave quando deceu, desceu no morro
Cheia de Et vestido de orixá
Vieram pedir socorro
E se deram vez ao morro
Todo o universo vai sambar...